A segunda noite do 30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, essa segunda-feira (22), recebe o Trio Villani, no Teatro Paschoal Carlos Magno. Formado por João Carlos Ferreira (viola), Jovana Trifunovic (violino) e Eduardo Swerts (cello), o trio esteve pela última vez em Juiz de Fora em setembro de 2016, quando lançaram o CD Três Tons Brasileiros na cidade. Durante o concerto, nesta segunda, o grupo celebra a música de câmara com a “Serenate in C – op.10”, de Dohnányi, em seu repertório.
O pianista e compositor húngaro é considerado por João Carlos Ferreira um músico de imaginação fértil e, por isso, foi capaz de fazer o trio de cordas alcançar relevância depois dos trios de Beethoven. “Alguns compositores passaram pela formação nesse período, mas não houve uma grande obra até o momento em que Dohnányi se baseia mesmo em uma forma de Beethoven para criar sua bela Serenata”, explica Ferreira por meio de assessoria.
Em seguida, os instrumentistas convidados Cássia Lima (flauta) e Marcus Julius Lander (clarinete) se unem ao trio para a interpretação de uma composição de autoria de João Carlos Ferreira. Poética é baseada na poesia de Vinicius de Moraes e busca unir universos musicais distintos, como a música de concerto e as trilhas sonoras. “Nesse período composicional, optei por trilhar um ambiente sonoro que buscasse unir diferentes vertentes com as quais lidamos no dia a dia. Sem optar por uma música popular, tentei fazer um apanhado que não fosse mera reprodução”, antecipa o autor.
O concerto é encerrado com as participações de Marcus Julius Lander (clarinete) e Joanna Bello (violino), que interpretam com o trio o Quinteto para Clarinete e Cordas de J. Brahms, considerado um dos grandes pilares do repertório de música de câmara.
30 anos de Festival
O mineiro João Carlos Ferreira, ex-aluno do Centro Cultural Pró-Música e violista principal da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2009, também participa do Festival como professor de oficina de viola. Para ele, em seus 30 anos de existência o evento de Juiz de Fora proporcionou local de intenso convívio, troca de conhecimentos e amadurecimento artístico aos estudantes de música, além de ter sido palco das primeiras apresentações de muitos músicos que hoje integram as orquestras e os ambientes de concertos no Brasil. “Durante toda minha caminhada como músico, eu cruzei e trabalhei com músicos que passaram pelo Festival e, tenho certeza, ainda vai continuar sendo assim. Um acontecimento artístico de tamanha amplitude deve ser defendido, um dos únicos locais de encontro para a música colonial e antiga no Brasil, e continua sendo um dos grandes festivais de música do país.”
Trio Villani e Convidados
22 de julho, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno (Rua Gilberto de Alencar s/nº, Centro). O concerto será precedido de palestra ministrada pelo Prof. Rodolfo Valverde (UFJF), com início às 19h, no local da apresentação. Entrada franca. Os convites são distribuídos no Centro Cultural Pró-Música no dia da apresentação, até às 18h. Há limite de quatro convites por pessoa.

