Porto de Galinhas (PE) – Ao desembarcar no Aeroporto dos Guararapes, em Recife (PE), com sorte, poderá desfrutar da companhia de um motorista como o seu Rubem, que trabalha na PontesTur, que preencherá de histórias e informações o trajeto de cerca de uma hora até Ipojuca, onde fica Porto de Galinhas. Em seu melhor "pernambuquês", com "Ts" vibrantes e "vixes" sonoros, o condutor percorre os 65km de rodovia cercada por canaviais, explanando sobre tudo: das mais antigas batalhas que envolveram os holandeses em sua tentativa de ocupar a região aos últimos arremates da Arena Pernambuco – um dos palcos da Copa das Confederações, no próximo mês.
O desenvolvimento da área é notório, com a grande movimentação do Porto de Suape, a abertura de novas estradas e a venda de terrenos e imóveis em novos condomínios, mais luxuosos à medida que se aproximam do litoral. Embora muito aquém do que já foi nos tempos áureos dos engenhos, tão bem representados nos clássicos da literatura brasileira, a plantação de cana-de-açúcar prospera, à espera dos boias-frias que migrarão para a região em setembro, início do corte manual da matéria-prima.
O mar verde da cana vai, aos poucos, sendo substituído pelos milhares de coqueiros do litoral sul do estado. Pousadas e resorts, verdadeiros recantos de sossego, distribuem-se por toda a costa. Um dos mais versáteis e requintados é o Summerville Beach Resort, a 13km da praia de Porto de Galinhas, em frente ao paredão de arrecifes, banhados por água morna e cristalina, da praia de Muro Alto. O resort dispõe de área de lazer sobretudo para crianças. Das mais de 200 acomodações, o destaque vai para os charmosos bangalôs.
Sobe e desce de águas azuis
Quando o tráfico de escravos foi proibido, os portugueses começaram a transportar galinhas d’angola nos compartimentos superiores dos navios negreiros. Ao ancorar na praia, logo corria o boato que avisava a chegada das "galinhas" no porto. Assim nasceu o nome de um dos roteiros mais procurados atualmente no Nordeste brasileiro.
As tais galinhas que dão nome ao lugar são verdadeiras celebridades na pequena vila, seja nas esculturas pintadas de todas as cores e caracterizadas com diversas fantasias, seja nas incontáveis lojinhas, que oferecem toda sorte de artesanato local. O centrinho dispõe ainda de boas opções gastronômicas, como os restaurantes a beira-mar Marangatu e Peixe na Telha, com cardápio recheado de peixes frescos, ostras cruas, lagostas, quebradinho de caranguejo e espetinhos de camarão.
O passeio de buggy pelo balneário de água azul-turquesa leva às praias de Muro Alto, Cupe, Porto de Galinhas, Maracaípe e Pontal de Maracaípe. O percurso pode ser feito em qualquer época do ano, embora o inverno seja o período chuvoso da região. As pancadas de chuva são rápidas, e o céu logo volta a ficar claro, com temperaturas sempre elevadas.
Ficar atento à tábua de marés é essencial para a programação da viagem, já que o sobe e desce das águas pode ser obstáculo a alguns dos passeios. Tomando uma jangada, é possível passear pelos arrecifes – com todo cuidado para não pisar nos ouriços escondidos nas falhas das pedras -, nadar e alimentar os peixes nas piscinas naturais. Outras jangadas levam os turistas pelos mangues do Rio Maracaípe. Os jangadeiros, especialistas em encontrar vida na região, mergulham para capturar e mostrar aos turistas siris e caranguejos, aratus e aratanhas, além dos curiosos cavalos-marinhos, que logo são devolvidos ao rio.
* A repórter viajou a convite da rede Pontes Hotéis & Resorts
