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Morre Cleonice Rainho aos 97 anos

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Uma vida dedicada à literatura. Assim Cleonice Rainho será sempre lembrada. Autora de publicações importantes para Juiz de Fora, ela morreu em sua casa, por volta das 15h30 de ontem, aos 97 anos, em decorrência de uma pneumonia. O corpo será sepultado hoje, no Cemitério Municipal, às 16h, no jazigo do marido Jacy Thomaz Ribeiro. Ela deixa seis netos e dez bisnetos, além do filho Luiz Flávio Rainho, 69 anos.

Em 2011, o acervo de Cleonice foi incorporado pelo Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), onde as obras se encontram acessíveis a pesquisadores de todo o país. "Foi uma forma que encontramos não só de preservar, como de colocar tudo à disposição do público", resumiu, na época da doação, o filho da escritora, Fernando Rainho, ex-deputado que morreu há cerca de dois meses (15 de março), em decorrência de complicações de uma inflamação no coração.

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Cleonice Rainho se tornou ainda mais popular no circuito das palavras por abrir constantemente sua casa para pesquisadores. Nascida em Angustura, distrito da cidade de Além Paraíba (MG), ela foi professora da Faculdade de Letras da UFJF. Sua entrada no mundo da literatura se deu por colaborações em jornais da cidade, como "Gazeta Comercial" e "Diário Mercantil". A autora publicou cerca de 30 obras, entre livros, antologias e ensaios, incluindo títulos como "Terra corpo sem nome" (1970) e "Vôo branco" (1979). Pelo trabalho na Associação de Cultura Luso-Brasileira, recebeu a "Ordem do Infante Dom Henrique", concedida pelo Governo de Portugal.

Na década de 1980, a obra da escritora representou um contraponto aos movimentos de poesia canalizados em publicações como as revistas "Bar Brasil", "Abre-Alas" e "D’Lira". Na mesma época, a autora já havia transformado a Associação de Cultura Luso-Brasileira – entidade que fundou e presidiu durante 25 anos – em referência no estudo de clássicos. Com cerca de dois mil livros, sua coleção, doada em vida, ressalta uma mulher que atuou ativamente na imprensa e nos movimentos culturais regionais.

Entre os amigos mais próximos, a notícia foi recebida com emoção. "Dona Cleonice Rainho tem um papel importante no processo de criação da cultura de Juiz de Fora, foi autora de livros premiados, de alcance nacional. Foi professora da antiga Escola Normal, profissão da qual tinha muita honra. É uma grande perda", ressalta o jornalista e vizinho da escritora, Ismair Zaghetto. "Sempre tive um carinho enorme por ela. Em 1981, ela promoveu, em Juiz de Fora, na ex-sede da antiga Superintendência da Fazenda, um salão de poesia, convidando artistas da cidade para produzirem poemas. Ao ler meus poemas, sem me conhecer, ela me convidou para atuar na Associação de Cultura Luso-Brasileira", lembra Vanderlei Tomaz, coordenador da Biblioteca Municipal Murilo Mendes.

Autor da biografia "Cleonice Rainho – A busca e o encontro", o escritor Wanderley Luiz de Oliveira pontua que ela marcou a cultura e as letras de Juiz de Fora não somente por sua vasta produção, mas também pelas instituições que fundou. O autor destaca ainda a importância de seu trabalho e o contato e troca de ideias que a professora fazia com outros escritores com quem sempre falava, como Carlos Drummond de Andrade e Antonio Carlos Villaça. "Cleonice nasceu para produzir e escrever com imensa versatilidade novelas, prosas e romances. Seu trabalho possui repercussão internacional."

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