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resistencia inahia e sua mae ivone na banca do vasco uma das mais antigas da cidade com 53 anos

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Resistência: Inahiá e sua mãe, Ivone, na Banca do Vasco, uma das mais antigas da cidade, com 53 anos
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Resistência: Inahiá e sua mãe, Ivone, na Banca do Vasco, uma das mais antigas da cidade, com 53 anos

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Numa cidade de forte vocação literária, a chegada das grandes redes de livrarias foi tardia, há pouco mais de uma década. Algumas, como a Livraria Nobel, nem sequer vingaram. As pequenas e tradicionais, pouco a pouco, fecham suas portas, enquanto outras resistem arduamente. Ainda assim, são mais de 30 estabelecimentos na cidade. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, onde a internet supera as lojas físicas em vendas de livros, no Brasil há um crescimento desses estabelecimentos. O número de lojas que faturaram entre R$ 7 e 10 milhões subiu de 3% para 17% de 2009 a 2012, de acordo com a pesquisa realizada pela empresa de consultoria GfkO. Contudo, a tendência atual é do extermínio das pequenas casas, principalmente no interior do país, onde os custos de logística são ainda mais altos.

Discussão antiga entre livreiros, editoras e consumidores, a questão do valor dos livros é o eixo principal do projeto de lei 49/2015, apresentado pela senadora Fátima Bezerra (PT/RN) na última semana de fevereiro. Em processo de análise pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, a proposta precisa ser votada pelos senadores, depois pelos deputados, até ser sancionada pela presidente, num longo e burocrático traçado. Caso chegue à prática, o projeto que institui a Política Nacional do Livro e a regulação de preços pode transformar o cenário do país e, principalmente, de cidades como Juiz de Fora, já que fomenta e iguala um mercado tão cheio de discrepâncias.

“Não é questão de proteger os pequenos e médios, mas de oferecer a eles condições igualitárias para que possam trabalhar. Do jeito que está hoje, há uma concentração nas mãos das grandes editoras e livrarias”, pontua o presidente da Associação Nacional das Livrarias (ANL), Ednilson Gomes, explicando que a proposta é de manutenção, até um ano após o lançamento do livro, de um preço fixo, que suportaria, no máximo, 10% de desconto. Segundo ele, a lei não criaria um cartel, mas geraria uma bibliodiversidade, conceito que versa sobre a variedade de títulos disponíveis aos mais diferentes grupos de pessoas. “Se tenho mais pontos de vendas para escoar minha produção, as tiragens poderão ser maiores, e o preço do livro tende a baixar”, destaca, demonstrando o caso francês, que adotou a lei do preço fixo e viu o número de livrarias se ampliar, bem como a produção e a venda.

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Concorrência desleal

Realidade recente, o comércio de livros em supermercados e magazines, como acontece na cidade, contribui para o enfraquecimento das pequenas livrarias. Segundo Luiz Fernando Pedroso, diretor da Editora Novo Conceito, uma das presentes nas gôndolas ao lado dos caixas de mercados, esses espaços alternativos de venda representam até 25% do faturamento da empresa. Ex-diretor da Ediouro, ele aprova o projeto de lei. “O mercado é muito desorganizado no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos a distribuição é exemplar, aqui a cadeia é frágil. O preço fixo organizaria e acabaria com a guerra no varejo e na internet”, comenta.

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Conforme a pesquisa sobre produção e vendas do setor editorial brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/USP), as livrarias virtuais e físicas ainda são o principal canal de comercialização de livros no país, com participação de 50,59% do total em 2013. Segundo dados da Associação Nacional das Livrarias (ANL), o Brasil conta com 3.095 estabelecimentos do gênero, o que representa cerca de uma loja para cada 65 mil habitantes. Porém, a maioria delas se concentra na Região Sudeste do país. Considerando estimativa do IBGE em 2014, Juiz de Fora, com cerca de 550 mil habitantes, possuiria ao menos uma livraria para cada 18 mil pessoas, número muito maior que a média nacional.

Na cidade, livreiros enfrentam uma disputa ainda maior. Enquanto os pequenos precisam equiparar preços com as grandes redes e até com supermercados, os grandes se desdobram para não repassar os altos custos de estruturas muito maiores e mais complexas. “Durante o ano, meu trabalho é muito direcionado, só a venda na bancada não sustenta a livraria”, conta Angela Maria Lopes, da Ca d’Ori, que vende para bibliotecas, professores e alunos, indo atrás de cada um deles. “Os três primeiros meses são os melhores, por causa dos livros didáticos. Fora isso, sobrevivemos vendendo para clientes fiéis”, faz coro Inahiá Vasconcellos, da Banca do Vasco, uma das mais antigas na cidade, com 53 anos de história.

Confirmando o cenário nacional, Marcos Paulo de Oliveira, coordenador da Leitura, aponta para um crescimento anual da rede. “Temos lojas para abrir até janeiro do próximo ano. O mercado do livro ainda tem setores que não foram explorados. Aqui em Juiz de Fora estamos negociando, após 12 anos da inauguração, uma expansão”, diz, lamentando a disparidade de descontos praticados na cidade. “Não há união no setor. Já tentamos nos organizar, mas nada vai para frente. Temos muitas livrarias na cidade, e somos totalmente desarticulados, sem força alguma. Não falo em cartel, até porque precisam haver flexibilidades, mas é muito importante termos uma lealdade. Nós, livreiros, temos muita culpa nesse panorama atual”, analisa Angela. Para Ednilson Gomes, “a livraria tem que ser diferente para atrair o leitor”. “Esse é o caminho para a sobrevivência. É preciso conhecer o leitor e o local onde está inserido. O cliente quer ser surpreendido”, sugere. Para além da questão do consumo, as discussões acerca do preço dos livros indicam para o acesso a esses espaços e, por consequência, à leitura. Pensar as livrarias é pensar os leitores.

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