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Outras ideias com Sebastião Pitassi Júnior

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Fortão, Maizena diz que não treina mais todos os dias
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Fortão, Maizena diz que não treina mais todos os dias

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À minha frente, um homem com seus 140kg, tênis número 45 e braço medindo 60cm de circunferência. Um gigante que só me acalma após sorrir. Superlativo, ele não chegou a esse tamanho tomando mingau de Maizena. Suou bastante a camisa e também se rendeu aos anabolizantes. Maizena é Maizena por conta da cor, nada mais. “Sofria bullying monstruosamente, primeiro por ser muito branco, muito feio e com o nome de Sebastião. Me chamavam de tudo, até parar em Maizena”, conta Sebastião Pitassi Júnior, que começou a mudar seu corpo e sua história ainda muito novo. “Comecei a treinar aos 12 anos, quando tinha 1,88m e pesava 56kg. Era uma coisa magrela, cabeçuda e branca”, brinca. “Minha mãe falava que musculação nunca me daria camisa, que era coisa de gente pobre de espírito, de quem não conseguia estudar e fica forte para poder se firmar como homem”, lembra o caçula dos três filhos de uma professora casada com um caminhoneiro. Numa família de trabalhadores, o jovem não poderia fugir à regra, então fez do desejo de ter um corpo como o de Arnold Schwarzenegger, seu primeiro ídolo, sua profissão. “Com 15 anos, já pesava 111kg. Com 18, 150kg. Fiz de tudo para ser forte. Chegava a comer, por dia, 40 ovos inteiros, quatro litros de leite, dois quilos de carne e uma penca de bananas. Foi uma obsessão engenhosa”, ri.

Bomba!

Quando o corpo musculoso ainda era um projeto, Maizena começou a “encurtar” o prazo. “Tinha uma amigo que estudava bioquímica, e, toda semana, ele me chamava para mostrar anabólicos novos no mercado. Falava para tomar um por semana, e eu tomava 30. Tomava tudo, corria 40km em um dia e fazia de quatro a seis horas de musculação”, recorda-se. O resultado dos excessos vieram com o tempo: com pouco mais de 28 anos, injetou anabolizantes na panturrilha e ficou 23 dias internado. “Quase morri, quase perdi a perna. Foi aí que me converti para a igreja”, diz o protestante da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Como se não bastasse, em 2013, após dissolver a sociedade em uma academia, enfartou por duas vezes e recebeu o diagnóstico de diabetes, tudo em três semanas. “Tendo uma mãe cardíaca, um pai diabético e fazendo uso de farmacológicos por mais de 20 anos, direto, acabei não aguentando a pressão”, lamenta.

Fama de mau

O homem que chama atenção nas ruas pelo tamanho toma oito comprimidos de manhã e outros oito à noite, para manter a saúde. Os tempos, agora, são outros. O “super-herói” ficou para trás, e as brigas, também. Segurança por quase dez anos, ele já não é o mais temido das noites. “Me lembro do Dinho, do Mamonas Assassinas, parando um show em Juiz de Fora por conta de briga minha”, ri ele, que por apenas dois anos competiu como fisiculturista. “Foi uma espécie de cala-boca, porque eu nunca gostei, mas as pessoas falavam que eu era gordo, e não forte. Sempre fui muito volumoso, mas conseguia ficar com 135kg tendo 4% de gordura.” Maizena gostava, mesmo, era de treinar outras pessoas – como diz, “fazer mágica no corpo”. “Aqui é a cidade dos homens mais fortes do Brasil. Já treinei 11 deles”, gaba-se o fortão, que não chegou a concluir uma faculdade, mas diz ter aprendido tudo na prática e nos mais de 40 cursos que fez na USP.

 

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Peso da idade

Mineiro de Além Paraíba, radicado em Juiz de Fora desde os 17 anos, Maizena, o pai de duas filhas (uma de 10 e outra de 13), dono de duas lojas de suprimentos alimentares e sócio em uma academia (com dois médicos), diz viver de maneira diferente os dias que correm. “Hoje treino quando dá vontade. Estou velho para fazer o que fazia, para as brigas em que me envolvi, os campeonatos de fisiculturismo, o uso e abuso de drogas, a falta de amor a meu corpo. Sonho, apenas, em estar perto das pessoas que amo”, emociona-se. Se ele se arrepende de alguma coisa? “De tudo o que fiz. Se pudesse voltar…”, responde ligeiro o homem que chegou a fazer parte do elenco de “Turma do Didi”, na Globo. “Consegui tudo e perdi tudo, mas sempre fui prático. Chorar é para criança. A vida sempre foi dura comigo, e eu sempre fui duro com a vida”, fala o gigante, aparentando suportar qualquer peso.

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