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‘Minas tem sido muito importante na minha carreira’

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Artista versátil, de tons fortes no cinema, leveza na televisão e originalidade no teatro, Simone Spoladore começou sua carreira aos 16 anos, quando os pais entraram numa grande crise financeira e ela decidiu ajudá-los. Incentivada pela família, ingressou ainda criança em aulas de balé, caminho pelo qual conheceu o teatro, inicialmente uma arte que iria lhe somar como bailarina. Sua primeira peça, numa Curitiba que cada vez mais se movimenta pelas artes cênicas, durou mais de sete horas. "A emoção que eu senti ali me levou à interpretação", conta. Com uma carreira voltada a expressões teatrais contemporâneas, Simone se firmou na cena paranaense sob a direção de nomes como Sale Wolokita, em "Meno male", Aleksei Abib, em "O presente", e Felipe Hirsch, em "Juventude", todos artistas envolvidos de alguma forma com a linguagem cinematográfica.

 

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Apesar de nunca ter passado por uma faculdade (há quatro anos cursou apenas seis meses de graduação em cinema, mas abandonou pela agenda constantemente cheia), no ano seguinte de sua estreia nos palcos resolveu partir para São Paulo, onde estreitou os laços com outras expressões. Por isso, é comum ouvi-la dizendo "não sei qual palavra usar". Aos 33 anos, Simone já chegou à marca de 20 filmes em sua trajetória, mais de uma produção por ano, o que a faz ser considerada uma das protagonistas da cinematografia contemporânea nacional. Ao lado de Leona Cavali, Alice Braga, Hermila Guedes, Dira Paes, dentre outras atrizes na faixa dos 20 aos 40 anos de idade, Simone representa uma geração que se entrega à produção independente compartilhando do experimentalismo de jovens diretores. "O cinema independente tem a cara do fora do eixo", diz, resgatando o tema da mostra desse ano, que aborda a produção fora dos centros.

Lançada na telona em 2001, com "Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho, a atriz interpreta Ana, personagem densa, ausente de falas, mas protagonistas das cenas de dança, o que lhe rendeu uma enorme preparação para aprender os movimentos ciganos. Filmado em uma fazenda de Cataguases, Zona da Mata mineira, o longa criou, então, um elo da atriz com o estado. "Minas tem sido um estado muito importante para a minha carreira", comenta, enumerando a homenagem e os filmes "Lavoura arcaica" e "Desmundo", sua segunda incursão pelo cinema, dirigida por Alain Fresnot e também rodado no estado.

Apontada como a menina dos olhos dos diretores estreantes, visto que a maioria de sua filmografia é constituída por cineastas em estreia em longa-metragem, Simone já assumiu diferentes perfis de personagens e se introduziu em diversos climas dramáticos. Em "O ano em que meus pais saíram de férias", a atriz incorpora Bia, uma mãe que se divide entre a guerrilha e a ternura. Em "Elvis & Madona", de Marcelo Laffitte, fazia a máscula Elvis, uma motoqueira boa de briga, mas de grande sensibilidade. Tida como uma atriz capaz de acessar diferentes aspectos do sensível, Simone tem em seus filmes o curioso crescimento de prestígio e texto. "Parece que eu comecei no cinema mudo", diverte-se, lembrando a ausência de texto em "Lavoura arcaica". Logo em seguida, reflete sobre a dificuldade de se expressar através de gestos e feições que não se amparam nas palavras: "O silêncio eu considero que é o trabalho mais importante do ator no cinema", pontua.

Caracterizando a si mesma como uma atriz instintiva, Simone Spoladore é uma artista que se comunica com o corpo todo. Por isso, é comum ouvi-la dizer "não sei qual palavra usar", indicando o domínio de outros sentidos. Para o diretor de "Nove crônicas para um coração aos berros", Gustavo Galvão, o talento de Simone pode ser percebido nos momentos em que ela se cala. "Ela tem o domínio da técnica como poucos, tem uma inteligência emocional e estética muito grande", derrete-se Galvão, que contou com a confiança da atriz em seu primeiro longa-metragem. Cineasta experiente, autora de uma dezena de filmes, Lucia Murat destaca a força dramática da atriz no set de filmagem. Interpretando a personagem Ana, baseada em uma amiga íntima de Lucia, no longa "A memória que me contam", Simone diz ter absorvido a emoção da diretora para fazer o papel. "No processo todo da filmagem, a Simone trouxe uma carga que eu não tinha", confirma Lucia.

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No ar em "Balacobaco", novela da Record, Simone Spoladore soma sete passagens pela televisão, além de pequenas participações em seriados. Na Globo, fez "Os maias", de 2001, "Esperança", de 2002, "América", de 2005 e "O profeta", no ano seguinte. Em 2009 fez sua estreia na Record, em "Bela, a feia" e em 2011 integrou o elenco de "Vidas em jogo". "TV e cinema são experiências muito diferentes", pontua. "E essas vivências mostram o quanto a vida da gente é contraditória", completa, confirmando sua predileção pela linguagem cinematográfica.

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