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As cores de Simone

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Tiradentes (MG) – Coincidência ou não, as mesmas cores que fizeram da pequena Tiradentes palco do que há de mais contemporâneo no cinema brasileiro também estavam em Simone Spoladore, homenageada da 16ª edição do festival. Trajando um vestido de estampa étnica nas cores laranja, vermelho, amarelo, branco, preto, verde e prata, a mesma escala cromática utilizada na fachada do Cine Tenda, onde ocorreu a abertura da mostra, Simone chegou ao evento sorridente, cumprimentando o público e fazendo muitas poses para as fotos. A desenvoltura surpreendente logo se contrastou com o rosto em prantos do momento em que recebeu o Troféu Barroco das mãos dos diretores Gustavo Galvão e Lucia Murat. Curitibana de nascença e paulista de coração, a atriz fez questão de voltar às raízes e demonstrar o lirismo que envolve sua arte citando versos dos conterrâneo Paulo Leminski: cine me ensine / a ser sim / e a ser senda.

Fazendo de suas aparições na tela grande o espaço ideal para suas experimentações, Simone cada vez mais se alinha ao universo cinematográfico alternativo. O eixo cinematográfico está muito ligado ao lugar comum. Esses filmes (independentes) estão perseguindo um lugar diferente, comenta a atriz, que afirma estabelecer uma relação muito íntima com todo o set. Perguntada sobre seu diretor dos sonhos, a atriz não se contém e lista vários. Eu gostaria de filmes com o Walter Salles, com o Beto Brant, com a Laís Bodanzky, Júlio Bressane. Eu quero trabalhar muito, lista.

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À margem das revistas de fofoca e preocupada em se manter distante de polêmicas, a atriz de fala mansa e gestos delicados não se furta ao desejo de ver o cinema contemporâneo brasileiro se fortalecer: O diretor brasileiro faz um filme a cada cinco, protesta. Precisamos de mais recursos para atingir essas facetas que estão surgindo ou se fortalecendo, diz, referindo-se aos produtores independentes que a perseguem com grande frequência. Ironicamente, Simone preserva no corpo as marcas de uma personagem que lhe rendeu indicação como melhor atriz do Prêmio Shell desse ano, a hollywoodiana Marilyn Monroe. Os cabelos que aos poucos se despedem da loura Marilyn, num colorido inusitado, denunciam uma atriz que se entrega ao personagem e, aos poucos, deixa-se libertar.

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