Ao entregar ao mundo acadêmico e à sociedade juizforana, na terça-feira, os três primeiros volumes da coleção Diálogos abertos, a Pró-reitoria de Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora deu sequência ao ambicioso projeto que lançou em 2007, idealizado para registrar e documentar importantes testemunhos da história de Juiz de Fora e seus reflexos fora dos limites locais.
Os Diálogos abertos tornaram-se, desde então, um repositório de inestimável valor histórico, seja pela forma aberta e democrática de sua realização, como pela eleição de vozes que abrem novos caminhos e transformam, com o seu trabalho, a rota de uma cidade que sempre teve na criatividade e na coragem de seus filhos – naturais e agregados – a dinâmica de seu progresso.
Os depoimentos de Arthur Arcuri, Carlos Bracher, Rachel Jardim, Suely Costa, Luiz Ruffato (primeiro volume), Murílio Hingel, Edimilson Pereira, Clodesmidt Riani, Mamão, Natálio Luz (segundo volume), Almir de Oliveira, Jorge Couri, Marcos Pimentel, Vera Faria e Wilson Cid guardam em si como e porque a cidade soube ajustar-se às transformações sociais, sem perder a identidade que o século XX lhe plasmou. Melhor: sem se acomodar e sem abrir mão de sua altivez.
Outras entrevistas de transcendente importância cultural estão sendo trabalhadas e também se transformarão em livros em 2013. O próximo exibirá, por exemplo, a entrevista com o saudoso presidente Itamar Franco, realizada em compartimentos políticos específicos.
Há que se louvar não apenas a iniciativa, mas os cuidados estéticos com que se desenvolve. A Pró-reitoria de Cultura da UFJF imprime uma qualidade ao seu labor que valoriza de modo inequívoco suas realizações. O Museu de Arte Murilo Mendes, palco do lançamento, é por si só testemunho de quem realiza sem se perder na facilidade de transigir com rígidos conceitos de arte, estilo e elegância.
Menina dos olhos do pró-reitor José Alberto de Pinho Neves, que coordena pessoalmente o projeto, trabalhado por equipe de competentes redatores, os Diálogos abertos abrem os bastidores da história e mostram como o nosso tecido social atravessou recessões, ditaduras, cataclismas naturais, sem se romper ou, no mínino, esgarçar-se de modo irrecuperável. Pelo contrário, as dificuldades sempre exerceram um ímpeto de força e coragem a nossa gente.
Evocando Mário Quintana, O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente, Gabriel Garcia Marques , A vida não é o que a gente viveu, e sim o que a gente recorda, e como recorda para contá-la, e Adélia Prado, O que a memória ama, fica eterno, os primeiros livros dos Diálogos abertos revelam-se, enfim, uma Universidade que nasceu no seio de uma cidade corajosa e como ela própria participa no alicerçamento dessa força.
Valeu a pena esperar, na certeza de que Juiz de Fora pode dormir em paz: sua história está sendo preservada com a mesma qualidade com que ela existe. Os Diálogos acontecem agora e acontecerão no futuro com os pesquisadores que deles se nutrirão para o seu relevante mister.
