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Todas as línguas em uma só voz

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Um canto alpino, uma canção em espanhol e um hit de Jakson do Pandeiro para arrematar. O repertório para lá de eclético do Coral Municipal Juiz de Fora foi representativo da variedade de idiomas e sonoridades reunidas no 17º Festival Internacional de Coros (Festcoros), que acontece na cidade até sábado. O grupo deu boas-vindas ao público na noite de abertura do evento, que aconteceu na segunda no Cine-Theatro Central. "Uma das principais características do festival é a diversidade cultural que ele abriga. Afinal, não se trata apenas de música europeia, mas de música coral", comenta o diretor artístico do evento, maestro Domício Procópio.

O 17º Festcoros promove até o próximo sábado recitais com 16 corais, entre convidados e grupos locais. Além de Juiz de Fora, os concertos acontecem nos municípios de Barbacena, Guarani, Argirita e Maripá, sempre com entrada gratuita. Assim como aconteceu em edições anteriores, a escalação deste ano evidencia como a cultura, o idioma e as técnicas vocais específicas se misturam, desenhando diferentes tipos de canto. Da Itália, o coro Le Maestà traz o chamado canto alpino, tradicional do Norte do país e marcado pela simplicidade.

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Das proximidades da Cordilheira dos Andes, na região de Mendoza, na Argentina, vem o Coro del Terciário de Colégio Normal, que interpreta desde tangos aos chamados "negro spirituals", estilo baseado na música gospel negra. De acordo com o maestro Gonzalo Villalba, regente do grupo, a variedade sonora dessa região é ainda maior, contemplado diferentes escolas e técnicas vocais. O regente afirma, ainda, que o próprio idioma atua como fator de identidade, produzindo uma musicalidade própria.

Cantando em português, mas com resultado bastante particular, o angolano Tuana Tua Nzambi mostra a força dos cantos africanos, que se espalharam pelo mundo e deram origem a diferentes linguagens ao redor do planeta. Curiosamente, o coral se formou em Juiz de Fora, há três anos, a partir de um grupo de estudantes que frequentam a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Com solistas de extrema potência vocal, o conjunto apresenta também canções no dialeto kimbundu.

 

Sotaques estrangeiros

No espetáculo de abertura, no Central, o próprio maestro Domício Procópio deu exemplo de diversidade, abordando repertórios variados nos três grupos que comandou. Além do Coral Municipal, que abriu a noite, o regente esteve à frente do Coral OAB e do grupo vocal masculino Vox Uomini. Nesse último, aliás, também soltou a voz em um repertório de músicas italianas.

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Além de idiomas estrangeiros, o festival também agrega sotaques diversos. É o caso do Coral Municipal Alegria Franciscana, da cidade gaúcha de Marau, que inicia hoje suas apresentações, com um recital em Maripá. Na sexta, estreiam na programação o Coral Vozes da Terra e Procoraldoria, de Brasília, e o grupo Cantus, de Varginha.

Outros dez conjuntos de Juiz de Fora participam do festival, com apresentações em palcos e espaços públicos da cidade. Domício Procópio constata, satisfeito, a presença maciça dos grupos locais no evento. Há 17 anos, quando foi realizado o primeiro Festcoros, o município contou com apenas cinco representantes. "Nos últimos tempos, nossos corais cresceram não só em quantidade, como em qualidade. E temos potencial para avançar mais", diz o regente.

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Durante as tardes desta semana, os corais se espalham por muitos pontos da cidade. O objetivo é alcançar os ouvidos dos juiz-foranos que transitam pelo Centro, dentro de galerias ou no Calçadão da Halfeld. Recitais em igrejas e instituições de ensino também integram a programação.

Quem perdeu a noite de abertura do Festcoros também terá a oportunidade de conferir os seis grupos convidados em um concerto na Igreja do Rosário, na sexta. O festival será encerrado no sábado, com um espetáculo no Cine-Theatro Central, que contará com a presença de 12 corais e do cantor Luiz Gamonal. A programação completa do evento está disponível no site www.festcoros.com.br.

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