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Ícone LGBTQIAPN+, Safira Bengell lança biografia em Juiz de Fora e celebra 50 anos de carreira

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Lançamento integra programação Rainbow Fest 2025 (Foto: Divulgação)
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Juiz de Fora não é apenas o palco do Miss Brasil Gay, é também parte da própria história de Safira Bengell. Parceira de longa data do concurso que projetou a cidade no calendário da diversidade, a artista retorna para celebrar cinco décadas da trajetória profissional. Nesta quinta-feira (21), ela lança sua biografia “A arte de viver – A dama da diversidade cultural brasileira, em noite de autógrafos na Livraria Leitura, no Independência Shopping, e, na sexta-feira (22), participa de um encontro no Madame Geváh e da programação do Rainbow Fest 2025.

A palavra “superação” atravessa cada capítulo de sua vida. Nascida no Piauí, Safira deixou cedo a terra natal em busca de espaço nos palcos. No Rio de Janeiro dos anos 1970, encontrou a oportunidade de se reinventar: foi cover oficial de Maria Alcina, brilhou em programas de televisão como Clube do Bolinha e Show de Calouros e, em plena ditadura militar, abraçou o teatro de revista. Entre preconceitos e aplausos, consolidou-se como voz e corpo de resistência.

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Dos palcos do Brasil ao reconhecimento internacional

A carreira, no entanto, não se restringiu ao Brasil. Safira percorreu palcos itinerantes, integrou produções como “Gay fantasy”, sob direção de Bibi Ferreira, e conquistou casas noturnas na Europa. Em Roma, assumiu a sociedade na casa de shows American Disaster e dividiu cena com artistas como Christian De Sica e Michelle Placido. O reconhecimento veio em prêmios e no título de “Rainha da Noite”, concedido pela revista VIP.

O retorno ao Brasil, em 2008, deu início à uma nova fase. Em Teresina (PI), apresentou programas na TV Band e passou a investir em projetos culturais e sociais. Recebeu a Medalha do Mérito Renascença – a mais alta honraria do estado – e o título de Comendadora, em reconhecimento à sua contribuição à cultura e à luta por direitos. Mais do que artista, Safira tornou-se símbolo de conquistas. Foi pioneira no direito de usar oficialmente seu nome artístico,sem a obrigatoriedade da cirurgia de redesignação sexual, decisão que abriu caminho para que esse direito se tornasse gratuito e acessível a todas as pessoas trans no Brasil.

Arte, resistência e legado para a diversidade

A artista celebra 50 anos de carreira marcados por resistência, arte e diversidade (Foto: Divulgação)

Sua biografia, com 360 páginas de relatos e imagens raras, não se limita às memórias pessoais: resgata também os bastidores de uma cena cultural que ajudou a transformar. O livro revisita a importância histórica de Les Girls (1964), espetáculo estrelado por Rogéria e marco dos palcos brasileiros, que serviu de inspiração para a própria trajetória de Safira. Décadas depois, ela criou e produziu o musical Les Girls Forever, já apresentado em diversas cidades do país e com novas apresentações confirmadas para 2026, como tributo ao primeiro grande show de travestis do Brasil. Em meio às comemorações, a artista também subiu aos palcos recentemente acompanhada por orquestra e corpo de balé, reafirmando sua versatilidade.

Definida por um publicitário como “uma espécie de Rogéria da atualidade”, Safira se diz honrada pela comparação. “Eu busco muito em Rogéria e Clodovil, que foram grandes colegas. É uma honra essa comparação, pois procuro zelar por essa imagem da Rogéria, que é uma das minhas maiores referências”, afirma. Para ela, a herança deixada por esses ícones não está apenas no glamour, mas no compromisso com a arte. “Quero fazer bem feito, como Rogéria se apresentava. Só seremos respeitados quando nos impusermos, quando fizermos nosso dever de casa. O direito vem do dever cumprido”, reforça.

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A arte, segundo Safira, foi sua salvação. “Ela me salvou da marginalidade. Foi minha ferramenta de combate à discriminação e ao preconceito – mas sempre levada a sério, com profissionalismo e respeito ao público.” Em sua avaliação, a banalização ameaça a credibilidade da categoria. “Levar nossa arte como brincadeira ou algo fácil banaliza nossa classe. Muitos confundem o público, e isso prejudica todos nós artistas”, critica.

Entre tantas memórias, Safira não esquece de Juiz de Fora. No livro, dedica páginas ao Miss Brasil Gay e a Chiquinho Mota, patrono do concurso, reafirmando a ligação afetiva e cultural com a cidade. É esse elo, construído ao longo de uma vida dedicada aos palcos, que agora a traz de volta, não apenas para autografar uma obra, mas para partilhar sua história – uma trajetória marcada por coragem, resistência e pela arte como instrumento de transformação.

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*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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