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Raízes que dão música

carlos fernando reinterpreta classico pouco conhecido de martinho da vila divulgacao

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Carlos Fernando reinterpreta clássico pouco conhecido de Martinho da Vila (Divulgação)
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Carlos Fernando reinterpreta clássico pouco conhecido de Martinho da Vila (Divulgação)

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Com oito espécies conhecidas, o baobá é uma árvore peculiar. Podendo chegar a 25m de comprimento e incríveis 20m de largura, ele pode ser encontrado facilmente em partes da África – em especial Madagascar – Oriente Médio e Austrália, com grande capacidade de absorção de água (até 100 mil litros em seu tronco oco e resistente às chamas) e raízes extensas. No Brasil, onde poucos exemplares do baobá africano podem ser encontrados, eles se concentram em cidades como Recife, terra dos antepassados do compositor Carlos Fernando Cunha, que lança nesta quinta-feira, no CCBM, seu segundo álbum, “Baobá” – nome escolhido por todas as ligações sentimentais encontradas durante a produção do disco. Para o show, ele vai contar com as participações especiais de Dudu Costa e Alessandra Crispim.

“Baobá” foi gravado entre julho e novembro de 2014 no Rio de Janeiro, com produção de Luís Filipe de Lima e realizado por meio da Lei Murilo Mendes. O álbum inclui dez canções inéditas – entre parcerias e uma música de Ricardo Barroso – e uma homenagem (“Madrugada, carnaval e chuva”, de Martinho da Vila). A ideia original era que fosse chamado “Zeroquarenta Volume 2”, dando ideia de continuidade ao seu primeiro trabalho, de 2011, mas o conceito foi mudando à medida em que era pensado. “‘Baobá’ não foi pensado, inicialmente, como um álbum apenas de samba, mas durante o processo de gravação decidi que era hora de abraçar o gênero definitivamente”, explica Carlos. “Gravei com músicos do Rio para que o álbum tivesse um ‘sotaque’ carioca, mas acho que não consegui. Esses 15 anos em Juiz de Fora criaram em mim uma ‘mineiridade’ que impregnou minhas composições.”

O samba faz parte do conceito de raízes que dá nome ao álbum, junto às amizades de longa data e lembranças do passado. Foi de um amigo e parceiro musical, por exemplo, que o disco tomou corpo. “O Kadu Mauad me mandou uma letra que falava sobre baobás, e ela rendeu ‘Sangue de baobá’. Foi com ela que caiu a ficha, pois sintetizava o meu novo trabalho e remetia às minhas raízes”, conta. Com Kadu, parceiros como Edson Leão, Dudu Costa e Roger Resende ajudaram a criar as bases estéticas do novo disco.

Já o mais carioca dos estilos musicais está fortemente ligado a sua família. “Meus pais sempre foram muito ligados ao samba, ele, portelense , e ela, mangueirense, isso sempre fez parte do meu cotidiano”, conta, antes de se lembrar de mais um ramo que ajudou a criar a sua árvore genealógica musical. “Eu resolvi torcer para a Império Serrano; isso, entretanto, mudou em 1984, quando ouvi o samba que o Martinho fez para a Vila Isabel naquele ano, ‘Para tudo acabar na quarta-feira’. Depois daquele desfile, troquei de escola.” A partir daí, a ligação com a azul e branco da região próxima ao Maracanã foi só crescendo. Nos anos 90, ele se aproximou da escola de samba devido a um projeto de extensão realizado no bairro. A presença nos ensaios na quadra da agremiação tornou-se frequente, e, na mesma década – mesmo com toda a desconfiança dos integrantes da Vila -, ele passou a fazer parte da bateria, onde continua até hoje.

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Cantando Martinho

Se Martinho aproximou Carlos Fernando da Vila Isabel, a Vila Isabel ajudou ainda mais o cantor a se aproximar da obra de Martinho. Carlos Fernando foi curador, intérprete e músico do projeto “Martinho José Ferreira: 70 anos de brasilidade”, realizado em 2009 no CCBB, no Rio de Janeiro. “Eu mergulhei na obra dele para realizar esse projeto, e passou a ser um sonho meu gravar algo do Martinho. Escolhi então ‘Música, carnaval e chuva’, de 1976, que não é tão conhecida. Chamei a Ana Costa, que participou do primeiro disco, para cantar comigo, pois ele é praticamente um ‘padrinho musical’ dela”, diz.

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Outro convidado é o lendário Wilson das Neves, que chegou até Carlos Fernando pela felicidade do acaso. “‘De Piedade’ surgiu de uma conversa minha com o Tiago Rattes sobre homens mais velhos. Ele me mostrou um trecho de uma poesia dele, e acabei criando a música, pensando no Wilson das Neves. Quando comentei isso com o Luís Filipe, ele sugeriu chamá-lo, e eu só pude rir na hora. Mas ele conversou com o Wilson, mandou a música, ele gostou e veio gravar com a gente”, comemora.

Para o show desta quinta-feira, Carlos Fernando Cunha vai cantar todas as canções de “Baobá” e algumas de “Zeroquarenta”, além de versões para “Último desejo” (Noel Rosa) e do frevo de bloco “Madeira que cupim não rói”, de Capiba, sem se esquecer de interpretar músicas de artistas juiz-foranos. Além das participações especiais de Dudu Costa e Alessandra Crispin, o cantor e compositor será acompanhado no palco pelos músicos Roger Resende (violão), Armando Junior (violão de sete cordas), Fabricio Nogueira (cavaquinho), Wendell Henriques (sopros), Fernando Drummond (trombone) e Márcio Gomes (pandeiro), e ainda Mestre Jansen e Mestre Toddynho (percussão).

CARLOS FERNANDO CUNHA

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Nesta quinta-feira, às 20h

CCBM (Avenida Getúlio Vargas 200)

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