Ícone do site Tribuna de Minas

Reza Brava leva sabores brasileiros e experimentações para café e brunch

reza brava
Reza Brava tem opções de café, almoço e brunch (Foto: Felipe Couri)
PUBLICIDADE

Na mesma casa azul onde funciona o Reza Forte, no Bairro Jardim Glória, nasceu um café e brunch com olhar especial para os sabores brasileiros. A ideia do Reza Brava veio da vontade de experimentação dos sócios Hugo Fernandes e Pedro Fellet, que perceberam nesse formato também a chance de trazer calmaria para dentro do bar. Sendo assim, foi possível incorporar receitas e processos inviáveis na correria de boteco — mas perfeitos para o final da manhã e à tarde, quando também esperam ter um momento de maior convivência com o público. No cardápio, opções como um releitura do “english breakfast” (chamada “para inglês ver”) com apenas produtos brasileiros, bolo de rolo de jabuticaba e escabeche de pirarucu dão tom à nova proposta. O horário de funcionamento do café é de segunda a sexta, das 11h às 18h, e domingo, das 11h às 15h30.

A vivência na cozinha fez com que os dois fossem percebendo o que gostariam de trazer para o negócio, mas que não cabia no formato de bar. Somado a isso, o interesse pelos cafés especiais fez com que vissem que um estabelecimento que valorizasse os produtos brasileiros poderia ser um diferencial. “Assim como no Reza, enquanto bar, a gente procurou se diferenciar, aqui a gente procurou ir na contracorrente do que é o consumo de cafeterias”, destaca Hugo. A ideia, como ele explica, era trazer doces que não fossem “tão doces”, assim como insumos vistos frequentementes na gastronomia (e no boteco) mas que fossem menos aproveitados no contexto dos cafés. E que, no entanto, quando usados, pudessem trazer sabores que construíssem uma proposta marcante.

PUBLICIDADE

Opções como brunch taquitos (mini tortilhas com ovos mexidos, fatias de abacate, picles de cebola roxa, vinagrete de feijão manteiguinha, pimenta de cheiro, azedinha, sour da casa e coentro) ou sanduíche de broa de canjica com barriga de porco glaceada destacam a ousadia nos sabores, em uma iniciativa com menos apelo “instagramável” ou fórmulas convencionais. O mesmo vale para as sobremesas: o exagero e os ingredientes que viraram “padrão” nesse tipo de negócio deram vez para o que valoriza os processos e os sabores contrastantes. 

A valorização desses ingredientes tem a ver com a história da culinária que eles sempre buscaram destacar, e reforça a sua ligação com os processos cuidadosos brasileiros, como explica Hugo. “O bolo morno de chocolate [leva ganache de chocolate e creme inglês de laranja] tem uma diferença de temperatura que sempre quisemos trazer para o público. Mas, no bar, a gente não conseguia, porque é uma sobremesa que agarraria a cozinha. Com esse formato, é possível”, explica ele, que vê no projeto a expectativa de atender a cerca de 50 pessoas, enquanto no bar costumam atender 150 por noite. Essa diferença também ajuda a criar uma conexão mais próxima com os clientes, que é outro objetivo do projeto. As opções de comidas são acompanhadas de uma carta de cafés, com destaque para os coados da Unique Cafés Especiais, de São Lourenço.

Do Brava ao Forte

(Foto: Felipe Couri)

Com o fechamento do Reza Lanches (que funcionava no Centro da cidade e era voltado para almoço), viram que investir em um café com brunch poderia ser uma boa alternativa. Inclusive porque, no bar, também perceberam um movimento de diminuição do consumo de álcool importante nos últimos anos. Apesar de servirem drinks nesse novo projeto (como clericot e mimosa), percebem que a tendência é da predileção por bebidas mais leves, e que espaços de convivência assim têm chamado atenção do público.

A mudança do espaço entre os horários de funcionamento do Reza Brava para o Reza Forte é evidente: “A gente recolhe essa flor da mesa, o papel e coloca o porta guardanapo. A bossa nova vira o samba e dá essa trocada. As pessoas falam que parece que estão em outro lugar”, conta Hugo. Para ele, enquanto o bar vencedor de duas edições do Comida di Buteco tem como característica justamente as suas cores e irreverência, o projeto do café traz uma sobriedade maior. Mas, no fim das contas, são iniciativas que se complementam: os dois representam “o lugar da cozinha brasileira” em Juiz de Fora.

PUBLICIDADE

Envolvimento em cada etapa

A cozinha do Reza Brava também é um resultado dos interesses e gostos dos sócios — e inclusive da cozinha na qual Pedro Fellet acredita, como defende Hugo. Essa cozinha criada pelos dois é aquela em que há interesse por cada etapa da produção. “Outro dia, cheguei e o pessoal estava fazendo manteiga. Acho que também temos a vantagem de ter uma equipe jovem e que quer se envolver com cada processo”, diz. Por isso, o café também traz a realização pessoal de um sonho do chef, que era servir o pão produzido pela casa, e também tem como projeto mais opções que valorizem as garrafadas brasileiras.

O envolvimento é tamanho que até mesmo a louça em que o café é servido foi feita por Hugo. Outra iniciativa que pretendem com o café, inclusive, é ter uma programação maior de oficinas para o público e discotecagem. “A cobrança muito grande de um negócio é expandir. Mas se a gente quer ser um lugar que é um café de dia e um bar à noite, fazer a xícara onde serve o café, comprar as flores para por na mesa e finalizar as sobremesas, não faz sentido ter dez lojas”, comenta Hugo.

PUBLICIDADE

 

Sair da versão mobile