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Nos passos de Viramundo

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Se em O grande mentecapto, consagrada obra de Fernando Sabino, o protagonista Geraldo Viramundo faz um percurso nem sempre fortuito em suas andanças por diversas cidades mineiras, o mesmo não se pode dizer dos passos da filha do autor pelas Gerais. Repetindo parte do trajeto percorrido pelo personagem no livro do pai, Verônica Sabino estreou, em 12 de outubro do ano passado, a turnê Bossa, balanço e balada, que será encerrada hoje em Juiz de Fora, com a gravação de um DVD, parceria do Canal Brasil com MPB/Universal. No livro, que é um dos que mais amo de meu pai, Ouro Preto é onde Viramundo se apaixona, e o show estreou no dia do aniversário de meu pai. A turnê começou com este momento mágico, e quis fazer um registro de tudo que ela representou para mim em Juiz de Fora, que aparece no livro, onde meu pai morou e onde tenho família, conta a cantora.

O show, homônimo a um álbum de Sylvia Telles de 1963, é um passeio por um período específico da música brasileira, os anos 1960, priorizando canções e artistas da gravadora Elenco, de Aloysio de Oliveira. A Elenco era uma preciosidade, inaugurou a preocupação com a parte gráfica dos discos, teve a bossa-nova acontecendo naquele selo. Até hoje vivemos daquela época musicalmente, com tudo que ela trouxe musicalmente dos anos 1940 e 1950, e o que ela apontou para as gerações futuras. O show resgata toda essa riqueza, incluindo o caminho de antes e depois, explica Verônica.

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No repertório, canções que ilustram essa passagem de tempo na música brasileira, em uma trajetória musical que, como a própria turnê, vai parar em Minas Gerais. É uma história, com começo, meio e fim. Antes de me esparramar pela bossa, falo muito da balada que veio antes, dos corações partidos, com Maysa, Dolores Duran… Chegamos aos anos 60 com a Jovem Guarda, Elvis Presley e enfim a bossa-nova, que prepara o terreno para que os mineiros do Clube da Esquina fariam lindamente. Na cronologia do show, o futuro é Minas!, diz Verônica, carioca e filha do célebre mineiro.

Presente para o público

Como a própria identidade da cantora, situada entre as montanhas e a beira-mar, a gravação de hoje será um momento de encontros. A bossa e a música mineira dos anos 70 têm muito disso, de cantar os encontros da vida, essa energia positiva, de lindos dias de sol, um frescor muito grande, conta Verônica.

Nessa travessia ensolarada registrada no DVD, a cantora caminhará ao lado de Roberto Menescal e Milton Nascimento, que participam da gravação. Nesta conexão do Rio com Minas, vou estar com ‘o cara’ da bossa e ‘o cara’ do Clube da Esquina, é um privilégio muito grande conviver musicalmente com estas duas referências, além de ser um presente para o público.

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A direção do show é assinada pela global Stella Miranda, famosa por dar vida a personagens divertidos, como a Dona Álvara, de ‘Toma lá, dá cá. Nossa prioridade no show foi inserir a persona da Verônica, mineira de raiz e carioca da gema, nesse contexto de união entre a bossa, a balada e o balanço. Acho que meu olhar amoroso, já que somos grandes amigas, e de atriz deu o suporte necessário para o resultado final, opina Stella.

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‘O cara da bossa’

A parceria entre Menescal e Verônica vem de outras bossas. Diretor artístico da Polygram, ele contratou o grupo Céu da Boca, em que a cantora estreou, e viu nela um potencial para voo solo, tanto é que dirigiu ‘Metamorfose’, seu primeiro álbum. De lá para cá, os caminhos se entrecruzaram diversas vezes, nos palcos e nos cafés da vida. Ficamos amigos, e as participações em trabalhos um do outro foram surgindo naturalmente. Ela me chamou para conversar sobre o DVD, e, quando vimos, estava pronto em nossas cabeças, relembra o veterano, que participa de três números do show atual.

Para o cara da bossa-nova, que tem 75 anos e, na longa estrada musical, já assinou composições com outros ícones como Ronaldo Bôscoli, Nara Leão e Carlos Lyra, estar no palco com diferentes gerações é uma experiência singular. Sou de uma geração diferente da Verônica e dos músicos de 20 e poucos anos, mas não tenho muita noção dessa divisão quando estamos tocando. Faço questão de ter a idade que tenho e acho que é uma troca de experiências. No fim das contas, música é música, não tem idade.

Fazendo coro com Roberto Menescal, Verônica fala de outros diálogos com gerações passadas, determinantes para sua formação como artista. Além de escritor, papai também tocava bateria e piano. Já minha mãe era atriz do Cinema Novo. Minha casa era muito rica culturalmente, e meu convívio com eles e com as pessoas destes meios deu o estímulo para que eu fosse ouvindo, vendo e convivendo com arte de bom nível e bom gosto.

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BOSSA, BALANÇO E BALADA

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Gravação de DVD com Verônica Sabino e participações especiais de Milton Nascimento e Roberto Menescal

Abertura e fechamento: Vinil é Arte

Hoje, a partir das 20h

Cultural Bar

(Avenida Deusdedit Salgado 3955)

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