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Mostra de Tiradentes começa esta semana com tema da soberania imaginativa e homenagem a Karine Teles

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(Foto: Universo Produção/ Divulgação)

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Raquel Hallak reflete sobre Mostra de Tiradentes de 2026 (Foto: Universo Produção/ Divulgação)
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A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes começa nesta sexta-feira (23), dando início ao calendário de eventos do audiovisual brasileiro. Com uma programação inteiramente gratuita que vai até 31 de janeiro, o evento apresenta 137 filmes em pré-estreia, de 23 estados, distribuídos em mostras temáticas e competitivas. Neste ano, em um momento em que o cinema nacional tem destaque internacional com filmes como “Ainda estou aqui” e “O agente secreto”, o tema será “Soberania imaginativa”, e propõe um olhar sobre a autonomia criativa e a diversidade de vozes no cinema brasileiro. A mostra também faz uma homenagem à atriz, roteirista e diretora Karine Teles.

Como explica a coordenadora da Mostra de Tiradentes, Raquel Hallak, o tema foi escolhido como retrato do tempo atual. “A ideia é trazer essa reflexão para a gente pensar na palavra soberania, que voltou a organizar o debate público, mas mostrando que ela também diz respeito ao campo da cultura: um país sem imaginação é um país sem futuro”, explica ela. A ideia é que esse tema norteie os debates e as reflexões da Mostra, reunindo filmes que vão mostrar as possibilidades de liberdade de criação, com um cinema mais inventivo e mais arriscado, que muitas vezes não tem espaço no circuito mais comercial.

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Esse é justamente o papel que ela acredita que uma mostra de cinema deve ter: reunir produções que representam a diversidade da produção do Brasil e reconhecer a força criativa que faz parte deste momento atual. “O tema ilustra muito bem essa proposta de a gente apresentar que cinema é esse tão diverso, tão criativo e tão inventivo, que muitas vezes ainda é desconhecido do grande público”, diz. Exemplo disso foi a estreia de Kleber Mendonça Filho na Mostra Aurora, dentro do festival, com seu primeiro longa-metragem chamado “Crítico”, muito antes do sucesso de “O agente secreto”. “No discurso do Globo de Ouro, ele fala sobre a importância de olhar para jovens realizadores, e essa é uma mostra que reúne os jovens realizadores, não só pela idade, mas porque aposta no início de carreira. Acho que tem sido este o desafio nosso: acompanhar essas transformações mas sem perder a identidade do evento, que nasce com propósito de ser grande aliado do cinema brasileiro, oferecendo espaço de formação, reflexão, exibição e difusão, mas também um espaço de encontro, trocas e escuta”, destaca Raquel. 

Comandar uma mostra como essa há quase 30 anos permitiu que ela visse a trajetória de algumas estrelas: foi também o caso de Karine Teles, escolhida este ano como homenageada. “Estamos observando como a carreira dela foi se consolidando e como hoje ela é tão representativa dessa cena diversa, porque ao mesmo tempo dialoga com o cinema autoral e inventivo, mas também faz grandes produções que conversam com o público geral”, explica Raquel. Essa carreira eclética e a facilidade da atriz em transitar entre espaços e filmes tão diferentes como “Que horas ela volta?” “Riscado”, “Benzinho” e “Fala comigo” também foi destacada. 

(Foto: Universo Produção/ Divulgação)

Tiradentes como cidade do cinema

A Mostra de Cinema foi responsável por colocar Tiradentes sob as lentes e os olhos de boa parte do Brasil. Como afirma Raquel, quando a primeira edição foi realizada, em 1998, a cidade não fazia parte dos roteiros turísticos de agências tradicionais. “Este é o evento precursor da descoberta da vocação turística de Tiradentes”, afirma. E o evento e a mostra evoluíram juntas: se quando essa primeira edição foi realizada tinham 450 leitos disponíveis na cidade, hoje já são mais de 5 mil que são usados durante a Mostra.

Mas os desafios para seguir essa história continuam bastante concretos. “Todo ano temos o desafio de conseguirmos recurso para mantermos a qualidade, a infraestrutura e o tamanho da programação que estamos praticando. O modelo de financiamento é via lei de incentivo e por edição, então começamos todo ano do zero sem ter garantia de que teremos recurso para fazer”, diz. 

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Para debater o audiovisual

Enquanto o cinema brasileiro é visto, ele também é discutido pelo público. Raquel explica que o debate sobre o audiovisual passou a ser um dos protagonistas na mostra, tanto no sentido de discutir a temática de cada edição quanto as próprias políticas públicas do audiovisual. Neste ano, ela explica que a “Soberania imaginativa” irá suscitar conversas sobre “estética, narrativa, linguagem e os processos de criação”, enquanto o segundo aspecto irá abranger “formação, produção, exibição e pesquisa”. Entre os temas considerados mais urgentes por ela estão a regulamentação das plataformas de streaming, o fomento audiovisual e os arranjos regionais com a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a indústria audiovisual e a internacionalização.

Ao abrir o calendário audiovisual de 2026, ela também espera que a Mostra tenha uma edição que reafirme o próprio legado e contribua pra história do cinema brasileiro com maior clareza para a regulamentação das plataformas de streaming. “Estamos sediando um debate muito importante e vamos receber várias autoridades do legislativo, do judiciário e do executivo, mostrando essa transversalidade do audiovisual. Vai ser um espaço muito importante de encontro, escuta e troca.”

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