Ela conheceu os índios Maxacalis, na fronteira de Minas com a Bahia. Com apenas 25 anos, escreveu sobre a resistência da última tribo do estado que ainda não falava português. Ela se travestiu de dona Lourdes para encarar os “Desafios do envelhecimento”. Ela descortinou um dos maiores hospícios brasileiros, o Colônia, em Barbacena. Ela, também, se deparou com muitas “Vidas roubadas” e reconheceu os avanços do tratamento psiquiátrico contemporâneo no país. Ela adentrou um grande hospital para revelar um forte esquema de corrupção que desviou mais de R$ 18 milhões. Ela denunciou a conexão de um tradicional político da cidade com uma construtora, beneficiada em diversas licitações. Ao longo de sua carreira, Daniela Arbex e suas reportagens levaram três hospitais psiquiátricos ao fechamento, cinco advogados para a cadeia, ajudaram três policiais a serem condenados e dois vereadores a renunciarem. Para comemorar a trajetória superlativa, a repórter especial da Tribuna lança, nesta sexta-feira – dia em que comemora 20 anos de Tribuna -, seu site pessoal (www.danielaarbex.com.br), desenvolvido pela Tripé Criação.
Reconhecida em importantes prêmios, como o Esso de Jornalismo, o Imprensa Embratel, o IPYS e o Knight International Journalism Award, Daniela apresenta seus passos – os dados e os que virão – num portal que reúne biografia, produção de crônicas, grandes reportagens (como a do “Caso Koji”), informações sobre seus dois livros “Holocausto brasileiro” e “Cova 312”, além de um mapa mundi com as andanças da repórter. “Quando vi o mapa cheio de ícones, tive a noção de que foram 20 anos produtivos. É bonito olhar para trás e ver que minha trajetória é uma construção diária de muita dedicação”, pontua Daniela.
Formada em agosto de 1995, a repórter chegou à Tribuna alguns meses depois, e em 22 de janeiro do ano seguinte foi contratada. Três anos depois, foi finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, um dos mais respeitados do país. Além do percurso no jornalismo impresso, aclamado Brasil afora, por pesquisadores e público, o site que a jornalista lança reserva conteúdo especial para os leitores que a encontraram nas prateleiras das livrarias. Segundo lugar no prêmio Jabuti de 2014, na categoria livro-reportagem, com sua obra de estreia na literatura, Daniela já superou a marca de 160 mil exemplares vendidos de seus dois títulos.
Novos livros e mais filmes
Para a legião que se formou acerca de “Holocausto brasileiro”, Daniela Arbex apresenta, no site, a série original, publicada em 2011, e notas dos bastidores do documentário homônimo, com estreia prevista para março no canal fechado HBO. Gravado em Barbacena e Juiz de Fora, com direção de Armando Mendz e Daniela, que também assina o roteiro, a produção revisita a história que rendeu a ela o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na categoria livro-reportagem. Segundo a jornalista, uma nova negociação, para outro produto documental já está sendo feita, mas ainda em sigilo.
Há quase três anos de sua chegada ao mercado livreiro, Daniela anuncia um novo e largo passo: “Acabo de assinar um contrato de dez anos com uma grande editora brasileira, para a escrita de dois novos livros, a serem publicados nos próximos anos.” Escritora e repórter? Sim. “Os livros representam outra vertente de minha carreira e na qual tenho trabalhado com a segurança que o jornalismo diário me deu.” Em sua apresentação no site, que espera atualizar frequentemente, Daniela diz de um cotidiano para além das páginas dos jornais e dos livros: “Jornalista, escritora, documentarista e mãe coruja do Diego”. Na presença da internet, ela se faz por inteiro e em todas as suas facetas, revelando as marcas de seus passos.

