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Escritos recriados em vários tempos

arvores construidas em mdf compoem o espaco da mostra

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Árvores construídas em MDF compõem o espaço da mostra
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Árvores construídas em MDF compõem o espaço da mostra

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“Você cantaria as fábulas de La Fontaine?” Ao ouvir essa pergunta, o músico sul-mato-grossensse Luciano Oze pegou o violão e literalmente cantou “A galinha dos ovos de ouro”. O resultado agradou o curador de arte Enock Sacramento, mas era preciso conversar com o público da atualidade. “Quando o La Fontaine escreveu estes textos, a realidade era muito diferente, vivia-se num regime absolutista, e hoje estamos em uma democracia, sem contar que o francês da época era bem arcaico, diferente do que é falado hoje”, afirma o curador, que propôs ao músico recriar os escritos do famoso poeta. Curiosamente, o episódio remete a um outro ocorrido por volta de 1922, quando o marchand Ambroise Vollard solicitou a Marc Chagall que recriasse plasticamente as fábulas de La Fontaine. Conforme solicitado, o russo transformou em imagens cem narrativas, cujos personagens geralmente são animais. Desta quinta-feira até 21 de março, as obras dos três artistas estão dispostas lado a lado, no Espaço Cultural Correios, durante a exposição Marc Chagall, Fábulas de La Fontaine.

Pertencente à fundação italiana Art Camù, a mostra chega a Juiz de Fora aguçando o olhar do visitante, que se surpreende com a beleza das imagens, mas também com a disposição dos trabalhos de Chagall, confeccionados em água-forte, uma modalidade de gravura que é feita usando uma matriz de metal. A maioria das peças, que são originais e assinadas pelo artista, segundo Enock, ocupa as brancas paredes do salão de 270 metros quadrados e três metros de altura, iluminadas em led por Floriano Van Tol. Um detalhe que promete chamar atenção, principalmente, das crianças, está localizado no centro, onde cinco árvores construídas em MDF compõem o ambiente.

Quem parar diante de cada uma delas vai ter a oportunidade de ler uma fábula de La Fontaine, apreciar um trabalho de Chagall e ouvir o áudio da canção de Luciano. A caixa de som vai ser acionada através de um sensor de presença. “Foi a primeira vez que musiquei fábulas e pretendo continuar, pois deu muito certo”, confidencia ele, planejando, no futuro, lançar um CD com as dez canções já compostas. Aliás, Luciano faz questão de ressaltar que as músicas são todas autorais. “Mantive a mesma estrutura de rimas, com uma moral no final, e bichos como personagens, mas é um texto meu.” Cada áudio tem cerca de três minutos.

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Interatividade

Ainda dentro desta proposta interativa, o público poderá escolher a fábula preferida e levar uma cópia para casa. “Como a gente imagina que os animais vivem em floresta e, em várias fábulas, eles estão em cima de árvores, achamos pertinente levar isso para a exposição”, comenta o curador. A mostra apresenta expografia dividida por nove grupos com dez obras de mesmo contexto e mais um grupo de sete obras de contextos similares. Na entrada, está uma sequência composta por “O galo e a pérola”, “Os dois pombos”, “Os dois galos”, “Os dois papagaios” e “O rei e o seu filho”, todas datadas de 1952. Foi neste ano que o conjunto foi editado. “Mediante utilização sensível de claros e escuros e concentrando-se no espírito central das narrativas alegóricas, Chagall criou um conjunto significativo de águas-fortes que projeta a fina ironia dos textos de La Fontaine. As ilustrações refletem o fascínio que os animais – cabras, galinhas, vacas – exerceram sobre a criança que foi Chagall em Vitebsk, na Bielorrússia”, escreveu o curador em texto de apresentação.

De acordo com Ana Lúcia Ribeiro Magalhães, gestora do Espaço Cultural Correios, a expectativa é que o público de “Marc Chagal, Fábulas de Lá Fontaine” ultrapasse o número de visitantes da última mostra exposta no local – “Os geraes de Minas” -, que atraiu 3.979 pessoas. “É uma exposição internacional que merece ser vista”, afirmou ela, destacando que, antes de Juiz de Fora, os trabalhos só foram exibidos em Brasília.

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Por que Chagall?

Enock conta que ter o trabalho de um francês ilustrado por um russo era visto, no século XX, como um sacrilégio pela crítica, o que prontamente foi rebatido pelo marchand. “O que! La Fontaine por acaso não foi buscar suas fábulas em Esopo, que não é latino, que eu saiba?”, rebateu Vollard, falecido em 1939. “A escolha do artista foi uma opção pessoal de Vollard, porém certa. Ele deu uma contribuição para a arte e para Chagall, que se aprofundou na gravura”, afirma o curador, ressaltando que as ilustrações das fábulas foram o segundo trabalho deste tipo feito pelo artista. Pintor, ceramista, gravador e vitralista surrealista nascido em 1887, Marc Chagall aprendeu a técnica da gravura em metal em 1922 na Alemanha, com um gravador de origem judaica, partindo para a primeira série no gênero nos dois anos seguintes. Sua primeira experiência foi ilustrar, utilizando também a técnica de água forte e ponta seca, o livro “As almas mortas”, de Gogol. “As fábulas já tinham sido ilustradas por outros grandes artistas, mas ele achou que Chagall era uma pessoa de qualidades excepcionais”, sentencia Enock, também destacando o caráter educativo das fábulas de La Fontaine. “São histórias aparentemente infanto-juvenis, mas que servem para todo mundo. Elas têm sempre uma moral, por isso, são tão usadas na educação infantil.”

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MARC CHAGALL, FÁBULAS DE LA FONTAINE

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Abertura nesta quinta, às 19h.

Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, sábados, das 10h às 14h

Espaço Cultural Correios

(Rua Marechal Deodoro 470 – Centro)

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