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Cinco artistas ganham videoclipes pela Lei Murilo Mendes

mc oldi e davi ferreira do subefeito participam do projeto que envolve artistas de diversos estilos

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MC Oldi e Davi Ferreira, do Subefeito, participam do projeto que envolve artistas de diversos estilos

MC Oldi e Davi Ferreira, do Subefeito, participam do projeto que envolve artistas de diversos estilos

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“O blues do cangaço”, de Crís Carcará, teve cenas gravadas em Rio Preto

Nem tudo que se quer se alcança, mas há momentos em que o “unidos venceremos” ou o “os músicos, unidos, jamais serão vencidos” faz todo o sentido. Em Juiz de Fora, um projeto apresentado pelo músico Davi Ferreira, do grupo punk Subefeito, para a Lei Murilo Mendes, resultou na gravação de videoclipes para artistas locais de diversos estilos, passando por rock, metal, blues e rap, que serão usados para divulgação na imprensa, nas redes sociais e na televisão. Parte do resultado dessa empreitada pode ser conferida já neste domingo, no CCBM, quando serão lançados os videoclipes de Crís Carcará (blues, com “O blues do cangaço”), MC Oldi (rap, com “Baile mórbido”) e Holokausto Social (punk, com a música que dá nome ao grupo). Os três, mais o Subefeito, também vão se apresentar ao vivo no evento. A única banda que ficará de fora, por questões de agenda, é a Kymera.

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Idealizador do projeto e diretor dos vídeos, Davi conta que a coletânea surgiu da observação do cenário local, com artistas de qualidade mas que, muitas vezes, não tinham condições de produzir um videoclipe. “A música, hoje, é muito audiovisual, há uma demanda para esse tipo de trabalho”, defende. “O vídeo é importante para divulgação. Procuramos nos eventos gente que tivesse a ver com o espírito underground. Nada contra quem faz um trabalho mais comercial, mas queríamos algo ligado à arte.”

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Com esse objetivo em mente, foram convidados os artistas que participam da coletânea. Cada um escolheu uma música e conversou com Davi sobre quais temas tratavam. Aí, foi a vez de ouvir as canções e elaborar um roteiro para cada uma. “As ideias foram apresentadas, e Crís Carcará e o Holokausto foram aprovados no ato. Os outros passaram por alguns ajustes. As gravações começaram em julho, parte delas no próprio CCBM”, diz.

No caso de “O blues do cangaço”, foram feitas várias cenas externas em Rio Preto; “Holokausto social”, por sua vez, reúne cenas de protestos realizados durante o período da Copa do Mundo e também no ano passado, incluindo manifestações em Juiz de Fora. As imagens utilizadas foram aquelas registradas por grupos de mídia independente como os coletivos Tatu e Mariachi. Em “Baile mórbido”, o CCBM foi cenário escolhido para a conceitual “dança da vida numa esquina com a morte”.

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Para MC Oldi, criador do evento “Encontro de MCs”, o resultado foi mais que satisfatório. “Conheci o projeto em 2013 e achei ‘massa’, por ser uma iniciativa que junta vários artistas diferentes. É o meu segundo videoclipe, e caiu como uma luva porque estou lançando meu CD. O resultado ficou bem melhor que o do meu primeiro vídeo, a estrutura era bem maior, e ele tem uma temática visual bem diferente do que se costuma ver no rap, é mais conceitual, reflete a mensagem da letra”, diz o rapper, acrescentando que “Baile mórbido” já teve mais de duas mil visualizações. “É um trabalho que vamos construindo aos poucos. O rap feito em Minas Gerais ainda encontra dificuldades para conseguir espaço.”

Fábio Viana, baixista do Holokausto Social, lembra que o vídeo feito a ser exibido no CCBM é o primeiro do grupo. “Nós tínhamos essa nossa música gravada quando o Davi apresentou o projeto, foi a fome com a vontade de comer. Não havíamos passado pela experiência (de gravar um videoclipe), e foi diferente. Fingir umas 50 vezes que estávamos tocando a mesma música. O roteiro estava dentro do que imaginávamos, e ainda tudo o que a gente queria dizer foi lapidado, que vivemos numa aparente calmaria quando, na verdade vivemos uma situação terrível, seja no Brasil ou no resto do mundo.” Para ele, ter o clipe no YouTube será excelente para divulgar o trabalho do grupo, que já começou a gravar com Davi um novo videoclipe, “Vote nulo”.

Dividindo para somar

Para ter um melhor resultado na empreitada, desde o início Davi estava convicto em um ponto: não investir o dinheiro repassado pela Lei na prensagem de DVDs, deixando a divulgação dos trabalhos por meio da internet, além de tentar colocar os trabalhos para veiculação na TV. Segundo ele, isso permitiu uma melhor produção dos filmes musicais e também oferecer um legado físico para outros artistas locais. “Resolvemos comprar parte do equipamento ao invés de alugar, e os equipamentos de iluminação digital (incluindo uma mesa de 24 canais) que compramos foram doados para o CCBM, uma contrapartida também pelo fato de eles terem nos cedido o teatro para as gravações. É algo que poderá ser usado por todo mundo”, destaca Davi.

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Outro ponto importante para os realizadores da coletânea era deixar de lado o esquema de “amizade 0800”, em que o pessoal envolvido em gravações, produção etc. participasse do esquema de forma totalmente voluntária. “Nós pagamos um cachê, mesmo que simbólico, para os atores, para o pessoal da produção e direção de arte, era um pessoal que estava disposto a trabalhar. Investimos também no aluguel e compra de alguns equipamentos. De voluntário, só quem participou do baile no clipe do MC Oldi”, afirma Davi Ferreira.

Além de trabalhar na divulgação dos trabalhos já prontos, o objetivo é terminar os dois que faltam, do Kymera e do próprio Subefeito. “Nosso vídeo (‘Reptilianos’) demorou para ficar pronto, porque resolvemos fazer uma animação, e isso dá muito trabalho. O Alexy Corvin, responsável pela animação está fazendo um trabalho sensacional. Esperamos que fique pronto até março ou abril. Talvez a gente lance um outro vídeo ainda antes”, encerra Davi.

 

COLETÂNEA AUDIOVISUAL

Neste domingo, às 17h, no CCBM (Avenida Presidente Vargas 200)

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