
Marina Colassanti ganha com a obra “Breve história de um pequeno amor”
Laurentino Gomes vence Livro do Ano pela terceira vez
A cerimônia de entrega do 56º Prêmio Jabuti, que aconteceu na última terça, no no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, celebrou dois veteranos da literatura nacional. De um lado, coroou a trajetória da jornalista e escritora ítalo-brasileira Marina Colassanti, com seu “Breve história de um pequeno amor” (Editora FTD), vencedor na categoria infantil. De outro, celebrou o capítulo final da vitoriosa trilogia do século XIX de Laurentino Gomes, com seu “1889” (Globo Livros).
Este ano, o prêmio passou a contar com a curadoria da escritora e professora Marisa Lajolo, que substituiu José Luiz Goldfarb, curador entre 1991 e 2013. “Ele desempenhou papel importante para o desenvolvimento do Jabuti e realizou um excelente trabalho ao longo desses 22 anos”, destacou Karine Pansa, presidente da entidade, durante a solenidade. Em 2014, o prêmio também recebeu um número maior de inscrições em relação ao ano passado, de Norte a Sul do Brasil, fortalecendo seu caráter nacional. “Além disso, mostrou toda a sua diversidade, tanto no tocante às obras concorrentes, quanto à participação das editoras, que, independentemente de seu porte, mostraram a qualidade da produção editorial do país”, ressaltou Karine.
Anunciado no evento, o prêmio Amiga do Livro 2014 foi destinado à Tania Rösing, idealizadora da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, que estimula o trabalho de leitura feito pelas escolas e bibliotecas com a visita de escritores. Graduada em pedagogia e letras, ela é doutora em teoria literária e faz parte do Conselho Diretivo do Plano Nacional do Livro e da Leitura.
Daniela Arbex recebe troféu
Premiada com o segundo lugar no Jabuti desse ano, na categoria livro-reportagem, Daniela Arbex e seu “Holocausto brasileiro” recebeu seu troféu na última terça. Essa é a primeira vez que um juiz-forano recebe o título nas categorias literárias. O primeiro lugar em livro-reportagem, “1889”, rendeu a Laurentino Gomes o terceiro prêmio de livro do ano de não-ficção. Anteriormente, ele havia conquistado com as obras “1808” e “1822”. “É preciso saber o que ocorreu no Estado Novo, de Getúlio Vargas, e no regime militar, ter consciência de que pessoas foram presas e torturadas. Tal conhecimento é relevante neste momento em que há muita intolerância no país e em que se veem pessoas jovens pregando golpe militar e manifestações em prol de medidas radicais e de exceção”, destacou o escritor ao subir no palco.
Para Marina Colassanti, o fato de o livro do ano de ficção ter ido para uma obra infantil demonstra um avanço. “Isso é importante, pois a literatura infantojuvenil é decisiva para se criar novas gerações de leitores”, pontuou durante sua fala. O que tem se mostrado regra, de o melhor livro ficcional ser entregue a um romance ou obra de contas, tornou-se uma das maiores surpresas da noite, com o troféu entregue a Marina, autora de grande coerência e com extensa carreira.

