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‘Quanto menos classificável, mais interessante um trabalho é’

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No ano de 2009, quando o guitarrista da banda The Police, Andy Summers, sugeriu fazer um disco com Fernanda Takai, ela imaginou que faria uma participação especial. Cantaria duas ou três canções e mais nada. Estava, porém, enganada. O inglês havia composto um álbum inteiro para a voz da amapaense radicada em Belo Horizonte. Batizado de "Fundamental", o fruto da parceria já está nas lojas brasileiras, norte-americanas e japonesas. A turnê de divulgação deve se iniciar em outubro.

O disco traz 11 músicas inéditas sempre com Andy Summers na guitarra ou violão e Takai nos vocais. Após o lançamento, em agosto, os dois passaram a dividir os palcos rasileiros, americanos e nipônicos. Por conta dos compromissos dos dois artistas, a turnê se dividirá em etapas, com blocos de shows neste e no próximo ano.

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Neste sábado, o palco deles é o Cultural Bar, a partir das 23h. Summers e Fernanda seguem acompanhados pelos músicos Marcos Suzano (percussão), João Hermeto (bateria), João Baptista (baixo), Beto Lopes (guitarra) e Mariá Portugal (backing vocal).

 

 

Tribuna – Como surgiu a parceria entre você e Andy Summers?

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Fernanda Takai – A gente se conheceu em 2009, quando Andy estava fazendo um documentário sobre a influência da bossa-nova na vida musical dele. Roberto Menescal disse que ele precisava conhecer a minha voz e me convidou para cantar com eles num fim de tarde lá no Rio de Janeiro. Acontece que essa foi a sua parte preferida entre tantos outros encontros. Mais de um ano depois, ele me mandou um e-mail contando que havia escrito várias canções pensando na minha voz. Resolvemos, então, assinar um álbum inteiro juntos.

 

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– O álbum tem sido frequentemente descrito pela imprensa como um disco pop que flerta com a bossa-nova. Você concorda com essa definição?

– É sempre muito difícil restringir musicalmente um disco assim. Há canções bem bossa-nova e outras mais pop, jazz, soft-baião. Gosto de pensar que quanto menos classificável, mais interessante um trabalho é. Eu e Andy temos em nossas respectivas bandas um acento pop e rock, mas acho que ouvimos fontes bem variadas ao longo da nossa vida.

 

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– "Fundamental" tem canções em inglês e português. O que a particularidade de cada língua trouxe para o álbum?

– Escolhi fazer versões em português daquelas músicas que me pareciam mais confortáveis para esse processo, que é manter o sentido original, mas usar dos recursos poéticos e imagéticos de nosso idioma. Como a música brasileira foi tão importante na formação artística minha e também do Andy, fazia todo sentido ter as duas línguas no álbum. Já no Japão, saiu até uma versão em japonês da faixa-título.

 

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– Qual é a diferença da sua identidade com o Pato Fu e em carreira solo?

– No meu trabalho solo, eu acabo sendo mais intérprete de composições de outras épocas e em outros contextos. E mesmo neste disco com Andy, apesar de eu ter escrito algumas versões, minha principal função é apresentar pela primeira vez essas canções ao público. De tudo o que faço, o que gosto mais é cantar. As minhas composições próprias acabo deixando para lançar nos discos do Pato Fu.

 

– Muitas bandas aproveitam datas comemorativas para reviver a carreira. Agora que o Pato Fu está fazendo 20 anos, algo assim está nos planos?

– Nosso plano imediato é gravar um disco de músicas inéditas, que será lançado no ano que vem. Será nosso 12º álbum. Nesses anos todos, nunca paramos. Apenas tive uma licença-maternidade mais longa em 2003. No ano passado, nosso projeto mais recente, "Música de brinquedo", foi vitorioso em vários sentidos: ganhamos disco de ouro e um Grammy Latino, sendo completamente independentes. Só posso dizer que o trabalho com o Pato Fu tem sido muito bom.

 

ANDY SUMMERS

e FERNANDA TAKAI

 

Hoje, às 23h

 

Cultural Bar

(Av. Deusdedit Salgado 3.955)

3231-3388

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