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Belos traços

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A 22ª tela de uma série de 25 estava sendo finalizada quando José Bello da Silva despediu-se da arte, em junho do último ano, aos 55 anos. Embora diferentes daqueles das charges que estamparam diariamente a Tribuna durante 25 anos, os traços trazem a força e o humor característicos do artista. Em homenagem ao projeto, que comemoraria as bodas de prata do chargista no jornal, as pinturas inéditas integram a exposição "Duas vezes Bello", aberta hoje, às 20h. Os quadros feitos em óleo sobre tela, que apresentam outra faceta do artista, ficarão expostos nas galerias Celina Bracher e Heitor de Alencar, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). Serão exibidas, ainda, cerca de 35 charges assinadas por Bello, todas publicadas nas páginas da Tribuna.

A ideia de levar ao público o projeto surgiu na redação a qual o chargista frequentou por mais de duas décadas, em parceria com a Funalfa e a família de Bello. "Suas charges eram a porta de entrada dos leitores, que viam nelas a crítica fina, elegante, bem-humorada, mas ferina quando se fazia necessário", escreve o editor-geral da Tribuna, Paulo César Magella, em texto elaborado para a mostra. "Se submetido ao crivo científico, certamente terá nota 10, mas é pelo olhar leigo que nos cativa, pois a compreensão vem rápida, objetiva e pronta para ser degustada em qualquer roda de discussão", avalia. O time do coração, o Flamengo, bem como a música, duas outras paixões do artista, ganham destaque entre os temas abordados por Bello, que contabiliza mais de dez mil obras publicadas.

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"Estamos muito orgulhosos e felizes em poder realizar um sonho recente dele", destaca a filha Nicolle, que herdou do pai o gosto pelo desenho. A tela inacabada, que retrata pipas ao vento, iniciada pelo artista no dia de seu falecimento, será guardada por Nicolle, assim como algumas das obras significativas à família. As demais telas serão colocadas à venda. "Duas vezes Bello" surge como a primeira forma de dar continuidade ao trabalho do artista que viveu da arte de tocar as pessoas a partir do humor e da reflexão.

 

 

Raízes juiz-foranas

"Aqui conviveu um pássaro que nunca voou muito alto e nem precisou sair do ninho para ser feliz." A homenagem dos amigos do bar frequentado diariamente por Bello está impressa em uma placa, fixada ao lado da mesa de número 1, na qual o chargista se apoiava para rascunhar suas inspirações já pela manhã, no Bar Cascatinha. "Era a mesa na qual ele se sentava todos os dias e desenhava todos os colegas", relembra Fabiana Carello, nora do proprietário do estabelecimento.

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Outro ponto de parada obrigatório, sobretudo nas tardes de sábado, tem em suas paredes a marca do chargista. Um painel produzido por Bello, composto por caricaturas da turma assídua aos encontros, ganha destaque na parede do Bar do Bené. "Poucos meses antes de falecer, o Bello entregou esse presente", conta a proprietária e filha daquele que dá nome ao bar, Mary Rezende Tostes. A entrega foi realizada em um jantar, com direito a discurso e whisky, conforme conta Mary. "Ele ficou muito emocionado", lembra.

Segundo a viúva do artista Eliana Rezende, não foram poucas as vezes que o chargista ouviu conselhos para que se mudasse para um grande centro, onde poderia explorar seus talentos. "Mas a raiz dele estava aqui", constata Eliana."As amizades eram as grandes paixões da vida dele, e ele dava muito valor a elas", conclui.

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DUAS VEZES BELLO

 

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Abertura da exposição nesta quinta, às 20h. De terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 16h. Até 14 de outubro

 

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas

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(Avenida Getúlio Vargas 200)

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