A construção da memória pode se dar por meio de diferentes mananciais. Documentos, costumes, relatos orais e a própria paisagem urbana confluem para a formação da identidade local. Essas diferentes instâncias da cultura serão discutidas no III Seminário Memória: Patrimônio, Oralidade e Acervo, promovido a partir de hoje pela Funalfa no Instituto Metodista Granbery. Durante quatro dias, o evento receberá especialistas de diferentes regiões do país, que discutirão meios de preservação e divulgação do patrimônio, como os registros audiovisuais, a utilização de ferramentas tecnológicas e o investimento no turismo.
O seminário será aberto às 20h, com pronunciamento do prefeito Custódio Mattos e do superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, além de apresentação do Coral da Funalfa. Em seguida, a professora da Faculdade de Educação da UFJF, Carina Martins Costa, profere a palestra inaugural.
A partir de amanhã, tem início a oficina Conservação preventiva do acervo fotográfico, ministrada pela professora Jussara Vitória de Freitas, da Escola de Belas Artes da UFMG. As atividades acontecem no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), das 13h às 18h. As participação é gratuita, mas as vagas são limitadas.
História em plena voz
À frente do Laboratório de História Oral da Universidade Federal Fluminense (UFF), a professora Hebe Mattos fala, na quarta, sobre sua experiência no registro audiovisual de narrativas e tradições orais de descendentes de escravos no Rio de Janeiro. São relatos do passado, que têm um grande impacto no presente, comenta a pesquisadora. O trabalho mais recente, realizado na região litorânea do estado, resultou no documentário Passados presentes, que será lançado em novembro. Através das histórias que se propagaram entre as gerações, surgem indícios de fatos que deixaram poucos registros nos meios oficiais, caso dos locais onde eram desembarcados os cativos trazidos ao país por traficantes negreiros.
