
Glória Pires lamenta o desperdício de vida da sua personagem em ‘Linda de morrer’
E o cinema brasileiro segue apostando na comédia rasteira e descartável que rende bilheteria para quem produz, mas logo esquecida pelo público. Com a cota de atores globais devidamente preenchida, “Linda de morrer” é o filme da vez a copiar despudoradamente algum produto made in USA – desta vez, pegando pedaços generosos do que foi usado no meloso “Ghost – Do outro lado da vida”, de 1990, em que o personagem de Patrick Swayze conta com a ajuda de Whoopi Goldberg para impedir que sua amada Demi Moore seja assassinada.
Com direção de Cris D’Amato (“S.O.S. – Mulheres ao mar”), “Linda de morrer” muda apenas o enfoque da trama para o mundo da vaidade e aplica aquela lição de moral para quem corre atrás de soluções fáceis para manter o corpo de 30, 40, 50 anos com aparência eterna de 18. A protagonista da história é a cirurgiã plástica Paula (Glória Pires, de volta às comédias e que atua ao lado da filha, Antonia Morais), que descobre uma fórmula milagrosa para acabar com a celulite. Antes do lançamento do tal remédio – chamado (adivinha?) Milagra -, Paula resolve experimentar o medicamento, tem um surto e morre na hora, pois o seu inescrupuloso sócio na empresa (Antônio Paes Leme) utilizou uma substância de qualidade duvidosa na fabricação do produto.
Como a alma da cirurgiã ficou presa neste mundo, ela é informada por uma mãe de santo que também passou desta para melhor (Susana Vieira fazendo a única coisa que sabe fazer: ser Susana Vieira), que ainda tem uma missão: impedir que o produto seja lançado no mercado. Para isso, ela terá a ajuda do neto da mãe de santo (Emilio Dantas), que herda os dons da avó mesmo que a contragosto.
No geral, “Linda de morrer” é mais um filme que, assim como “Loucas pra casar”, investe nos clichês mais preconceituosos que existem em relação às mulheres para tentar fazer o público rir. Por isso, quem for ao cinema pode se preparar para ver a gordinha que abandona a malhação após descobrir a existência do Milagra; moças enlouquecidas nas lojas pelo remédio; e mulheres agindo como se tivessem passando pela maior TPM de todos os tempos após consumir os tais comprimidos milagrosos.
O cinema nacional, Glória Pires e – principalmente – as mulheres merecem coisa melhor.
LINDA DE MORRER
UCI 4: 13h20, 15h10, 17h, 18h50, 20h40 e 22h30. Cinemais 1: 15h, 17h10, 19h30 e 21h40. Santa Cruz 1: 17h15, 19h15 e 21h15
Classificação:
12 anos

