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Da ‘Sonata’ às ‘Bachianas’ CAMERATA DE VIOLÕES

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Antigo e moderno se misturam no concerto que a Camerata de Violões do Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro traz para a cidade, nesta sexta, às 20h30, na Igreja do Rosário. O repertório foi especialmente preparado para o 23º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Inicialmente o conjunto apresenta o estilo barroco de Johann Sebastian Bach. Uma composição que, originalmente, foi composta para um concerto de violino – Da Sonata BWV 1003- ganha novos arranjos no violão do solista Paulo Pedrassoli. Em seguida, o convidado especial Luiz Carlos Barbieri, com os oito integrantes da Orquestra, executa Concerto BWV 1041, com arranjos de José Francisco Dias da Cruz.

Para finalizar, entra em cena Heitor Villa-Lobos. As Bachianas Brasileiras n.1 – composta pelo brasileiro em homenagem a Bach – recebe novas interpretações por meio das 48 cordas do conjunto. Segundo Paulo Pedrassoli, na execução da obra, evidencia-se o diálogo entre os dois compositores. Na visão dele, forma-se o entrelaçamento da inspiração e da técnica de Bach com a criatividade de Villa-Lobos e sua bagagem de melodias e harmonias brasileiras. O primeiro movimento das Bachianas é chamado de embolada, ritmo nordestino. Os cantadores cantam muito rápido, improvisando e desafiando. O segundo é uma modinha muito linda. Já o terceiro é uma fuga chamada de conversa, forma muito utilizada por Bach. No entanto, na fuga villalobiana, o ritmo é brasileiro, todo sincopado, diz Pedrassoli, diretor musical da Camerata. O roteiro, segundo ele, faz homenagem a dois grandes gênios da música e se adéqua à proposta do festival.

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Além de Paulo Pedrassoli, Gaetano Galifi, Eduardo Gatto, Fabio Nin, Walmir de Oliveira, Rogério Borda, Artur Gouvêa e Adriano Furtado integram a Camerata. Há 16 anos no cenário musical, o grupo, que adotou somente o violão como instrumento, surgiu com o objetivo de explorar as sonoridades e as técnicas diferenciadas que cada um dos componentes possuem.

Apesar de trazer um repertório clássico para a apresentação de hoje, no dia a dia, a Camerata apresenta um estilo variado e eclético. Alguns integrantes possuem formações que esbarram no popular, dando ao trabalho autoral do grupo um sotaque brasileiro. Procuramos somar experiências, principalmente, pela cultura musical que cada um tem e traz para o trabalho. O guitarrista e compositor Rogério Borba, por exemplo, tem formação em jazz. Gaetano Galifi, que também foi um guitarrista elétrico, do grupo Los Gatos, que fez muito sucesso na Argentina na década de 70, traz sua experiência musical dos ritmos sul-americanos, do folclore e da cultura argentina. Isso reflete no nosso trabalho, observa Pedrassoli.

Fiel às partituras, o grupo faz releitura somente da sonoridade, com adaptações necessárias para o instrumento utilizado. Não abrasileiramos nada. Mas não tem como um brasileiro tocar igual a um alemão, por exemplo. É algo natural, não é de propósito. A gente adapta as músicas ao universo dos violões, e isso, também, já muda o timbre. As composições do Rogério Borda abrem espaço para improvisação.

A Camerata recebeu elogios da crítica especializada nacional e internacional, desde o primeiro CD (2001) . Com o segundo álbum, gravado pela Biscoito Fino, o grupo foi pré-indicado ao Grammy Latino.

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Hoje, às 20h30

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Igreja do Rosário

(Rua Santos Dumont 215 – Granbery)

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