Trazendo no encalço 22 anos de experiência, o Centro Cultural Pró-Música promove o primeiro Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga após a incorporação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A parceria reforça o viés acadêmico do evento, que, entre os dias 15 e 29 de julho, leva para teatros e ruas sua 23ª edição. "Teremos o 9º Encontro de Musicologia, que é bienal e deveria ter ocorrido em 2011. Mas nós resolvemos aguardar a presença da UFJF", explica o vice-presidente Júlio César de Sousa Santos. De acordo com ele, pesquisadores convidados e inscritos, alguns do exterior, participarão do encontro, tido como o maior do gênero no Brasil.
Uma novidade deste ano é a utilização da Concha Acústica da Praça Cívica da UFJF. Conforme adianta Júlio César, a abertura do festival, com a Orquestra Ouro Preto, acontece no campus, às 18h, aproveitando as belas noites de inverno. No encerramento, uma apresentação da Orquestra de Jazz do Pró-Música será promovida na concha, às 10h. Já a Orquestra Filarmônica de Minas Gerias, sob a regência de Fabio Mechetti, oferece um concerto no Central, às 20h30. Ainda com o intuito de intensificar o conteúdo teórico, será realizado master class internacional de música antiga com integrantes do Ricercar Consort, conjunto instrumental belga fundado em 1980, além de palestras ministradas por diferentes mestres.
A plateia não fica de fora dessas discussões. Um bate-papo comandado pelo professor de história da música Rodolfo Valverde antecede os concertos noturnos, com comentários sobre as atrações e os programas. Segundo Júlio César, para comemorar esta primeira edição como núcleo da universidade, o Pró-Música – que continua capitaneando a empreitada – selecionou nomes de peso para sua programação cultural. Além do grupo belga, outra visita internacional é o conjunto espanhol More Hispano. Em seu site oficial, ele se define: "More Hispano não apenas interpreta, cria. E não no papel, mas no palco. Diante do público".
Mais de 30 concertos gratuitos, vespertinos e noturnos, espalham-se pela cidade. O pianista carioca Arnaldo Cohen, que já realizou mais de duas mil apresentações por vários países, se apresentará no dia 17, às 20h30, no Cine-Theatro Central. O violonista gaúcho Yamandu Costa, referência mundial na interpretação da música brasileira, é atração do Central no dia 25, às 20h30, ao lado do instrumentista Luis Leite. Outro ponto alto é a Orquestra Barroca do Festival, formada por músicos de consolidada carreira internacional, que faz mais um registro em CD no dia 16, às 20h30, também no Central. Na opinião do paulistano Guilherme de Camargo, professor de alaúde, o festival está consolidado no cenário nacional da música erudita em geral e no da música antiga em particular. "O fato de a Orquestra Barroca gravar um álbum a cada ano mostra como o projeto se recicla, está sempre com novas perspectivas."
Procura imediata
Camargo é um dos 48 professores convocados para o evento, num universo de 36 cursos nas áreas de cordas, sopros, orquestras, vozes e didática da musicalização. Ao todo, são 700 vagas oferecidas para estudantes de todo o Brasil. "Já no primeiro dia, tivemos cerca de 150 inscritos. Essa procura imediata faz parte da história do festival. As inscrições ficam abertas enquanto durarem as vagas. Todas são aproveitadas", comenta o vice-presidente Júlio César de Sousa Santos. Com o maior departamento de música antiga do país, a proposta traz oficinas de traverso, viola da gamba, violino, violoncelo, cravo, canto barroco, além de instrumentos modernos, prática de orquestras e didática da musicalização infantil. Os interessados em se candidatar devem acessar www.promusica.org.br. A programação completa também está disponível no site.
Segundo Guilherme de Camargo, o ambiente do curso de férias é ideal para quem busca experiências diversas. "Esse é o diferencial desse tipo de proposta. O fato de termos alunos de variados níveis contribui para o desenvolvimento do trabalho." Professores da cidade também ministram oficinas, o que, conforme Júlio César, comprova a relação do evento com o território onde está inserido. "Nós priorizamos o que há disponível aqui", garante o vice-presidente, atestando que a iniciativa sempre foi abraçada pelo juiz-forano. Essa 23ª edição é também a primeira sem a presença de um dos fundadores do Pró-Música, Hermínio de Sousa Santos, falecido em maio.
