A artista, atleta e professora de pole dance Jéssica Martins conquistou o segundo lugar na categoria semi-profissional da competição de pole dance sensual Extasia Show, realizada em Campinas no último domingo (17). Apesar de já ter se apresentado em cidades como Rio de Janeiro e Porto Alegre, essa foi a estreia de Jéssica na categoria semi-profissional.
A atleta destaca que sua preparação envolveu treinos de musculação, pilates e flexibilidade e estudos sobre expressividade, presença cênica, musicalidade e intenção. Ela contou com uma equipe composta por uma fisioterapeuta e por uma personal trainner, que contribuíram para atingir o preparo físico adequado à performance apresentada na competição, e uma consultora coreográfica, que a incentivou a trabalhar a expressividade e a presença de palco para sua apresentação.
“Representar Juiz de Fora nesta competição foi realmente muito especial, muito gratificante. Tinham outras instrutoras e competidoras que estavam na minha categoria e em outras categorias que também são de Minas, mas de Juiz de Fora eu fui a única representante e ainda consegui alcançar um lugar no pódio, foi realmente muito especial”, destaca Jéssica.
Entre a arte e os julgamentos
Ela compartilha que despertou seu interesse pelo esporte enquanto trabalhava com carteira assinada e percebeu que precisava abandonar o sedentarismo. Por influência de duas amigas que já praticavam o pole dance, em 2017 decidiu participar de uma aula experimental e nunca mais parou. “Eu queria uma atividade física que fosse desafiadora e mais exclusiva, com um número de alunos reduzidos”, relembra.
Mas se engana quem acredita que Jéssica não reconhece os preconceitos que permeiam a prática do pole dance. A professora destaca que a origem do esporte remete aos clubes de strip e foi disseminado por bailarinas e dançarinas de boate que começaram a desenvolver acrobacias na barra e ensinar para mulheres que se identificavam com a modalidade. Para ela, os estigmas relacionados a essa história ainda não foram superados.
“O pole dance tem uma característica de ser muito mais disseminado entre mulheres, então esse preconceito também tem a ver com o machismo estrutural, que coloca que as mulheres não podem se expor, que são vulgares por mostrarem o corpo ou fazerem alguma arte performática”, propõe. Mas, para a artista, o pole dance é diverso e cada pessoa pode se identificar mais com determinados formatos – sejam eles mais voltados aos esportes e às acrobacias ou à dança e à sensualidade.
A professora destaca também a importância do esporte para reforço da autoestima “O sentimento que vai se nutrindo é de que eu posso mais, eu posso ir além, eu consigo, ou mesmo que eu não consiga agora, eu vou praticando, vou refinando a parte técnica e eu consigo alcançar coisas extraordinárias”, orgulha-se.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy
