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A fonte de saber está em todos os lugares

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A Europa está em crise. Econômica, principalmente. Mas para o sociólogo francês Michel Maffesoli e professor da Université de Paris – Sorbonne, que ministrou palestra na UFJF na última segunda e participou de uma entrevista com acadêmicos e imprensa na manhã de terça, o momento não é de caos somente financeiro. Para ele, a crise está em todos os setores. Entretanto não é algo apocalíptico. Não tenho medo da crise. É neste momento que as coisas se revigoram.

Um dos setores que está em crise é a forma como se configura a educação. Segundo ele, as universidades mundiais deveriam ter uma postura mais ativa em relação à sociedade. Em 2008, o professor atuou no Ministério da Educação francês e desenvolveu um projeto ao lado da então chefe do ministério, Valérie Pécresse, para que as instituições de ensino sejam mais proativas. As universidades estão acostumadas a receber ajuda dos governos enquanto deveriam se integrar à sociedade, ter ajuda das empresas e comunidades. A crise nas universidades está neste modelo vertical ao qual estamos acostumados.

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Como bom exemplo, citou a experiência de cursos e projetos de extensão coordenados no Brasil. Esses projetos provam que existe uma participação e preocupação com a comunidade na qual a universidade está inserida. Para ele é hora de uma mudança na forma como a educação é vista no mundo. Ao invés de uma visão de somente iniciação do estudante, o sistema educacional deve pensar em acompanhamento do estudante. Antes a fonte de saber estava só na sala de aula. Hoje está em todos os lugares.

Com mais de 40 títulos publicados, o professor trabalha em torno da questão da ligação social comunitária e a prevalência do imaginário nas sociedades pós-modernas. A modernidade é uma utopia vertical. A passagem do moderno para o pós-moderno é a mudança do vertical para o horizontal. O sociólogo pontua que a Europa foi o berço e o laboratório do moderno, enquanto o Brasil é o laboratório da pós-modernidade. A estrutura das relações modernas é ir direto ao ponto, por isso o homem ocidental conseguiu a dominação do outro. A noção da pós-modernidade deve estar de acordo com o que vamos pensar e achar as palavras para definir este jogo. Deve haver sinergia entre o pensamento e os símbolos. E são as metáforas que cumprem este papel. O sociólogo defende ainda que é preciso mudança na forma de se ver o tempo e o mundo. O comportamento do passado era paranóico e o de hoje deve ser o ‘deixar ser’ e encarar os acontecimentos.

Maffesoli é considerado um dos fundadores da sociologia do cotidiano e conhecido por suas análises sobre a pós-modernidade, o imaginário e, sobretudo, pela popularização do conceito de tribo urbana, cunhado por ele nos anos 1980. Conforme seu pensamento, as pessoas se organizam em tribos de acordo com suas preferências musicais, artísticas ou sexuais, por exemplo. A sociedade é formada por pessoas que encontram sua realização pessoal nas tribos. A pluralidade e a organização das cidades em forma de megalópoles favorecem o surgimento de novas tribos. Assim como nas sociedades primitivas, as tribos são formas criadas para se resistir às ameaças. Na selva de pedra, organizar-se em tribos é uma maneira de resistir às adversidades. O que está ocorrendo é a sinergia entre o arcaico e a tecnologia, com as novas mídias ajudando a sociedade a se acomodar em tribos.

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