Se, na vida real, o impeachment parece um destino cada vez mais certo para a presidente Dilma Rousseff, no mundo virtual, escapar do impedimento depende apenas dos botões “b”, “n” e da barra de espaço do teclado. E, claro, de muita agilidade. Afinal de contas, zerar as sete fases de “Super Impeachment Rampage” não é algo tão fácil. No game (jogue aqui), desenvolvido em Juiz de Fora pela ilustradora Mariana Salimena, 24 anos, e pelo designer Bruno Brito, 28, o jogador precisa driblar os inimigos para ajudar a personagem da presidente Dilma Rousseff a escapar do impeachment. Mix de “Endless runner” com rampage, o jogo tem como comandos básicos o correr (teclas “b” e “n”) e o pular (barra de espaço). Mas é preciso ter muita agilidade para fazer Dilma escapar dos inimigos, entre eles William Bonner, Aécio Neves, Nestor Cerveró, Sérgio Moro, Eduardo Cunha e Michel Temer. A seu lado, a presidente recebe a ajuda de Chico Buarque e do ex-presidente Lula.
“Eu e Bruno, meu parceiro, jogamos muito aquele jogo do Leonardo diCaprio que foi lançado na semana do Oscar, que também era um rampage clássico 8/16 bits. A gente achou muito genial, e com um timing excelente! Aí, na semana da Páscoa, eu sonhei com uma versão do rampage, só que com a Dilma e outros personagens e acontecimentos do cenário político. Acordei o Bruno e começamos a fazer o jogo já naquela manhã”, explica a ilustradora Mariana Salimena.
Feito em menos de 20 dias, o jogo foi produzido pelo Studio Nebulosa, de Mariana, em parceria com o Black Hole Studio, do Bruno. Até esta segunda-feira (18), cinco dias após o lançamento, eram mais de 5 mil downloads, quase 350 mil acessos, com 221 mil sessões, ou seja, pessoas que entraram e de fato jogaram o jogo.
Por enquanto, a plataforma só está disponível em html, com a possibilidade de download de um arquivo autoexecutável para quem não consegue abrir no navegador. “A gente está pensando em adaptar para Android, mas, como somos freelancers, apertou um pouco de trabalho nessas semanas, mas ainda queremos fazer isso em breve”, diz Mariana.
Polarização, aqui não!
Em época de polarização política, os criadores do jogo “Super Impeachment Rampage” deixam claro que o objetivo é unicamente o entretenimento, sem qualquer vínculo partidário ou intenção de explorar comercialmente a plataforma. “Nossa maior preocupação foi não polarizar o jogo para nenhum lado, porque queríamos mesmo criar um game que pudesse, de certa forma, ‘unir’ todas as pessoas naquele momento, criar alguns minutos de diversão mesmo se tratando de um assunto que tem sido muito problemático para todos nós. E isso a gente pode dizer, agora, que conseguimos, porque vimos pessoas de todas as posições políticas curtindo o jogo. A gente conseguiu isso principalmente através das fases bônus, que apresentaram escândalos dos dois lados envolvidos, então não puxamos sardinha pra nenhum mesmo”, reforça Mariana.
