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Outras ideias: com Hosseyn de Andrade Shayani

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Hosseyn:
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Hosseyn: “Acreditamos que a paz mundial vai acontecer nos próximos mil anos”

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Em tempos de confrontos extremos, de gritarias, de desrespeitos, de intolerâncias, a calmaria parece estar do outro lado do abismo. Quando o ódio é gratuito e o amor custa caro, paz parece ter escapado dos dicionários. Ainda que o que contagia seja um pessimismo sem fim, a receita para dias solares sempre esteve ali na frente. Basta saber que entre mim e o outro há apenas o espaço de uma mão, que pode ou não ser estendida. Conversar com Hosseyn de Andrade Shayani e seus 31 anos é confirmar, ainda mais, a certeza de que um mundo inteiro é aquele de menos barreiras e mais pontes. Quem lhe apresentou essa visão? A fé, responde ele.

“É chegado o tempo de Bahá’u’lláh, da unificação dos povos da terra e da unidade na diversidade. Acreditamos na eliminação de barreiras, de qualquer tipo de preconceito e que a paz mundial vai acontecer nos próximos mil anos, segundo as escrituras Baha’i, através de uma série de leis espirituais, sociais e morais, que vão reger os próximos anos, e os baha’is já estão trabalhando por elas em mais de 130 mil localidades”, explica ele, nascido na Fé Baha’i, religião de origem na Pérsia, atual Irã. “Ela nasceu há 173 anos. É uma fé jovem, com princípios jovens e com uma comunidade jovem e atuante mundialmente. Ela é a segunda religião independente mais espalhada no mundo”, pontua.

Nas certezas de Hosseyn, além da união como princípio básico, existe um Deus perene, que não abandona e sempre se aproxima. “Acreditamos que, de tempos em tempos, Deus – que é uma única entidade, um ser invisível, uma essência – se revela através de um mensageiro, um manifestante. Não é um profeta de uma religião, mas um enviado que traz a mensagem de Deus, falando de todos os assuntos que a humanidade pode suportar e seguir naquela época. Já tiveram os ensinamentos de Buda, Krishna, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo. E hoje chegou o tempo da vinda de um novo mensageiro de Deus, que foi Bahá’u’lláh, que significa Glória de Deus no árabe”, define ele, que celebra, agora, um novo ano no calendário que se divide em 19 meses de 19 dias. Renovar-se, eis um convite.

Teerã – Porto Alegre

A mesma fé que orienta Hosseyn orientou seus antepassados a atravessar o Atlântico. “Na década de 1950, meus avós paternos obedeceram a um chamado, a Cruzada de Dez Anos, que era um chamado do Centro Mundial Baha’i para que eles se espalhassem ao redor do mundo”, conta. O pai, Farhad Shayani, então com menos de 10 anos, saiu de sua Teerã natal, capital do Irã, e rumou para um desconhecido Brasil, onde cursou medicina, conheceu a esposa Cybele e juntos tiveram dois filhos. “A questão financeira dos meus avós não era confortável, e eles não sabiam a língua. Aprenderam o português através de uma vida comunitária ativa. Não vieram com nenhum tipo de luxo e, pelo contrário, largaram seus negócios no Irã para começar uma vida nova”, orgulha-se o solteiro Hosseyn.

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Porto Alegre – Juiz de Fora

A Porto Alegre na qual nasceu, Hosseyn viu ficar no passado aos 7 anos, quando desembarcou na Juiz de Fora onde ajuda a coordenar um pequeno grupo Baha’i, com pouco mais de 60 inscritos. O único templo da religião, predominantemente formada por indianos, na América do Sul, fica no Chile, conta. Como foi crescer num país onde sua fé não é amplamente conhecida?, pergunto. “O crescimento na Fé Baha’i é muito focado nos termos espirituais, como oração obrigatória diária, o hábito da leitura de manhã e à noite e a prática de atos de caridade. O mais importante, ainda, é a veracidade e a honestidade, que é a base do humano”, diz ele, cuja religião lhe indica a não consumir drogas lícitas ou ilícitas e seguir uma vida política apartidária.

Juiz de Fora – Mundo

No Irã, Hosseyn nunca esteve. “Muito por não haver uma identificação direta e pelos baha’is de lá serem perseguidos. Porém, estive em Israel, morei lá por dois anos, que é onde está o Centro Mundial Baha’i”, conta ele, voluntário no local de 2006 a 2008. Ao retornar, já graduado em administração, empregou-se numa empresa juiz-forana para trabalhar na África, onde passou um ano. Uma vez mais, regressou e entrou para as salas de aula. “Desde bem novo, sempre utilizei o inglês. Em todos os meus trabalhos sempre havia o inglês. Daí percebi que podia me dedicar a isso”, observa ele, que há um ano e meio tornou-se empresário, abrindo uma franquia de um curso de idiomas cuja matriz é de Uberlândia. Hosseyn, com seu anel Baha’i (em prata, com símbolos dourados a simbolizar Deus e a humanidade, ligados pelos profetas), encontrou outra maneira de eliminar fronteiras. Criou as pontes da língua. Língua, que no passado foi barreira para os avós, transposta na força da fé. “A Terra é um só país”, conclui Hosseyn, o dono de um curso de idiomas, o Baha’i, o homem.

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