Acadêmicos do Manoel Honório
A grande homenageada da noite não marcou presença na Passarela do Samba. A Lua – tema do samba-enredo da Acadêmicos do Manoel Honório – não podia ser vista no céu, mas segundo o carnavalesco Aloísio Costa, o satélite natural estava em eclipse. Antes da escola entrar na avenida, o clima era de tensão. Após o início do tempo regulamentar, os organizadores ainda corriam para deixar pronto o último carro, que tinha o vereador José Tarcísio Furtado (PTC) como destaque. Apesar de não ter levantado o público, que agitou pouco no primeiro dia de desfiles em todas as apresentações, a escola de samba do Manoel Honório fez uma bonita participação, sendo aplaudida em alguns momentos. O carro abre-alas, intitulado "São Jorge Guerreiro" era representado por um grande cavalo branco sobre um dragão. Em seguida, no Carro das Lendas, a caracterização de uma bruxa, que arrastava um grande calabouço, foi considerado por muitos o diferencial do desfile.
A rainha do carnaval de Juiz de Fora, Marcela Almeida dos Santos, precisou colocar, literalmente, os pés no chão durante a apresentação. A sandália arrebentou durante a apresentação da Acadêmicos do Manoel Honório mas, segundo ela, isso não era motivo para parar de sambar. "Só paro na Quarta-feira de Cinzas, quando coloco os pés para cima e relaxo." A agremiação do Manoel Honório desfilou no tempo regulamentar. Os cerca de 450 componentes, sendo 60 na bateria, foram divididos em oito alas, com 22 destaques.
Rivais da Primavera
A Rivais da Primavera, escola que tem o reduto em Benfica, na Zona Norte, entrou na avenida com o desafio de contar a história do café e sua importância para a cultura e economia do país. A pesquisa para transformar o tema em enredo demandou meses de pesquisa, conforme o carnavalesco Carlos Alberto Rachid, que também é autor do samba. Sem qualquer imprevisto na concentração, a Rivais da Primavera cumpriu o desfile dentro do tempo regulamentar.
O enredo "A saga do café em terras brasileiras" foi contado por meio de quatro carros alegóricos. O último, intitulado "Baluarte café", homenageava a velha guarda da escola. Os cerca de 600 componentes foram divididos em 13 alas, sendo 80 na bateria. Destaque para duas crianças, de 9 e 10 anos, responsáveis por tocar cavaquinho e acompanhar o intérprete Gê de Ogum, que também é um dos autores da música. A diversidade de cores das alas foi um diferencial, observado inclusive pelos foliões presentes na passarela.
Turunas do Riachuelo
Coube à Turunas do Riachuelo, primeira escola de samba a ser fundada em Minas Gerais, e a quarta no Brasil, encerrar o primeiro dia de desfiles em Juiz de Fora. Foi no samba enredo "A, E, I, O, Urca", uma reedição do carnaval de 1978, quando a agremiação foi campeã, que a comunidade depositou as esperanças para retornar ao grupo A, já no próximo ano. O desafio era contar na avenida a história da vida boêmia do Bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, entre as décadas de 30 e 40.
Os cerca de 400 componentes, entre eles 80 na bateria, entraram na avenida atrás de uma bonita e coreografada comissão de frente, que mesclava expressão corporal e interpretação a todo o momento para representar símbolos do bairro carioca. O público gostou e aplaudiu várias vezes. No primeiro casal de mestre sala e porta-bandeira estava a telefonista Ana Beatriz da Costa, 20 anos de idade e oito de carnaval. Exaltando muito as cores da agremiação, azul e branco, a Turunas colocou quatro carros alegóricos na passarela. O último, que representava os programas e auditório da extinta TV Tupi, tinha como um dos destaques um sósia do comunicador Chacrinha. O desfile terminou por volta de 3h50, e foi concluído sem estourar o tempo regulamentar (de 40 a 60 minutos).
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