
Betinho, Leonisio Barroso, Adir Maurício, Jerônimo Silva e Martinho Caetano posam ao lado do “comendador” Barbosa
A surpresa ao ouvir na edição do último “Fantástico” o nome de Juiz de Fora na final do concurso que vai eleger o samba-enredo da fictícia União de Santa Teresa, capitaneada por Antoninho (Roberto Bonfim), não é só nossa. Segundo Leonisio Barroso, compositor ao lado de Martinho Caetano, Marcelo Guerra, Adir Maurício, Betinho do Cavaco e Jerônimo Silva, eles também tiveram que esperar para saber do resultado através do programa da Rede Globo. “Nada foi divulgado antes. Foi uma loucura. Quando fomos classificados entre os 20, de uma lista de 300, deflagramos uma campanha em massa nas redes sociais pedindo o voto popular. Estou tendo relato de amigos dizendo que estava igual à final de Copa do Mundo. Foi legal demais, uma bagunça só, pois tivemos a participação da parentada toda das três cidades”, comenta Leonisio, fazendo referência ao berço de cada um dos autores: Santos Dumont, Matias Barbosa e Juiz de Fora. Além de Leonisio, Adir, Jerônimo e Betinho moram por aqui.
Ao que tudo indica, o coração destes foliões que fazem parte da ala de compositores da Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro, vai ficar mais agitado no próximo sábado, quando vai ao ar o capítulo em que será divulgado o grande vencedor desta disputa. Segundo o regulamento, os três finalistas participarão da gravação. Contudo, a pessoa que vai ficar mais feliz com o resultado é a sandumonense Diva da Silva Barroso, 93 anos, mãe de Leonisio. Ele jura que a noveleira da história é ela. “Ela foi a responsável direta por eu ter participado do concurso. Uma vez por semana vou para Santos Dumont e lá está ela, tomando uma cervejinha gelada e comendo um tira-gosto enquanto vê ‘Império’. Leio tudo sobre a novela e não perco um capítulo para conversarmos”, diz o compositor que, em seguida, entregou a letra para os parceiros fazerem as considerações finais. “Fiz o samba em um minuto. O personagem tem uma carga dramática muito grande. Apesar de ser milionário, tem uma vida de muita luta e de sofrimento.”
Para mostrar ter talento como autor do “Samba do comendador”, conforme anuncia o portal Gshow, bastava enviar um vídeo com um samba-enredo, cujo tema é “Homem de preto em terra de brilhantes”. Embora para fazer a inscrição fosse necessário que o compositor aparecesse cantando (Jerônimo foi quem recebeu a incumbência de interpretar a canção), a avaliação seria feita somente em cima da música e não da performance. Na visão desta turma, porém, os detalhes podem, sim, interferir no desfecho desta trama. “Fizemos o melhor possível, dentro das nossas possibilidades. Gravamos no estúdio Ideia Forte, do DJ Nonô, e, como sou designer gráfico, fiz a edição das imagens com passagens da novela. Creio que toda essa produção, com a qualidade do áudio, gabaritou o nosso trabalho”, diz o compositor.
Dando uma rápida olhada no Facebook de Leonisio podemos perceber que, desde o início, houve uma preocupação em conquistar o primeiro lugar, mesmo não havendo qualquer tipo de premiação em dinheiro. Nesta hora, vale apelar para uma ajuda de figuras ilustres do folhetim, como é o caso de Maria Clara (Andreia Horta), Cora (Drica Moraes/Marjorie Estiano) e Xana (Aílton Graça). “Criei várias histórias de personagens pedindo a nossa aprovação. Quando comecei a fazer essas brincadeiras, o pessoal começou a compartilhar.” E não é que o comendador deu o aval? Conforme foto que ilustra esta matéria, o cabeleireiro Barbosa, morador de Benfica, abrilhantou a produção dos amigos vestindo-se de José Alfredo (personagem de Alexandre Nero) em um clipe criado pelo grupo. “É claro que, se puder, ele vai para a gravação no Rio.”
Parceria na vida real
Em Juiz de Fora, o sexteto que resolveu falar sobre “O homem de preto em terras de brilhantes”, tema proposto pela “União de Santa Teresa”, também faz história. Participante da folia da cidade desde 1995, Leonísio diz que é de autoria deles o samba deste ano da Escola de Samba Juventude Imperial, que será puxado por Sandra Portella, Marcio Moreno e Martinho Caetano: “Com certeza vai ter festa no sertão pra coroar o rei do baião”.
E para acabar com a confusão gerada quando o “Fantástico” anunciou que o compositor Leonisio Barroso era de Juiz de Fora, este “sandumonense de nascimento e juiz-forano de coração” faz questão de encerrar a entrevista com a Tribuna lembrando uma trova escrita pelo pai, seu Heribaldo Barroso, já falecido. “Juiz de Fora é por inteiro, lugar onde o ser humano, mesmo sendo forasteiro, se sente juiz-forano.”
GRES UNIÃO DE SANTA TERESA
Enredo:
“Homem de preto em terra de brilhantes”
Terra de brilhantes
Berço de riqueza e esplendor
Luz de diamantes
Cobiça, dinheiro e amor
Nesta mistura explosiva
Uma lenda viva, nasceu
Um guerreiro dominante, forte e conquistador
Conhecido como “O Homem de preto”
José Alfredo, o Comendador
No poder da pedra, a sorte na vida
Nas mãos, o garimpo, a luta vencida
Em seu caminho, paixões e amores
Um canto de dor num campo de flores
A vida não o fez desistir
A dor não afastou seu norte
Rompeu fronteiras, derrubou barreiras
Enganou a própria morte
E segue José…
O seu caminho sem destino
Meu coração azul e verde vem contar
Que se fez homem pelo sonho do menino
Canta amor, canta dor
Brilhante luz, felicidade
Vai comendador
Viver enfim a sua verdade
