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Poesia visual

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Um olhar poético sobre o cotidiano de Juiz de Fora. É assim que os cineastas Nilson Alvarenga, Marília Xavier e Tomyo Costa descrevem o curta-metragem "Quase que só há estrelas", que será exibido hoje na Mostra de Cinema de Tiradentes, às 16h30, na Mostra Panorama. "Saímos pelas ruas da cidade durante muitos e divertidos dias, colhendo imagens. Curioso é que, na época, Juiz de Fora, por conta das obras na Rio Branco, era como um "canteiro de obras", e isso acabou sendo incorporado nas imagens. Assim, por exemplo, as cenas de máquinas, que já estavam previstas no roteiro, acabaram sendo mais impactantes do que esperávamos", conta Nilson.

Segundo Tomyo, o filme busca construir novas formas de relação com o espaço urbano, ressignifcando os sentidos habitualmente atribuídos a ele. "Acho que devemos continuar criando estes sentidos, e é isso que o filme tenta fazer: buscar olhar um prédio a partir de uma distância, de um outro ângulo que não o do cotidiano. Estas imagens, por vezes, podem parecer banais, mas podem gerar novas experiências para quem se dispõe a vê-las de diferentes formas."

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No curta, cenas do dia a dia juiz-forano intercalam-se, sob a narração em off de obras de poetas juiz-foranos, sendo o mote principal o verso de Murilo Mendes que dá nome ao filme, "Quase que só há estrelas". "As ‘estrelas’, desde o início deveriam ser as pessoas – não as importantes, mas as anônimas. As locações seriam pontos importantes da cidade", explica Nilson. Segundo ele, há trechos em que as imagens e os textos atuam de forma complementar. "Algumas são mais literais, pensadas previamente: imagens do Paraibuna em um trecho do Pedro Nava sobre o rio; de montanhas quando Rachel Jardim fala sobre as montanhas de Minas… E há outras relações mais abstratas, nem sempre antevistas, como uma analogia entre as teclas do piano e a faixa de pedestres", explica Nilson.

O resultado do casamento entre as imagens e a poesia inspira sentimentos diversos, criando impressões diferentes sobre o espectador. "Acho que o filme possui um olhar melancólico e, em certos momentos, crítico e irônico sobre Juiz de Fora. Acho também que o sentimento de melancolia não vem à toa, é justamente a partir deste mal-estar com a banalização do cotidiano que passamos a construir e buscar novos olhares, novas experiências com a nossa cidade.

Para os realizadores, exibir o trabalho em um evento do porte do festival de Tiradentes é um estímulo para a produção local. "Mostra que existe uma curadoria de cinema interessada em experimentações, o que nos motiva a continuar pesquisando cinema e formatos audiovisuais. Além de ser importante na divulgação de trabalhos feitos em Juiz de Fora, pois prova que não são apenas as capitais que produzem coisas boas", avalia Marília.

Na visão de Nilson, o fato de o filme integrar a Mostra Panorama engrandece ainda mais a participação no evento. "É uma mostra que privilegia a experimentação de linguagem, coisa que o curta tem. Ele já tinha sido exibido na Mostra BH, que também tem esse caráter, um sinal de que a proposta é compreendida e de que há uma comunicação tanto com os curadores quanto com o público." Para Marília, este quê experimental entra em sintonia com a proposta do próprio festival, que tem, nesta edição, o tema "Fora de centro". "É um curta fora do padrão narrativo que é mais conhecido, então acaba fugindo a uma orientação central e sendo ‘fora de centro’."

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