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Criança para sempre

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Ela já vai fazer 50 anos, mas com corpinho de 7. Conquistando gerações de leitores, Mônica, a baixinha invocada mais amada do Brasil completa meio século de existência em 2013, e a data será lembrada com uma série de comemorações e novidades. Recentemente, Maurício de Sousa, pai da personagem dos quadrinhos e da Mônica que inspirou sua criação, anunciou shows ao longo do ano, como o "Mônica Mundi – Uma volta ao mundo com a Turma da Mônica", e o Festival Turma da Mônica, em julho. "Vamos enfeitar o ano da Mônica com tudo de bom, alegre, divertido e cultural que a turminha pode oferecer. Desde reedições de brinquedos, mostras em museu, livros e espetáculos que fizeram a cabeça e alegria do nosso público nos últimos 50 anos", conta o cartunista em entrevista à Tribuna.

A primeira apariçãoda pequena foi em 3 de março de 1963, em uma tira de Cebolinha, então protagonista das historinhas publicadas no "Jornal da Manhã". Pouca gente sabe, mas, originalmente, a personagem era a irmã mais nova de Zé Luís, um dos integrantes mais velhos da turma, parentesco que, segundo Maurício, se perdeu por um erro de continuísmo na época em que ele trabalhava sozinho e o ritmo de trabalho começou a ficar acelerado demais.

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Em sua estreia, Mônica aparecia mais gorducha do que como é retratada atualmente. Mesmo assim, já trazia seu inseparável coelho de pelúcia, Sansão, a tiracolo, e não hesitou em usá-lo para "dar uma lição" no amigo Cebolinha, cena que se repetiu inúmeras vezes na trajetória dos dois. Depois disso, a baixinha conquistou os corações do público e cada vez mais espaço nos quadrinhos. "Com tantos predicados que a Mônica apresentou desde o início, auxiliada pelo coelho que rodopiava em suas mãos, a liderança veio a cavalo (ou a coelhadas?)", brinca Maurício.

Para ele, toda esta popularidade se deve ao fato de a dentucinha ter sido sua primeira criação feminina de destaque, em um universo comandado por garotos como Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Franjinha e pelo cãozinho Bidu. "O segredo do sucesso da Mônica começa pelo fato de ela ser mulher. Mulher chega e acontece. Principalmente se tiver presença, personalidade, determinação e o lado feminino à flor da pele. E foi o que aconteceu nas nossas historinhas." Nesta trajetória ascendente, em 1970, Mônica ganhou sua própria revista, a primeira publicação infantil colorida do país.

À beira dos 50, a personagem passou por diversas mudanças estéticas e até de personalidade. "Ela foi ficando menos ‘brava’ com o tempo, o que se deve a um amadurecimento. Dela e do público", aponta seu criador. Ao longo dos anos, a baixinha chegou ao público em diversos formatos além dos gibis: brinquedos, filmes, peças teatrais, roupas, desenhos animados, artigos de papelaria, aplicativos de celular, parque temático e tiras para tablet e celular. Atualmente, a menina também tem responsabilidades de gente grande e é embaixadora da Unicef no Brasil desde 2007, além de ter sido publicada em 40 países do exterior.

 

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Estrela de gerações

Em meio século, famílias inteiras se renderam às aventuras de Mônica e seus amigos, fazendo delas a primeira leitura de muitas crianças. "Gosto da posição que exercitei nestas últimas décadas: um contador de histórias para crianças de todas as idades (adultos, inclusive) e de alfabetizador, para a turminha mais nova", orgulha-se Maurício. Na família das irmãs Pelegrini, os gibis e o carinho pela turminha passa de geração em geração. "Quando eu e a Cláudia ainda não sabíamos ler, inventávamos nossas próprias histórias e rabiscávamos as revistinhas, achando que estávamos escrevendo. Queríamos aprender logo para sabermos o que a Mônica estava realmente dizendo", conta Mariana, de 27 anos. "Sempre tivemos muitas revistas da Turma da Mônica, era como uma biblioteca de gibis, nossos amigos iam lá em casa pedir exemplares emprestados, porque nossa coleção era grande", completa Cláudia, de 25.

Seguindo os passos das duas irmãs mais velhas, Luísa, de 8 anos, também sempre manifestou interesse pelas revistinhas desde pequena. "Como tinha muitas em casa, eu também gostava de ver as histórias ainda antes de saber ler, e depois foram as primeiras coisas que eu li." Pai do time de leitoras, José Antônio Pelegrini sempre estimulou o contato das filhas com as histórias da menina mais "folte" do mundo, como diria Cebolinha. "São histórias que mesmo adultos lemos até hoje. São divertidas, leves, e, mesmo já sabendo o que acontece, você abre novamente e se diverte da mesma forma. Foi com elas que as meninas desenvolveram o gosto pelos livros."

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Como Mariana e Cláudia, a menina Mônica também cresceu. Desde 2009, quando a Turma da Mônica Jovem foi criada e ganhou uma revista, ela aparece como uma adolescente esbelta e com guarda-roupa além do clássico vestido vermelho, mas ainda com os dentes um tanto protuberantes, sua marca registrada. "A Turma Jovem foi uma criação estratégica. Veio num tempo em que eu percebi o desvio da atenção dos nossos leitores pré-adolescentes para os mangás japoneses. Eles estavam na deles, mas eu não podia perder esse pessoal esperto e importante para os mangás. Resolvi criar o meu mangá tipo caboclo, e, nessa estética, criamos a mesma Turma da Mônica meio que na idade dessa turminha que escapulia. E foi um sucesso", comemora Maurício.

No ano passado, a edição 50 da publicação mostrou um avanço de 10 anos no tempo, mostrando o casamento da personagem com Cebola (que, jovem, não quer mais ser chamado de Cebolinha), na história "O casamento do século", satisfazendo a curiosidade e o desejo de milhões de fãs que, no fundo, sabiam que as coelhadas de Mônica eram de amor. " O fato de a turma infantil continuar nas bancas também é parte de uma estratégia. É o primeiro estágio para nossos leitores, que irão para a Turma Jovem e, no futuro, para a turma adulta, que estou estudando."

Para o público, ver a "dona da rua" como adulta é uma perspectiva interessante. "Acho legal ver a Mônica crescendo, é um referencial diferente do que a gente tinha quando criança, e dá uma sensação de que a vida seguiu para ela, como acontece com todo mundo", conta Cláudia Pelegrini. Já Mariana não esconde o apego à versão infantil de uma certa dentuça, baixinha e gorducha. "Não tem jeito! Para mim, a Mônica nunca vai crescer!" Ao que parece, Mônica continuará a ser a estrela de tantas infâncias e a fazer de seus leitores um pouco crianças, independentemente da idade que tenham.

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