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Clichês, imperfeições e saudades

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Livros publicados: 3. Filhos: 2. Unidades alcoólicas: incontáveis (mt. ruim, mas ao longo de alguns anos e grandes traumas). Aparições de Daniel Cleaver: poucas e boas (excelente!). Aparições de Mark Darcy: Zero. (sem contar no imaginário).

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Para qualquer um que tenha devorado as páginas de O diário de Bridget Jones (1996) e a sequência Bridget Jones: No limite da razão (1999), ambos da escritora britânica Helen Fielding, o sistema de contagens acima, que resume a trama do terceiro livro da série, é uma linguagem habitual.

Sim, Bridget Jones, a carismática balzaca que conquistou nossos corações e mentes está de volta: com 51 anos, dois filhos e – pasmem – viúva. Bem-sucedida autora de comédias românticas, Fielding vendeu mais de 15 milhões de sua Bridget pelo mundo nos dois primeiros livros, e o primogênito também figura entre os dez que definem o século XX, segundo The Guardian, ao lado de medalhões como O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, e 1984, de George Orwell.

Depois de verem a heroína terminar ao lado do charmoso e formal advogado Mark Darcy em No limite da razão, os fãs da série ficaram atônitos quando Fielding anunciou, em setembro deste ano, a morte do irresistível par de Bridget no novo livro, causando comoção nas redes sociais.

Louca pelo garoto (Companhia das Letras), se passa cinco anos após a perda de Mark, e, desde a última vez que a vimos, Bridget engordou uns bons quilos, tem total inoperância sobre os numerosos controles remotos da casa e vive às voltas com a rotina de mãe (e como sempre, com a própria mãe), a viuvez e as redes sociais- queimando os miolos para conseguir mais seguidores no Twitter e fazendo esforço para não postar bêbada.

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É, inclusive, na internet, que Bridget conhece o garoto do título, Roxster. À beira dos 30, o rapaz tem seus atributos físicos descritos com a habitual minúcia de Helen Fielding, que não deixa de fora a clássica imagem da camiseta molhada, presente desde o primeiro livro nas menções de uma obcecada Bridget ao Mr. Darcy de Orgulho e preconceito, de Jane Austen.

Se a ausência de Mark Darcy – vivido na versão cinematográfica pelo ganhador do Oscar Colin Firth – deixa uma lacuna no coração dos fãs, a certeza da participação de Daniel Cleaver – imortalizado nas telonas por Hugh Grant, em um fortuito acerto de casting – promete boas surpresas e um afago na nostalgia.

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Já as trapalhadas de Bridget na vida profissional e pessoal são pontuadas por momentos comoventes de luto, conduzindo a lapsos de – pasmem novamente! – genuína maturidade emocional. Claro, existem passagens hilárias, como a malsucedida experiência com botox, que leva a uma sequência de incapacidade de pronunciar consoantes por horas e de saliva escorrendo pelos lábios abaixo.

Ainda não se sabe se Louca pelo garoto terá o mesmo destino das duas publicações anteriores e irá para os cinemas. Circula pela imprensa britânica um boato de que Helen Fielding e Renée Zelwegger – gravada na memória coletiva como Bridget por vivê-la nas telonas – andaram se estranhando, o que explica o fato de a atriz não figurar entre os agradecimentos do terceiro livro, ao contrário de seus colegas Grant e Firth.

Independentemente do que acontecerácom o novo título- e apesar dos clichês da repetição de uma fórmula que deu certo -, o derradeiro encontro com Bridget Jones vale exatamente por isso: para matar as saudades da heroína mais imperfeita, mais humana e mais gente-como-a-gente da literatura contemporânea.

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