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Projeto Carne Fresca reúne 12 artistas em mostra de arte contemporânea

Detalhe de trabalhos de Dalton Carvalho, de Juiz de Fora
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Detalhe de trabalhos de Dalton Carvalho, de Juiz de Fora

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Universalizar seria sinônimo de progresso, não fosse a perda de raízes. A arte contemporânea brasileira na medida em que conquista novos espaços e se torna reconhecida para além das fronteiras do país ganha universalidade, o que faz do pertencimento um dos grandes desafios. Discutindo a territorialidade e o pertencimento, jovens artistas foram provocados no quinto edital Carne Fresca da galeria Hiato – Ambiente de Arte, primeiro ano em que o projeto se abre para a Região Sudeste do Brasil. A exposição, que inaugura nesta sexta, às 20h, apresenta os 12 selecionados, entre 30 inscrições, 21 delas de Juiz de Fora. “O nível aumentou muito. As pessoas acreditam nesse edital. Abrimos para toda a região e tivemos uma boa aceitação, mesmo divulgando, fora da cidade, apenas pela internet”, comemora Petrillo, artista visual e coordenador do espaço.

“O evento cresceu. Alcançamos uma linearidade entre as obras. Quando julgo, já penso na formatação da mostra, mas os outros membros não pensam nisso. Aos poucos, e naturalmente, os trabalhos foram dialogando”, comenta ele, que esse ano dividiu a banca com o artista plástico e pesquisador Ramon Lima Brandão e com a professora e doutora em letras Rejane Granato. “A grande tendência hoje é a fotografia. Vejo que a questão contemporânea passa, inevitavelmente, pelas mídias eletrônicas”, analisa Petrillo. Segundo ele, muitos dos trabalhos expostos nas edições 2014 da Art-Rio e da Artigo, principais feiras da capital fluminense, transitam pelas novas mídias, característica também encontrada na exposição desse ano.

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Complexos sistemas poéticos

Ainda que a fotografia seja recorrente no panorama criado pela mostra de jovens talentos, o que salta aos olhos é o retorno a suportes tradicionais, como a gravura, rediscutida e elaborada com frescor e muita sofisticação. Do Rio de Janeiro, Marcelo Oliveira, um nome em ascensão no mercado, faz sua piada nas gravuras que exibem cartazes de shows de duetos com Nara Leão e Anitta e João Gilberto e Bola de Fogo. “São anúncios de shows totalmente improváveis. Isso é crítico e até mesmo debochado em relação ao que tem sido produzido em nossa cultura musical”, destaca Petrillo.

Optando pela técnica artesanal, quando poderia muito bem lançar mão do computador, o artista retorna a uma estética sofisticada, que também está presente na obra do juiz-forano Dalton Carvalho. Porém, Dalton não se priva da tecnologia. Utilizando-se de um programa gráfico, ele confere tridimensionalidade à fotografias aéreas das cidades, coloridas e bastante próximas de uma arte pop.

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“Queríamos saber como cada um demarca seu espaço. Muitos o viram como casa”, aponta Petrillo. Fatalmente, muitas foram as elaborações acerca dos territórios e do sentimento de pertencimento, desde o cenário musical, que em muito define a nação – inclusive como uma identidade para estrangeiros – até o caos que se transforma em belo no trabalho de Dalton. Para Caroline Fucci, do Rio de Janeiro, a discussão caminha pela poesia da lã que elabora palavras de ordem como “ame” e “pense” e desenhos que remetem aos termos, tudo sobre uma aparente areia de praia. As imagens da artista, que tem a fotografia como suporte, caminham por um universo muito mais intimo e pessoal. Guilherme Rocha Portes, de Juiz de Fora, também se livra de inquietações subjetivas ao expor o livro “Calabar: o elogio da traição”, da peça de Ruy Guerra e Chico Buarque com intervenções a caneta e lápis, capazes de suprimir trechos de frases ou palavras. Portes cria, assim, um padrão nas páginas que funcionam sem o texto, o que expõe em fotografias, mantendo as intervenções e retirando todo o texto.

Tania Aleixo também cria uma padronagem com fragmentos da cidade, que acabam por formar novas cenas em uma impressão sobre lona. Integram, ainda, a exposição Caique Cahon e seu trítico com duas fotos de estantes negativadas ao lado de uma digital, Isis Silva e seus registros sensíveis de agulhas, Karine Teixeira e suas imagens emocionantes de cruzes de cemitério em diferentes contextos, Leonardo Sales e os precisos desenhos de espaços de uma casa vazia, Lilian Arbex e sua cidade vista pela fotomontagem e pela gravura, Matheus de Simone e seus desenhos de um universo de monstros absolutamente sexuais e Thaís Graciotti com imagens que sobrepõem uma pequena casinha (em seu desenho mais infantil) a paisagens de cidades.

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CARNE FERSCA

Abertura hoje,

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às 20h

Visitação de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h, sábados das 9h ás 13h. Até 4 de outubro.

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