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Imagem conceitual

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O homem e um rio. Daí podem-se extrair inconfundíveis relações, desde que a mais importante delas seja a história entre ambos. Entre 45 idas e vindas ao Vale do Jequitinhonha e cerca de mil imagens, os fotógrafos Pedro David, de Santos Dumont, João Castilho e Pedro Motta, ambos de Belo Horizonte, exploraram a íntima adequação da população local ao trecho que cobre a Região Nordeste de Minas Gerais, durante o processo de instalação da Usina Hidrelétrica de Irapé entre 2002 e 2008. O mais importante é entender que essa relação é profunda, não só porque é do rio que as pessoas tiram seu alimento, mas pela mitologia e crendice retiradas desse povo de forma violenta, deixando-o sem referências geográficas e/ou econômicas, destacou João Castilho, durante visita a Juiz de Fora para a abertura do projeto Foto 11, cujas mostras foram abertas na última semana.

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Convidados a expor o resultado da viagem (Paisagem submersa) no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), Castilho, David e Motta coordenaram um bate-papo no Espaço Experimental Nina Mello sobre os rumos da profissão, abrindo a programação voltada ao Dia Mundial da Fotografia, comemorado hoje. Ainda para celebrar a data, a Funalfa promove, hoje, a mesa-redonda Fotografia e contemporaneidade no CCBM, às 19h30. A ideia, conforme a organização, é reunir os curadores das 11 exposições simultâneas (254 imagens de 57 fotógrafos), que são: Toninho Dutra, Afonso Rodrigues, Nina Mello, Paula Veloso, Carú Rezende, Daniel Rodrigues e Guy Schmidt. Nosso objetivo é falar sobre os desafios da fotografia nos dias de hoje, resume Carú.

Outros dois encontros integram a programação do Foto11 e acontecem na videoteca do CCBM. No dia 25 de agosto, às 19h30, o debate terá o curador Afonso Rodrigues e os fotógrafos que integram a mostra Inovar é preciso, abordando técnicas e soluções envolvidas na produção dos trabalhos da exposição. Para encerrar, no dia 29 de agosto, às 19h30, a curadora Nina Mello e os artistas responsáveis pela mostra Paralelas se reúnem para debater o processo de desenvolvimento e produção dos trabalhos, cuja finalidade é levar arte e cultura aos pontos de ônibus do Bairro São Pedro.

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Além da exposição Paisagem submersa, Castilho, David e Motta lançaram um livro homônimo, que reúne parte do acervo fotográfico gerado pela vivência e observação dos artistas em 42 comunidades durante inundação, demolição de casas e transferência das famílias do Vale do Jequitinhonha. Este livro sempre foi o alvo, desde o início da viagem. Mas outras produções vieram à tona, como a mostra, uma instalação e o site (www.paisagemsubersa.com.br), comenta Castilho, jornalista mestre em artes visuais pela UFMG. O livro é algo de palpável que, para muitos destes personagens, é o primeiro e único guardado em casa, observa Pedro David, jornalista pós-graduado pela Escola Guignard da UEMG.

A partir do momento em que sentaram para escolher as imagens que entrariam no livro, das mais de mil, chegaram a 150, culminando com o trabalho que vai além do clicar. O exercício mais importante da profissão é saber editar para dizer alguma coisa com o material, dispara Pedro Motta, graduado em desenho pela Escola de Belas Artes da UFMG. No final dos anos 90, a fotografia documental brasileira passou a deixar de ser repetitiva e estagnada, rumo à renovação, como aconteceu em outras parte do mundo, completa João Castilho. A primeira década do novo século é a da fotografia contemporânea, assim como aconteceu no campo de outras artes e mídias. É o fim das fronteiras, o que há de mais pós-moderno.

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Primeiro trabalho em conjunto do trio, Paisagem submersa não é um coletivo de imagens, já que cada um optou por suportes e técnicas diferentes. João Castilho focou nas cores da paisagem local, enquanto Pedro Motta optou pelo preto e branco, e Pedro David variou entre os dois. A principal unidade está no conceito adotado. Escolhemos a fotografia documental, em que a quebra de paradigmas nos permite o flagrante (espontâneo), explica Castilho.

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Na próxima semana, eles levarão um braço da mostra ao México, como já fizeram em países como Holanda, Bélgica e Uruguai. Este ano, ainda irei à China com um trabalho chamado ‘Redemoinho’, que nasceu de uma relação com a obra ‘Grande Sertão: Veredas’, de Guimarães Rosa, em que o dito ‘o diabo na rua no meio do redemoinho’ traduz a crença do sertanejo num mundo de opostos. Luz e sombra, Deus e diabo, céu e terra. É a luta interna de cada um, como parte desse documentário imaginário, informa Castilho.

Saber como e o quê fazer, para Pedro David, é o grande desafio da próxima década. A fotografia, por ser uma técnica simples, exige o ‘pulo do gato’ que é dizer algo sobre o mundo, o que diferencia o fotógrafo – que domina o modo de executar e, na maioria das vezes, chega a fotos lindas – do artista, considera. O fato de poder usar o celular para fazer o que antes só era possível com a câmera é só um meio.

Pedro Motta assegura que, cada vez mais próxima das artes plásticas, a fotografia tomou as galerias de arte. Se antes havia espaços exclusivos para o registro fotográfico, hoje, com o mercado de arte em plena ascensão, mais pesquisas vêm sendo desenvolvidas no ramo da fotografia dentro das galerias, não só pelo poder financeiro, mas pela poética, opina Pedro Motta, convidado a participar do Panorama da Arte Brasileira no MAM de São Paulo em outubro. Entre os 30 selecionados, o artista vai levar a série Arquipélago, uma pesquisa sobre resíduos humanos, espécie de esculturas involuntárias.

Seja evoluindo para conceitos mais subjetivos ou tratada em laboratórios domésticos, a fotografia segue alimentando os profissionais de suportes e técnicas diferenciadas, sejam elas abstratas ou esteticamente objetivas. Sistematizamos, em nossa viagem, a liberdade, que é o fio condutor da história daquelas pessoas, não identificadas como um conjunto, mas como parte da paisagem humana, conclui Castilho que, da nascente à foz do Jequitinhonha, experimentou, junto a David e Motta, o que a profissão e a arte guardam em comum, a subjetividade da imagem.

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