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Construindo uma nova história

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A máxima de que a história é contada pelos vencedores e que esta é a história vista nos livros será desconstruída na peça "Uma história oficial", que a Cortejo Cia. de Teatro estreia hoje, às 20h, no Diversão e Arte (Rua Halfeld 1.322 – Centro). Em cena, quatro personagens, a menina, a mulher grávida, o vendedor de Bíblia e o negro, começam a construir uma nova cidade e, com a oportunidade de recomeçar, tentam criar uma nova história, do ponto de vista também dos vencidos e de todos os participantes dos fatos. A peça inicia temporada na cidade depois de ser contemplada pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura e pelo edital de Montagem de Artes Cênicas da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro.

Conforme o ator Tairone Vale – que, além de interpretar o vendedor de Bíblia, é um dos autores do texto, feito em parceira com o diretor da peça Rodrigo Portella -, com a oportunidade de começar uma nova história, esses quatro personagens vistos como jogadores, criam novas personalidade para si próprios, tendo suas emoções misturadas. E nessas novas regras de criação do local, começa o jogo entre os personagens, que precisam seguir as normas por eles estabelecidas. A partir daí, surge o conflito entre eles e de cada um com o personagem por eles criado. E são esses embates que servem para os autores tratarem de temas como política, religião, sexo, racismo.

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Os próprios personagens carregam em si a dualidade da escolha de suas personalidades, uma vez que nenhum deles é o tempo todo mocinho ou vilão. A menina tem a juventude e a inocência, mas é sedutora. A mulher grávida, que deveria ser a protetora, vende seus filhos. O vendedor de Bíblia exerce seu poder político e religioso, enquanto o negro, que seria a representação do herói, o injustiçado, aspira carreira política. "Mas esses pontos de vistas vão mudando ao longo da peça, que traz temas atuais tratados sem rodeios com humor, apesar da densidade", relata Portella. Embora a história tenha sido criada como uma fábula, a intenção foi humanizar os personagens e gerar identificação com o espectador.

Conforme Portella, a inspiração para a peça veio do passado recente da América Latina, em que diversos países viveram longos processos de ditaduras militares, mas o povo nunca deixou de acreditar que seria possível mudar e reconstruir, assim como os personagens da peça. Entretanto, segundo o diretor, ao longo da história, os quatro moradores deixam de pensar em uma nova sociedade e começam a refletir sobre vantagens pessoais. "Tratamos da tentativa de fazer acontecer, fazer melhor, mas que nem sempre é possível."

Escrita a quatro mãos, a peça, conforme os autores, carrega a visão mais pessimista de Tairone e uma maneira mais otimista de ver o mundo de Portella. "A mistura das personalidades e o fato de termos posições diferentes serviram para enriquecer o texto e também os conflitos entre os personagens. Conseguimos pontuar duas visões na trama e colocar doses de sutileza, ironia e sarcasmo", explica Tairone. Já Portella ressalta que, se fosse preciso resumir a peça em poucas palavras, essas seriam reflexão sobre a ética. Para isso, há interação com a plateia, mesmo que esta não seja chamada ao palco. "Quebramos a quarta parede do teatro. Entre os jogadores fica bem claro a tentativa de um manipular o outro, ao mesmo tempo fazemos um convite a cada espectador ter sua opinião. Os personagens tentam manipular, de forma sutil, o pensamento da plateia."

UMA HISTÓRIA OFICIAL

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Sextas, sábados e domingos, às 20h. Até 4 de setembro

Diversão & Arte

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(Rua Halfeld 1.322)

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