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Poeta de JF está em coletânea de slam nacional

Laura Conceição

(Foto: Natalia Elmor )

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Com a cabeça na lua e os pés no chão. Aos 23 anos, Laura Conceição trabalha em seu primeiro álbum digital, que conta sua trajetória na poesia e no rap. O nome do disco homenageia a canção “Tempos efêmeros”, lançada há cerca de dois anos, e tudo aquilo que a artista conquistou na sequência. O CD reúne trabalhos novos e antigos e está na reta final da gravação. A obra irá contar com 13 faixas, sendo três poesias e dez raps, e a previsão é de que o lançamento aconteça em agosto.

Apesar de naturalmente colocar suas vivências em tudo aquilo que compõe, falar sobre a própria história é uma experiência diferente para a artista, uma grande exposição, mas que é necessária para cumprir seu objetivo. “Grande parte das coisas que eu falo é o que eu vivi e o que eu vejo no meu cotidiano. Mas é isso que faz com que as pessoas se identifiquem. Às vezes, uma menina que passa pela mesma dificuldade que eu passei vai escutar meu som e ver que não está sozinha. O rap tem muito esse poder de transformação através das palavras. É isso que eu busco também, fazer uma rede de apoio e identificação entre pessoas que passaram pela mesma coisa e podem se ajudar”, destaca.

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Bastidores da gravação do clipe “Lunática”, primeira faixa do disco de Laura (Foto: Vanessa Oliveira)

O álbum envolve temas variados, memórias afetivas e referências musicais, passando por diferentes estilos. “No processo da minha carreira, perdi a minha mãe e tem uma poesia que fiz para ela. Tem outra música que fala sobre Minas Gerais, sobre de onde eu vim e o que acontece aqui no estado que a galera às vezes não fica sabendo. Vai ter um som com o Marcelo Marte, que foi o MC daqui que falou que eu precisava cantar minhas letras três anos atrás. Ele foi uma figura muito importante na minha carreira. Um som de blues se chama “Liberdade”, não tem refrão e fala de histórias minhas com minha avó e coisas que vivi e que outras pessoas vão se identificar. E também há referência ao AC/DC, mostrando minha influência musical do rock. É um CD de rap bem eclético e trata assuntos variados, inclusive amor e feminismo. Porque é algo que sempre falo: uma mulher tendo espaço para falar e mostrar suas ideias já é resistência e feminismo, mesmo que eu não fale propriamente sobre isso”, reflete.

Acostumada aos recitais de Slam, entrar no estúdio foi um desafio, e a produção tem sido longa. “Esse processo tem sido bem diferente do que estou acostumada, porque nas batalhas de poesia e slams, até quando recito uma música minha, faço as alterações que quero para cada dia, mas no CD as músicas precisam entrar fechadas. Mas estou levando muita coisa do slam para o estúdio e muito do estúdio para o slam, essa troca tem sido bacana”, comenta a artista.

Uma astronauta na Terra

Uma das faixas principais do álbum é “Lunática”, que ganhou um clipe recentemente, produzido e dirigido por mulheres de Juiz de Fora e assinado pela Corre Mundo Produções. “São amigas e parceiras que compraram a ideia. Foi um projeto bem feminista.” Para a gravação, o Centro de Juiz de Fora e o túnel da Avenida Itamar Franco, grafitado pelos artistas Igor Tenxu e João Ileso, foram algumas das locações.

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“Lunática” é a primeira faixa do CD, considerada uma das mais importantes por representar uma das propostas do disco: romper com a estética usual do hip-hop. A letra discorre não só sobre a cena do rap em Juiz de Fora e as dificuldades de ser uma artista independente, como também traduz uma característica marcante da própria cantora. “Eu sou muito distraída, sempre ando nas ruas, e a galera me chama e nem vejo, escuto música e vou para outro mundo. O que veio primeiro nesse som foi o refrão: ‘Se me ver andando pelas ruas/ vai saber que minha cabeça está na lua/ Se me ver andando pelas ruas vai entender/ que os meus pés estão na rua.’ É o pé no chão mesmo para seguir na arte.”

Laura está em duas coletânea nacionais de slam (Foto:Ana Claudia Ferreira)

A escrita, a fala, o canto

“Quando eu recito a poesia, consigo colocar o tom e o enfoque na parte que quero e induzo a interpretação. Posso usar o corpo, a voz e o canto. Mas quando entrego o texto para alguém ler, a interpretação fica por conta dele”, destaca a poeta. Transitando por vários estilos, da poesia falada à cantada e também a escrita, recentemente Laura lançou seus trabalhos em duas coletâneas. O livro “Querem nos calar”, da Editora Planeta, disponível nas livrarias, foi organizado pela poeta Mel Duarte, de São Paulo. A obra reúne poetas de slam de todo o Brasil, e Laura foi convidada para representar Minas Gerais, publicando cinco de seus textos.

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“A ideia é que as pessoas leiam o livro em voz alta, para que o transformador das palavras venha também através da audição, não só da leitura. É uma oportunidade incrível para mim estar junto de outras mulheres que são minhas parceiras e pessoas nas quais me inspiro. O livro tem o prefácio feito pela Conceição Evaristo e é uma honra estar no livro que ela prefaciou.” Para esta obra, Laura falou de amor, feminismo e sobre a mulher na sociedade. O segundo livro é uma série composta por poetas de slam também da cena nacional. Laura participou do volume intitulado

“Empoderamento feminino”, uma produção independente, disponível para venda apenas através da autora ou do Slam da Guilhermina.
Atualmente, apesar de se dedicar a batalhas em slams em São Paulo, Laura tem focado sobretudo na música e integra a banda Seu Nadir como baterista. Para ela, essa fase é sobretudo uma colheita dos frutos plantados com seus anos de trabalho. “É uma fase em que estou sendo mais respeitada, tendo reconhecimento. Vejo trabalhos mais consolidados e maduros, com apresentações mais longas. A própria cidade está vendo a poesia de outra forma e tem uma cena do rap forte, com poetas e MCs.”

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