F oi com "Um dia vou precisar de você" que o cenário musical carioca abriu as portas para o juiz-forano Tiago Calderano. Da promessa, veio o convite, em 2007, para a primeira participação em um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira, feito por um de seus professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde estudou percussão. "Eu sempre ia aos concertos e ensaios, e ele sempre dizia isso. Lembro-me como se fosse hoje do dia em que ele me chamou, perguntando se eu estava disponível nas datas que precisaria. Disse sim na mesma hora, e de lá para cá tenho feito ‘cachês’ nas orquestras com freqüência", conta.
Também formado em violão pelo Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano, Tiago atua em seu sétimo musical, "Quase normal", adaptação de Tadeu Aguiar para a cria da Broadway "Next to normal", de Brian Yorkey e Tom Kitt, que ganhou três prêmios Tony em 2009, o Pulitzer em 2010 e uma série de prêmios de escolha pública. "Estou muito contente, pois é uma volta à guitarra e ao violão, meio "abandonados" lá em 2004, quando vim para o Rio. O musical é uma "ópera rock", com 38 canções cantadas e interpretadas por um elenco fabuloso", diz o mineiro. "Quase normal", que estreou no último dia 12, já caiu nas graças de quem esteve no Teatro Clara Nunes, sobretudo no que diz respeito à música, considerada, por muitos críticos, um elemento que dá força ao texto do espetáculo, num casamento perfeito.
Como integrante de banda, Tiago participou de outros espetáculos consagrados, como ‘Os saltimbancos’, de Chico Buarque, "Hair", também adaptação da Broadway, e o recente sucesso "Vale tudo", de Nelson Motta, que narra a vida e a carreira de Tim Maia e teve casa lotada em todas as mais de 150 apresentações no Rio, além das performances em turnê. "Foi uma experiência maravilhosa, eu já era fã do Tim e, quando soube que iam montar o musical, fiz logo minha propaganda para o diretor, que era o mesmo de ‘Os saltimbancos’. Deu certo!" O percussionista conta que sua admiração pelo "síndico" vem desde os tempos em que assumia a guitarra da Silva Soul, em Juiz de Fora. "Gosto principalmente da ‘fase racional’, em que a sonoridade dele é particularmente boa." Sem se prender a estilos, Tiago fez parte de outras empreitadas musicais em solo juiz-forano, tocando zabumba no grupo de forró Espirro de Bode, bateria na banda Ferrovelho e violão na Orquestra de Violões do Conservatório Estadual, além de ter feito participações em grupos e festivais de música.
Mesmo com a carreira decolando no Rio, o músico, que já pensou em ser engenheiro e arquiteto, mantém fortes relações com a terra onde nasceu e deu seus primeiros acordes. "Meus pais ainda moram em Juiz de Fora, por isso vou sempre. E agora, como a UFJF abriu o curso de música, tenho vontade de um dia poder voltar para a cidade, com a possibilidade de trabalhar lá." Enquanto faz planos sobre um possível retorno, o percussionista mantém o olhar atento sobre os rumos da música juiz-forana."Estou sempre me surpreendendo. Fico feliz com os amigos que vivem de música em Juiz de Fora, assim como eu estou vivendo no Rio, me orgulho muito. Acredito que ainda falta espaço tanto para música de concerto quanto para a popular, mas espero que ele cresça sempre, acompanhado de incentivo."
