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Artistas unem criação e sustentabilidade

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Para alguns artistas, tão importante quanto praticar ações sustentáveis é incentivar que as pessoas ao seu redor também as pratiquem. Neste sentido, a arte se apropria de seus mais diversos suportes para estimular soluções criativas e engajadas. A Tribuna foi em busca de iniciativas que apostam em vertentes deste amplo conceito chamado "sustentabilidade". Da reciclagem que dá novas caras ao que era visto como lixo à utilização de materiais ecologicamente corretos. Dos temas que despertam a consciência para as questões relacionadas ao planeta às ideias que visam ao benefício coletivo e ao crescimento da arte.

Dividindo o orçamento

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"Ser sustentável é fazer o que você pode no momento presente", defende Vinícius Cristóvão em seu blog "Exercício do agora". Jornalista formado pela UFJF, ator e produtor cultural, Vinícius criou o programa "ViRa sustentável", que pretende modificar a mentalidade arraigada de que é difícil e "ecochato" ser sustentável.

Com roteiro de Vinícius e produção e finalização do cineasta Fabiano Cafure, uma primeira temporada de quatro episódios será produzida para a web, abordando alternativas para uma melhor vivência e bem-estar. "Em um dos episódios, produziremos um cordel a partir de papel-semente, que pode ser plantado. Também levaremos profissionais às comunidades do Vidigal e da Cidade de Deus, para mostrar que é possível ser sustentável em qualquer realidade." Os programas serão veiculados durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, reforçando a participação do Rio de Janeiro – onde Vinícius reside hoje – no desenvolvimento da cidadania participativa e do consumo consciente.

Os custos de produção, logística, filmagem, edição, finalização, assessoria de imprensa e divulgação vêm sendo somados em um site de financiamento coletivo (crowdfunding), o "movere.me". "Qualquer pessoa pode incentivar diretamente o projeto. As recompensas vão de

R$ 10 a R$ 6.000, e seu investimento é importante para fazer a ideia acontecer e ser bem-sucedida na web", explica Vinícius.

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De acordo com o ator, as classes C e D aparecem como as mais participativas em relação ao consumo consciente. "Por isso, os vídeos serão voltados, sobretudo, às classes mais engajadas", explica.

Em fase de produção, o projeto "2012" pretende reunir artistas de áreas distintas de Juiz de Fora, como dança, música, artes plásticas e arquitetura, além de convidar teóricos e artistas de outras cidades, para voltarem seus olhares sobre a temática do fim do mundo e a relação do ser humano com o planeta.

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"Em nome de um progresso e de uma modernidade, temos caminhado para uma série de desequilíbrios", argumenta uma das idealizadoras do projeto, a artista Juliana França. Um espetáculo, previsto para agosto, pretende ter como palco um espaço aberto, no qual as instalações sonoras possam ficar debaixo da terra. "Queremos ainda fazer um buraco profundo no terreno, que servirá de contraponto às superficialidades das relações das pessoas com o meio em que vivemos", acrescenta.

Por também acreditar que simples atitudes do presente podem resultar em significativas mudanças, a produtora fonográfica e audiovisual Epinefrina investiu na ideia da permuta para promover dois festivais de música na cidade. Cerca de 400 bandas de todo o país – e até mesmo uma da Colômbia – se inscreveram nas últimas edições dos festivais Epinéfricos e Muti! Música Totalmente Instrumental, promovidos pela produtora, respectivamente, em maio e abril. "As bandas arcaram com o transporte até Juiz de Fora, e a produtora ofereceu como ‘cachê’ um videoclipe, cuja produção costuma ser bastante cara. Foi uma alternativa vantajosa tanto para a organização do evento quanto para as bandas participantes", explica a diretora do Diversão & Arte e integrante da equipe da Epinefrina, Letícia Nabuco.

"Nossa ideia é tornar sustentável o mercado artístico local e viabilizar o diálogo entre os artistas", ressalta. "Muitas vezes, a lógica competitiva nos empurra para um caminho que só garante visibilidade para poucos. Nós acreditamos na outra lógica, a dos espaços sustentáveis. Quanto mais pontos de cultura promoverem eventos, mais visibilidade, mais interesse do público e mais recursos vão ser investidos."

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"Às vezes, você põe algo em prática por determinado fim, mas chega a outros caminhos bastante oportunos." O que se comprometia apenas com a estética, na arte de Wagner Fortes, se vê hoje intimamente ligado à sustentabilidade. Com transparência e textura leve, o papel higiênico é utilizado nas telas do artista e dá o diferencial da obra de Fortes. "Quis sair do tradicional e acabei enveredando por um conceito interessante", reflete.

Facilmente degradável, o material é tingido por pigmentos de diversas cores à base de álcool, formando um detalhado mosaico. "Esses pigmentos são bem menos tóxicos e poluentes que as tintas à base de óleo e até mesmo que as tintas acrílicas", explica. A cera de abelha, usada na colagem dos delicados pedaços à tela, também entra na linha dos materiais "ecologicamente corretos". "Não basta usar o papel higiênico ou outro material reciclável ou menos tóxico. O interessante é fazer com que esses materiais se encaixem perfeitamente ao contexto e aos conceitos da sua arte", conclui.

Valorização na ruas

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Encontrando uma outra forma para chamar a atenção para as atitudes sustentáveis a partir da arte, a Secretaria de Assistência Social (SAS), em parceria com o projeto "Gente em primeiro lugar", da Prefeitura, customizaram dez carroças que serão entregues a catadores de materiais recicláveis da cidade, em período de capacitação. O grafite – com temáticas voltadas à preservação do meio ambiente e a importância da reciclagem – que estampa os veículos foi realizado pelos alunos das oficinas de grafite, durante o "Corredor sustentável", dentro do último Corredor Cultural.

"É uma prática que já acontece em São Paulo e que muda completamente o visual do dia a dia dos catadores, chamando a atenção e valorizando o trabalho deles", avalia o articulador do "Gente em primeiro lugar" e presidente da Associação Juiz-forana de Hip Hop, João Batista de Medeiros, responsável pela pintura de sete veículos.

Lixo se transforma em decoração

O primeiro passo para superar o alcoolismo foi dado por Reginaldo Barbosa a partir da descoberta das inúmeras utilidades que podem ser conferidas ao lixo. Em 2005, com os recursos da Lei Murilo Mendes, Reginaldo fundou a Lixarte, associação de artesãos do Bairro Vila Olavo Costa, que transforma resíduos descartáveis em objetos de arte e utensílios domésticos. Peças decorativas, lustres, poltronas, pufes e até mesmo camas utilizam garrafas PET, doadas pelos vizinhos, como matéria-prima. A atividade desempenha papéis tão fundamentais à comunidade quanto a preservação do meio ambiente.

"O artesanato, além de gerar renda para a associação, funciona como uma terapia, não só para mim, mas para os meninos da comunidade. Muitas vezes, não sabemos como lidar com quem é, foi ou tem alguém na família dependente de álcool e drogas. Transformar o lixo em arte é uma forma de se ocupar e superar todas as dificuldades", explica Reginaldo, o Bulu.

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