Para os exibidores, não foi uma novidade. Na tarde da última terça (17), as quatro redes de cinemas que funcionam em Juiz de Fora afirmaram aguardar determinações do Poder Público para fecharem as salas. O decreto veio na noite desta quarta (18), a poucas horas de os cinemas apresentarem uma nova programação, com sessões e capacidades reduzidas. De acordo com o documento publicado pela Prefeitura, os shopping centers da cidade devem ter suas atividades suspensas, o que impacta diretamente as 18 salas de cinema locais, todas instaladas nesse tipo de estabelecimento.
Dentre as restrições aos estabelecimentos privados, encontra-se, no segundo parágrafo, a “proibição de funcionamento de shopping centers e centros comerciais, à exceção de farmácias, clínicas de atendimento na área de saúde, supermercados, restaurantes e locais de alimentação, em relação a esses dois últimos apenas na modalidade entrega em domicílio (delivery)”. A exigência em Juiz de Fora reflete gesto semelhante tomado em diferentes cidades e estados do país. Nesta quarta (18), o governador de São Paulo, João Doria, determinou que todos os shopping centers da capital paulista e da Grande São Paulo estejam fechados, por tempo indeterminado, até segunda (23).
Além de Juiz de Fora e São Paulo, Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro também tomaram a mesma medida, chegando, assim, a 13 unidades fechadas do UCI Kinoplex. Outra rede presente em Juiz de Fora e afetada por fechamentos no Brasil afora é a Cinemais, que já paralisou seu cinema em Patos de Minas, desde esta quarta (18) e se prepara para suspender as atividades em Anápolis, a partir desta quinta (19) e em Montes Claros, a partir de sábado (21), além de Juiz de Fora, que amanhece fechado nesta quinta. A suspensão representa metade do funcionamento do Cinemais, presente em dez cidades brasileiras.
De acordo com a assessoria de comunicação do Cinemais, toda a rede está cumprindo as recomendações de cada prefeitura. Nos locais onde as salas permanecem abertas foi adotada a política de redução de sessões e lugares. Presente em 13 cidades do país – cinco delas com restrições -, a rede UCI segue posicionamento da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográfica, que em nota afirma que “as empresas exibidoras brasileiras estão acompanhando atentamente todos os comunicados do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais de Saúde relativos à Covid-19 ou Coronavírus. As equipes de profissionais que atuam nas salas de cinema estão recebendo informações sobre como realizar a manutenção e a higiene para garantir que o ambiente esteja seguro”.
Prejuízos agora e adiante
Com as menores salas locais, o Cineminas, do Santa Cruz Shopping, oferecia até esta quarta (18), apenas 50 assentos, o que representa 50% de sua lotação. De acordo com seu proprietário, o empresário Fernando Costa Júnior, há mais de uma semana as salas padecem com a ausência do público. “A frequência está horrorosa. Esse foi o pior final de semana todos os tempos. O efeito é grande e os compromissos são enormes. Temos empregados e impostos. O cinema fechar por uma semana ou duas terá um efeito muito grande”, alerta. Segundo o ele, as estreias que ele esperava exibir até junho já foram canceladas. “Vamos ver as estreias de julho, de que ainda não temos notícia.”
Antes da publicação do decreto assinado pelo prefeito Antônio Almas (PSDB), a perspectiva das redes de cinema já era ruim na cidade. O UCI Kinoplex, do Independência Shopping, reduziria a menos da metade o número de sessões em relação à semana anterior (entre 12 e 18 deste mês), passando de 13 para 6. No Cineminas, do Santa Cruz Shopping, as sessões passariam de 6 para 4. Já no Cinemais do Jardim Norte, diminuiriam a menos da metade, passando de 24 para apenas 9. A maior redução, no entanto, aconteceria no Cinemais do Alameda Shopping, onde das 15 sessões da semana passada, passaria para menos de um terço, com apenas quatro. O cenário refletia um esvaziamento crescente, já expresso no próprio horário dos shoppings, que em sua maioria foram reduzidos na cidade.
Além da determinação dos shoppings, o decreto municipal também proíbe a realização de eventos desportivos, religiosos, shows, feiras, circos, eventos científicos e passeatas, em consonância com as orientações feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual da Saúde.
