Ícone do site Tribuna de Minas

A singularidade das pessoas

rosangela foto destacada
Autora diz que
PUBLICIDADE

Autora diz que “Ser terapeuta” é uma preparação para a leitura do próximo título, “Pedro Nava no divã”

PUBLICIDADE

O inconsciente se faz através da linguagem, afirma o psicanalista Jacques Lacan. Seguindo essa ideia, a psicoterapeuta analítica e holística Rosângela Rossi desenvolve a trama de “Ser terapeuta” (Editora Vozes, 109 páginas), nono livro de sua carreira, que ela lança neste sábado. Na obra, que inaugura o selo sobre filosofia clínica da casa editorial, a autora explica a atividade, optando por uma narrativa bastante próxima do romance. “Há mais de 15 anos, me tornei filósofa clínica e sentia muita vontade de escrever sobre a experiência que vivi. Todos os personagens do livro são eu, é quase um relato autobiográfico. Queria contar essa história de amor numa profissão que escolhemos para a nossa vida toda, cotidianamente”, conta ela, que também é colunista da rádio CBN Juiz de Fora.

“O protagonista do livro vive o extraordinário desafio de escutar o outro, de conviver com seu silêncio para entrar no silêncio do outro, de respeitar-se para respeitar o outro”, apresenta o chefe do departamento de filosofia da Universidade Federal de São João del-Rei José Maurício de Carvalho, em prefácio da obra. “O primeiro caminho mostra o terapeuta como companheiro de destino de todos os seus clientes ou não clientes; o segundo o obriga a resolver intimamente dúvidas e conflitos epistemológicos relacionados à cientificidade da sua prática clínica”, completa.

Trazida para o Brasil no final dos anos 1980, pelo gaúcho Lúcio Packter, a filosofia clínica tem como base a fenomenologia, o estruturalismo, a analítica da linguagem, entre outras correntes filosóficas, que são levadas à prática dos consultórios. “Ela faz uma historicidade da vida da pessoa, e depois os exames categoriais para ver em que espaço e tempo essa pessoa vive. Ela descobre qual é a estrutura de pensamento da pessoa, porque cada um funciona de um jeito”, explica Rosângela. “É um modo de trabalhar a singularidade das pessoas”, acrescenta.

Formada em psicologia, a profissional pontua a diferença entre sua área de formação e a filosofia clínica: “A psicanálise trabalha com a metapsicologia, com a jornada da alma, enquanto a psicologia tem enfoque comportamental. Sentia que sempre me faltava alguma coisa, então encontrei Jung, e, com a filosofia clínica, a mandala se fechou. Deixei de lado a psicologia e trabalho com uma clínica profunda.” Para ela, sua atividade exige um elo com o partilhante (nome dado aos pacientes). “Se o profissional não estiver aberto ao outro, tiver amor, não consegue seguir. Só existe análise, quando ele deixa de saber tudo e, quem sabe, assim, é o outro, que está a sua frente. Tem que ser transparente, e isso é um gesto de amor”, diz.

PUBLICIDADE

Nesse sentido, compreendendo a atividade como um “espelho para que o outro seja o que quiser, com liberdade”, Rosângela optou por tecer uma narrativa no gênero do romance, no qual fez sua estreia com “O romance de Jesus” (Editora Ser Livre), de 2013. Toda a ideia do que é ser um terapeuta se estabelece na poesia contida nas relações entre os personagens Flora, Lucas e Marcus. Imortal da Academia de Letras de Juiz de Fora, Rosângela diz que “Ser terapeuta” funciona como “uma preparação para a leitura do próximo título”, “Pedro Nava no divã”, que deverá lançar no próximo mês. Na obra futura, financiada pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, a escritora trata do suicídio do memorialista juiz-forano, lançando mão da bagagem expressa no livro que lança agora.

Sair da versão mobile