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Obras preservadas

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Fechado à visitação pública desde 2008, o Museu Mariano Procópio encerrou, há dez dias, mais uma etapa do processo de preservação do seu acervo. Seis obras de pintores locais, traçadas em óleo sobre tela, passaram por recuperação com o objetivo de sanar pequenos danos sofridos devido a ações do tempo. As criações estão acondicionadas na reserva técnica da instituição com condições de serem expostas em uma eventual mostra, conforme aponta Douglas Fasolato, diretor-superintendente do Mapro.

Do italiano Ângelo Bigi, que formou família em Juiz de Fora e deixou um legado que inclui a pintura decorativa do Cine-Theatro Central, passaram por intervenções as telas "Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras" (65,7 cm x 195,2 cm) – trabalho inacabado, datado de 1952, em que o pintor se desenhou ao lado dos amigos da Sociedade, como Heitor de Alencar e Américo Rodrigues -, "Casa de contos de Outro Preto" (61,0 cm x 70 cm), sem data, e "Construção da Represa" (72,0 cm x 102,4 cm), de 1936.

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De Frederico Bracher Jr., – "dono de uma técnica apurada e segura", conforme apontou em catálogo de exposição póstuma, realizada em 1986, no Museu Nacional de Belas Artes, o ex-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte, Alcídio Mafra de Souza – foram contempladas as obras "Museu Mariano Procópio" (49 cm x 70,3 cm), de 1940 – criada dois anos após o artista conquistar, com apenas 18 anos, o primeiro prêmio do Salão Mineiro – e a tela sem título (46,3 cm x 55,2 cm), de 1953, que traz retratado o antigo Fórum, onde hoje está localizada a Câmara Municipal.

Já na última obra beneficiada, intitulada "Dom Justino" (180,7 cm x 94,2 cm), José César Turatti, também representante da pintura acadêmica, reproduziu, em 1926, a figura do religioso que foi um dos primeiros a integrar o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio. "Escolhemos trabalhos de pintores da cidade para valorizar a produção daqui", conta Fasolato, acrescentando que, normalmente, os projetos destinados a esse fim são voltados a trabalhos de grandes nomes da cultura nacional. "A nossa iniciativa fica como ação simbólica, pois dificilmente os representantes locais conseguem financiamento ou mecenato."

Entre as ações realizadas, Carmen Salgado, técnica em conservação e restauração de bens culturais, destaca o reforço dos bordos com tiras de linho, limpeza química do verniz, consolidação/reparos de furos e rasgos e reintegração pictórica das áreas com perda de policromia. "A reintegração das pinturas foi a parte mais complicada, pois temos que ser o mais realista possível, sem interferir no trabalho do artista. Temos que nos limitar à perda", conta a profissional que veio do Rio de Janeiro para encabeçar os trabalhos. "Conseguimos manter a integridade do conjunto da obra", comemora Maria Salete Ferreira Figueira, chefe do Departamento de Acervo Técnico. As telas também receberam um chassi especial com sistema de cunha para evitar que elas sejam estiradas em caso de variação climática.

Segundo Fasolato, para os trabalhos, iniciados em dezembro de 2012, o Mapro não captou qualquer verba. Contudo, a iniciativa foi incluída no Projeto de Conservação e Diagnóstico da Coleção de Pinturas de Cavaletes, aprovado pelo Fundo Estadual de Cultura, da Secretaria Estadual de Cultura, em que foi captado o valor de R$ 45 mil. O restante, dos R$ 103 mil necessários, foi garantido através de contrapartida da Prefeitura. Ao todo, desde julho do ano passado, 504 obras foram restauradas. "É uma mostra de como vamos tratar o nosso acervo. Nunca havia sido realizada no museu uma ação de restauro tão ampla como essa."

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O diretor salienta que o objetivo da ação era fazer um diagnóstico, obtendo instrumentos indispensáveis às futuras intervenções do museu. Ele ressalta ainda a necessidade de criação de uma comissão dedicada a avaliar os processos de restauração. "Há sempre muita polêmica nos museus, seja no Louvre ou em outros da Europa, quando o assunto é intervenção em obra de arte. Um dos casos mais recentes aconteceu com Leonardo Da Vinci. A responsabilidade da comissão é avaliar a importância da obra, que precisa estar em condições de ser fotografada ou exposta. Dentro das prioridades levantadas, vamos discutir o que deve ser feito."

O próximo passo, de acordo com Fasolato, é catalogar e digitalizar o acervo do arquivo histórico, atividade que será dividida em etapas. "Não temos verba para isso, mas, ao propor projetos, temos que mostrar como será possível revertê-los em benefícios para o público, que é a função social do museu." Fasolato ainda chama atenção para os resultados conquistados mesmo a portas fechadas. "É um museu que ninguém vê, mas já sentimos as consequências do nosso trabalho no atendimento a pesquisas acadêmicas e publicações. Apesar de a equipe ser pequena, nunca se produziu tanta informação na questão da organização e sistematização. Os pesquisadores, como é o caso do escritor Laurentino Gomes, que nos visitou há poucos dias, conseguem levantar toda a iconografia de que precisam em pouquíssimo tempo."

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