
Quem tem menos de 25 anos (talvez 30) pode não imaginar, mas Didi, Dedé, Mussum e Zacarias eram os mais populares humoristas do Brasil até o final dos anos 1980. À frente dos Trapalhões, eles eram os astros de um dos programas de maior audiência da TV Globo e também estrelavam alguns dos filmes campeões de bilheteria da época, com oito deles entre as 20 maiores audiências na sala escura. A irrelevância – ou decadência – teve início em 1990 com a morte de Zacarias, e se tornou crônica quando Mussum morreu em 1994. Apesar de inúmeras tentativas, principalmente por parte de Renato Aragão (o Didi), de recuperar a antiga magia, a verdade é que o público mudou, a audiência envelheceu, assim como eles. Mesmo assim, aos 81 anos, Didi e o amigo Dedé (80 anos) voltam para tentar recuperar o brilho com “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood”, que estreia nesta quinta-feira.
A tentativa de volta por cima é marcada pelo remake de um dos maiores sucessos cinematográficos da trupe: lançado em 1981, “Os Saltimbancos Trapalhões” levou mais de cinco milhões de pessoas aos cinemas. Com trilha sonora inspirada na peça infantil escrita por Sergio Bardotti, Luis Enríquez Bacalov e adaptada para o português por Chico Buarque, e com um elenco que contava com nomes como Lucinha Lins, Mila Moreira e Mário Cardoso, o longa teve cenas filmadas em Los Angeles. Desta vez, com um orçamento maior, o filme aposta na história clássica, nos efeitos especiais e com nomes conhecidos do público, casos de Alinne Morais, Marcos Frota, Nelson Freitas, Letícia Colin, Emilio Dantas, Marcos Veras e Roberto Guilherme, mais conhecido pelo papel de Sargento Pincel em “Os Trapalhões”.
A trama é modernizada para os dias atuais, em que a presença de animais nos circos é mal vista e proibida em muitas cidades. Por conta disso, o Circo Sumatra sofre com a falta de público e passa por terríveis dificuldades financeiras, o que faz com que seu dono, o Barão Bartholo (Guilherme), aceite ceder o espaço para o prefeito local (Freitas), que realiza leilões de gado e comícios no local. Dois dos artistas do circo, Didi (Aragão) e Karina (Colin), não estão satisfeitos com a situação e resolvem criar um novo espetáculo circense, a ser escrito pelo Trapalhão.
O problema é que o espetáculo imaginado por ele vem através de sonhos, sugerido por animais falantes. Ao mesmo tempo em que recebe o apoio dos colegas quando apresenta o roteiro, Didi, Dedé e toda a trupe terão que enfrentar a oposição do próprio Barão, do gerente Assis Satã (Frota) e Tigrana (Morais), além do prefeito interessado em utilizar o local exclusivamente para suas atividades.

