
Alquimia conta com arranjos e produção de grandes nomes do samba nacional
Não há rótulos quando se trata do grupo Alquimia. Como indica o próprio nome, essa jovem banda juiz-forana mistura de tudo. Vai de versão de outros gêneros musicais para o samba até o sertanejo. Para o primeiro CD da carreira, que tem lançamento previsto para domingo, no Cultural Bar, Mateus Marchiote (voz), Xandinho (Tantã), Renato Fazza (cavaquinho), Rodrigo Pires (banjo) e Léo Miroudo (pandeiro) afirmam que investiram no puro pagode. Já que a ideia dos meninos é ultrapassar as fronteiras das Minas Gerais, eles buscaram parceria com grandes nomes do samba para gravar as dez faixas de “#SeguindoVC”. A apresentação de domingo tem ainda a participação de Leandro Lopes, ex-vocalista da banda Rapazola, e os DJs X-Lunatic e Célio Negrão, comandando a pista.
A expectativa do quinteto é que a galera antenada com o universo virtual se identifique com o álbum. “Esse trabalho é voltado para as mídias sociais, que hoje têm um apelo muito maior do público. É onde a gente consegue divulgar”, comenta Mateus, adiantando que a romântica “Melhor amigo” é o carro-chefe do disco. “Dei um tempo, pra gente respirar/ Organizar os sentimentos, repensar/ Passei da fase de guardar segredos, se é amor então tá tudo certo”, diz a letra da canção, assinada por Edgar do Cavaco e Douglas Lacerda, compositores responsáveis por sucessos de Jorge e Mateus, Sorriso Maroto e Pique Novo. O clipe de trabalho já está disponível no YouTube.
Com cerca de quatro anos de formação, tendo dividido o palco com Anitta, Bell Marques, Swing & Simpatia, entre outros, o Alquimia sonha chegar longe, o que justifica ter Wilson Prateado, Jota Moraes e Michel Fujiwara nos arranjos. “Eles são os principais nomes do samba hoje, em se tratando de arranjo e produção”, comemora o vocalista, explicando o que fizeram para encontrar o caminho das pedras. “Quando começamos esse trabalho, pensávamos em fazer uma coisa pequena, de cinco músicas, como foi com o EP que gravamos no ano passado. Mas somos meio entrões, gostamos de fuçar e tentar. Buscamos amigos em comum com essas pessoas e fizemos contato através da internet. Na conversa com um e outro, fomos dando sorte.” De acordo com ele, fácil não foi. “O grupo está começando agora, nunca ouviram falar da gente. Tivemos que mostrar nosso trabalho para eles acreditarem e depositarem confiança.”
A brincadeira virou coisa séria
A formação que agora se configura como profissional e que começa a traçar estratégias para ganhar Rio e São Paulo, há pouco tempo, era apenas uma brincadeira de escola, conforme lembra Xandinho. “Ia ter um show de talentos no Colégio Jesuítas. Ninguém tocava nada. Sem nem conhecer o Renatinho, perguntei se ele queria participar. Ele trouxe o Rodrigo. Éramos nós três e mais um, que nem está mais no grupo. Mesmo sendo no improviso, todo mundo gostou”, conta o músico. Despretensiosamente, a diversão foi ficando séria. “Apareceram convites para churrasco, festa de amigos, entrou mais um integrante, foi melhorando, até chegar ao nível de hoje, com músicos contratados.”
E é, justamente, nessa brincadeira, que se formou o perfil do público do Alquimia. “A maioria do grupo é relativamente nova em relação às outras bandas da cidade. Naturalmente, nosso círculo de amizade nos acompanhou e apoiou. Por isso, o pessoal é novo, na faixa etária dos 18 até os 25 anos, no máximo”, diz Renato. Ele conta que nenhum dos cinco integrantes tem formação acadêmica na área (temos professor de educação física, administrador de empresas, advogado e estudante), mas, em prol do som do Alquimia, todos se mexeram para aprender música. “Os componentes da banda de apoio cursaram universidade de música. Eles sempre quiseram isso para a vida. No nosso caso, a vocação musical nasceu. Éramos curiosos, brincávamos e, quando cresceu, vimos a necessidade de melhorar.”
Quando o assunto são as influências musicais, a turma se divide um pouco. Parte gosta do samba de raiz do Fundo de Quintal e Arlindo Cruz, e a outra metade curte uma pegada mais atual. Representante da vertente mais tradicional, Xandinho esclarece como o Alquimia resolve esse pequeno conflito. “De certo modo, acho que essas influências nos ajudam a pegar um pouquinho de cada um e formar o nosso som. Essa é uma alquimia de verdade.”
ALQUIMIA
Lançamento de CD
20 de dezembro, às 18h
Cultural Bar
(Avenida Deusdedit Salgado 3.955)

