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Memória da urbe

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"Esta cidade é minha vida. Apesar de ter saído, minha vida continua sendo aqui. Juiz de Fora é o lado mais importante do que sou. Não há terra maior. Nunca vi nada melhor. Todo o meu aprendizado aconteceu outrora nesta cidade", afirma Carlos Bracher, em depoimento concedido ao projeto "Diálogos abertos", realizado, desde 2007, pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Filho do berço de Murilo Mendes, o artista plástico é uma das personalidades que receberam a missão de eternizar a memória da cidade e de seus reflexos para além das fronteiras geográficas, ao integrar a iniciativa, que chega ao público na forma de livros. O lançamento dos três primeiros volumes da coleção "Diálogos abertos" está marcado para hoje, às 20h, no Mamm. "Estamos certos de que contribuímos, mesmo que não seja de forma definitiva, para o conhecimento de personagens que constituem a cultura e a política da urbe", diz José Alberto Pinho Neves, pró-reitor de Cultura da UFJF.

Há cinco anos, a cada encontro, representantes de diversos segmentos, como música, literatura, teatro e política, são sabatinados, por cerca de duas horas, por cinco entrevistadores e um mediador. "Outros entrevistadores, certamente, passariam por outras questões. Devido à relação com o entrevistado, o depoimento pode ter uma conotação mais ou menos pessoal. O conteúdo tratado é extremamente rico", assevera Pinho Neves.

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Os testemunhos, que apresentam a trajetória profissional e de vida dos convidados, são armazenados em som e imagem. A ideia é que o material atue na preservação da identidade do município, sendo utilizado como fonte de pesquisa para trabalhos acadêmicos e a comunidade em geral. "Os registros reunidos estabelecem o fio vital de fatos que poderiam, de outra forma, se perder", observa a jornalista Katia Dias, em texto de apresentação do livro um.

Além de Bracher, figuram na primeira publicação as histórias de Rachel Jardim, Arthur Arcuri, Luiz Ruffato e Sueli Costa. No segundo volume, Murílio de Avellar Hingel, Clodesmidt Riani, Edimilson de Almeida Pereira, Mamão e Natálio Luz. Almir de Oliveira, Jorge Couri, Marcos Pimentel, Vera Faria e Wilson Cid têm seus depoimentos registrados no terceiro livro. "Acho que não tenho muito mais prazo para viver, mas estou aqui na minha terra e isso é uma das poucas coisas em que me considero abençoada, agraciada. Sem fazer elogio e nem usar palavras que não sejam as mais verdadeiras, estou feliz de estar olhando todos vocês, face a face, desta mesa. Muito obrigada", declarou a memorialista juiz-forana Rachel Jardim, então com 81 anos, nas considerações finais, logo após discorrer sobre preservação patrimonial, arquitetura, a mineiridade em sua obra, a Juiz de Fora presente em seus escritos, entre outros temas.

Enquanto Bracher se emocionou ao tocar em assuntos como o amor por sua terra natal, seu envolvimento na Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras, no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, e ao relembrar sua participação na campanha a favor do tombamento do prédio da antiga fábrica Bernardo Mascarenhas, a compositora carioca Sueli Costa, que aqui passou a infância e a juventude, relatou a parceria com grandes intérpretes da música brasileira, como Nara Leão, Elis Regina e Ney Matogrosso. A Luiz Ruffato, natural de Cataguases, coube reafirmar sua posição de operário da palavra, além de narrar as experiências vividas nos anos em que cursou Comunicação Social na UFJF – período em que flertou com a poesia. "Foi nesta cidade que comecei a me entender como ser humano", destaca o escritor.

 

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Ao todo, já foram colhidas cerca de 50 declarações, que constituirão os próximos volumes, a serem lançados no decorrer de 2013. Segundo Pinho Neves, a proposta é que a estrutura do primeiro livro seja referência para os demais: são cinco testemunhos – acompanhados de uma pequena apresentação do depoente e de um comentário, feito por uma pessoa que não faz parte da banca de indagadores; A capa é a mesma, só alternando a cor do número e a fotografia dos entrevistados. A próxima etapa é levar ao público os depoimentos no formato multimídia.

De acordo com o pró-reitor, o objetivo era realizar o "Diálogos abertos" mensalmente. Contudo, devido à urgência em colher alguns testemunhos imprescindíveis para a cidade, chegou-se a executá-lo até duas vezes por mês. Já em 2012, para avançar nas compilações das obras, foi preciso recuar. "O doutor Arthur Arcuri já estava em idade avançada, e não podíamos perder a oportunidade de ouvi-lo. Entre a participação dele e a publicação, ele veio a falecer. A expectativa é que, a partir de janeiro, as entrevistas voltem a ter periodicidade."

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Aos 94 anos de idade, o engenheiro – e arquiteto por afinidade – Arthur Arcuri falou sobre sua atuação como membro do Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio – instituição que dirigiu por 14 anos -, a amizade com Murilo Mendes, a influência das artes plásticas no seu trabalho, a paisagem urbana de Juiz de Fora e de projetos assinados por ele, como o do Campus da UFJF e o Marco do Centenário – monumento que rendeu a ele lembranças curiosas."Um dia, Oscar Niemeyer, no seu escritório, me apresentou ao Di Cavalcanti. (…) Ele argumentou que o Di estava precisando de dinheiro e pediu que o contratasse. (…) Assim foi feito o marco e inaugurado no ano seguinte ao centenário, porque o prefeito Dilermando Martins da Costa Cruz Filho não tinha verba, pois os sete mil na moeda que havia conseguido destinaram-se ao pagamento de Di Cavalcanti", comentou Arcuri.

 

Para o próximo ano, o pró-reitor trabalha, pessoalmente, na compilação do "Diálogos abertos", que contou com a presença do presidente Itamar Franco. A trajetória do ex-prefeito de Juiz de Fora vai ser resgatada em edição especial. "Vai ser um só livro, pretendemos lançá-lo no primeiro semestre de 2013." A obra será ilustrada por uma série de fotografias de Itamar durante sua gestão como chefe do executivo. "Por meio das imagens, vai ser possível conferir a própria cidade. Houve um momento de modernidade em Juiz de Fora com a chegada dele à prefeitura. O que era abrir uma Avenida Independência, o que era resolver um problema de uma intervenção na Rio Branco, anos e anos sem solução? São essas as questões que propomos", diz o Pinho Neves.

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Também já participaram do projeto o prefeito Custódio Mattos e o ex-prefeitoTarcísio Delgado. "A intenção é aproveitar, talvez não de imediato, a renovação da prefeitura para colher o depoimento do Bruno Siqueira. Além disso, existem outras pessoas que contribuíram de forma efetiva com Juiz de Fora e que precisam ser ouvidas." Uma parte das publicações será direcionada a bibliotecas públicas e universidades.

 

DIÁLOGOS ABERTOS

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Lançamento de livros

 

Hoje, às 20h

Mamm

 

(Rua Benjamin Constant 790)

 

 

 

 

Previsão para 2013

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