Ícone do site Tribuna de Minas

Aos 35 anos de carreira, Badi Assad celebra trajetória e faz show inédito em Juiz de Fora

Badi Assad Divulgacao
Badi Assad Pablo Bernardo
Começando celebração dos 35 anos de carreira, Badi Assad se apresenta na sexta (31), em Juiz de Fora (Foto: Pablo Bernardo)
PUBLICIDADE

Iniciando as celebrações dos seus 35 anos de carreira, a cantora e violonista Badi Assad se apresenta na sexta (31), às 20h, no Teatro Solar, em Juiz de Fora. Esta é a primeira vez da artista na cidade, encontro que ela define como um momento especial com os fãs locais.

Em entrevista à Tribuna, Badi conta que encara cada apresentação como um instante único. “Trato o momento do palco como algo que só acontece uma vez. Por isso, dou tudo de mim – pode ser, literalmente, o último instante da vida”, reflete.

PUBLICIDADE

Definir o próprio trabalho, segundo ela, nunca foi simples. “É difícil rotular um artista aberto a qualquer manifestação artística”, afirma. “Eu fiz tanta coisa, mas gosto de dizer que minha música é uma música universal brasileira.”

A artista explica que seu som nasce das raízes brasileiras, mas é atravessado pelas experiências internacionais acumuladas ao longo da carreira. “Faço música brasileira com influências das minhas andanças pelo mundo e de tudo o que vai me inspirando”, resume.

Com uma carreira internacional consolidada, Badi Assad faz show em Juiz de Fora pela primeira vez. (Foto: Gal Oppido)

A trajetória de Badi Assad começou fora do país. Seu primeiro disco foi lançado por uma gravadora de Nova York, em 1994, o que fez com que sua carreira ganhasse projeção internacional antes mesmo de se consolidar no Brasil. Hoje, ela vive no país e celebra o reencontro com o público brasileiro.

Nascida em São João da Boa Vista (SP), Badi afirma que a família teve papel decisivo em sua formação musical. Filha de artistas, cresceu em um ambiente dedicado à arte e começou a tocar aos 14 anos, inspirada pelos irmãos que já seguiam carreira.

PUBLICIDADE

Ao revisitar sua trajetória, a cantora reconhece as transformações que marcaram sua música. Iniciou  no violão clássico, migrou para o instrumental e incorporou a voz como elemento percussivo e interpretativo, passando por uma fase de experimentalismo.

Entre os momentos mais desafiadores, Badi relembra o período em que enfrentou uma disfonia focal, condição que a fez perder os movimentos de uma das mãos e a afastou dos palcos por dois anos, justamente no auge da carreira. A pausa forçada deu origem a uma nova fase: foi durante a recuperação que ela se descobriu compositora e passou a assinar suas próprias canções.

PUBLICIDADE

Hoje, aos 58 anos, a artista vê a trajetória com serenidade e aceitação. Reconhece que a técnica virtuosa deu lugar a uma expressão mais madura e autêntica. “Não voltei a ser exatamente a mesma, e tudo bem. Continuo me reencontrando o tempo todo e aprendendo a aceitar o que o tempo traz.”

O (re) conhecimento do público

Apesar do reconhecimento internacional, Badi admite que é mais conhecida dentro da classe artística do que pelo grande público. Ela avalia que alcançar uma audiência mais ampla depende de diversos fatores, como presença nas rádios, aparições na TV e uma estrutura de divulgação que vá além do mérito artístico.

A cantora observa que o cenário musical mudou, e que os artistas, hoje, precisam lidar com novas pressões impostas pelo ambiente digital. Segundo ela, o público é conquistado nas redes sociais, o que exige dos músicos não apenas produção, mas também engajamento e estratégias de marketing. Ela admite que já não tem a mesma disposição para se dedicar a essa dinâmica e critica o excesso de cobrança que transforma artistas em “produtos da indústria”.

PUBLICIDADE

Ela também reflete sobre os efeitos dos algoritmos e da segmentação digital, que limitam o alcance das produções. Para a artista, embora as plataformas tenham ampliado o acesso à música, elas acabam restringindo o contato com a diversidade cultural do país. Ainda assim, Badi acompanha de perto nomes das novas gerações, como Larissa Luz, Julinha Linhares, Josyara, Vanessa Moreno e Almério.

Para a artista, o objetivo é continuar se reinventando. Cada álbum, explica, é uma busca por novas sonoridades e formas de expressão. “O importante é seguir criando com verdade, sem expectativas irreais – e estar bem comigo mesma em cada etapa.”

Sobre o futuro, a cantora afirma que não conduz a carreira com base em cálculos de mercado, mas no próprio instinto criativo. Seu novo trabalho reúne parcerias com grandes nomes da MPB, como Adriana Calcanhotto, Otto, André Abujamra e Silmar, além de canções inéditas de Chico César, Paulinho Moska, Nando Reis, Zé Renato, Zeca Baleiro e Vicente Barreto. O projeto, segundo ela, celebra as conexões artísticas de sua geração.

PUBLICIDADE

Em março, Badi planeja lançar outro disco, voltado a canções que marcaram sua trajetória, unindo faixas já gravadas e outras que sempre fizeram parte de sua história. Ela também revela o desejo de revisitar as raízes do interior de São Paulo, com sonoridades inspiradas em lembranças da infância e da música caipira.

‘O que eu faço com isso, mãe?’

Unidos pela música e pelo amor, Badi Assad conta como surgiu o Museu da Família Assad e os próximos projetos da carreira.(Foto: Pedro Henrique Gomide)

Badi define a música como uma força vital – uma forma de cura e conexão. No palco, diz sentir que ela funciona como uma medicina, tanto para o público quanto para si. Cada apresentação, afirma, é única: entrega tudo, como se fosse o último instante.

O vínculo familiar, que moldou sua trajetória, também inspira um de seus projetos mais pessoais: o Museu da Família Assad. A artista lembra que o amor é o que realmente une os Assad. “Apesar de compartilharmos a paixão pela música, o que nos une é o amor”, disse. A primeira exposição homenageia os pais, Seu Jorge e Dona Ica, e resgata a história musical da família. 

A ideia do museu surgiu após a morte da mãe. Durante a pandemia de Covid-19, Badi se mudou para São João da Boa Vista para cuidar dela e, ao reencontrar caixas com o acervo guardado pelos pais, decidiu preservar essa memória. “Não podia deixar todo aquele esforço e dedicação esquecidos”, conta.

O museu, explica, é uma forma de retribuição e gratidão. Para Badi, não existiria sua trajetória sem a família. “Acredito que pra educar uma criança é preciso uma aldeia inteira. No meu caso, essa aldeia é a minha família.”

Entre as homenagens futuras está a do irmão Cito, que nasceu com lesão cerebral e epilepsia. Badi destacou o papel da APAE na vida dele – instituição que o ajudou por muitos anos. “Foram 50 anos de convulsões. Ele só parou de tê-las quando começou a frequentar a APAE, aos 50”, lembra. 

Além dessas, a cantora pretende homenagear o Duo Assad, irmãos de Badi, Sérgio e Odair, que celebram 60 anos de trajetória. Para o próximo ano, a cantora confirma a homenagem para os seus 35 anos de história. 

Entre homenagens e novos projetos, Badi encara o marco dos 35 anos de carreira como um ciclo de plenitude. Diz que nunca faltou coragem – nem quando a vida impôs pausas, nem quando precisou recomeçar. “A música me escolheu”, afirma. “Foi ela que me sustentou em todos os sentidos – financeiros, emocionais e espirituais.”

A artista celebra a caminhada com serenidade e orgulho. Reconhece que o brilho das grandes turnês e dos tapetes vermelhos foi tão importante quanto os momentos de silêncio e reconstrução. “A criatividade vive 24 horas por mim”, reflete. “E são os sonhos que mantêm essa chama acesa.”

 

Sair da versão mobile