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Dando vida à Donzela de Ferro

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Muitos dizem que o Iron Maiden não possui fãs. Tem verdadeiros seguidores de uma "religião" própria. Considerada uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos, os ingleses com mais de 30 anos de carreira colecionam fãs inveterados ao redor do mundo e em especial no Brasil. Para alguns desses fiéis, não basta apenas comprar CDs, camisas que estampam o Eddie – o mascote da banda – ou enfrentar filas gigantes para os shows. É preciso encarnar os ídolos. E esse é o caso dos paulistas da Children of the Beast, banda que se apresenta na cidade hoje, a partir das 15h, no MHall (Avenida Brasil 6.955 – Mariano Procópio). As juiz-foranas Tuka’s Band, Hard Desire e Black Butterfly também tocam na tarde dedicada ao rock.

Com 18 anos de estrada, a banda paulista surgiu da vontade de ouvir e ver o grupo original se apresentando ao vivo, explica o fundador Piotr Smith, que se dedica ao papel do guitarrista Adrian Smith. Como em 1993 os ingleses ainda não eram habituais por aqui – tendo tocado no país apenas em 1985 (no primeiro Rock in Rio) e em 1992 – era mais difícil o contato com o Iron Maiden ao vivo, ainda longe da era de vídeos no YouTube. "Como não conseguíamos vê-los com frequência, decidimos montar a banda cover. Começamos como todo mundo, sem produção e com equipamentos baratos. Com o passar dos anos, fomos melhorando."

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Todo este tempo fez com que a banda tenha mais de 80 músicas prontas para serem tocadas. Os clássicos não faltam nos shows. "The number of the beast", "The trooper", "Powerslave" e a mais pop "Fear of the dark" estão no repertório, mas, segundo o guitarrista, conforme a ocasião ou os pedidos da plateia, a lista muda para incluir o "lado B", com canções que os ingleses nunca executaram ao vivo, como "Alexander the Great" e "Judas be my guide".

Munhequeiras originais

As apresentações têm objetivo de chegar o mais próximo possível do grupo. No caso do Children of the Beast, a semelhança vai do posicionamento e postura no palco, passando por figurino, instrumentos iguais e até mesmo itens já usados pelos membros do Iron Maiden. As munhequeiras foram dadas aos brasileiros por seus ídolos, que fizeram questão de conhecê-los antes de um show no Brasil, e a bateria usada hoje por Eric McBrain é uma que Nicko McBrain tocou em um workshop no país em 1996. O palco também carrega similaridades. Com cenário idêntico ao de Maiden, um Eddie de três metros de altura surge durante a apresentação.

Entretanto, não só de aparência vive uma banda cover. Segundo Smith, para ser um bom cover é preciso ser fã. "Todos os integrantes são fanáticos pela banda. Cada um interpreta seu personagem, mas acredito que este não é um trabalho para atores e sim para quem tem amor pela banda."

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Conhecido no cenário heavy metal nacional há alguns anos, o grupo ganhou visibilidade nacional no ano passado, quando chegou à final do concurso "Os imitadores", no "Domingão do Faustão", na Rede Globo. "Os comentários que mais recebemos foram os de que conseguimos colocar o Iron Maiden para tocar no Faustão", pontua Smith. Antes, porém, eles já haviam participado do extinto programa da MTV, "Covernation", dedicado a bandas cover.

O vocalista Sérgio Dickinson começou a imitar o ídolo aos 8 anos. "Ao ver Bruce pela primeira vez, disse que queria ser como ele. E como só ouvia Maiden e cantava no karaoquê que ganhei da minha mãe, minha voz começou a amadurecer e se assemelhar ao timbre." A dedicação foi recompensada. Hoje ele e a banda são considerados cover oficial do Iron Maiden no Brasil pelos próprios integrantes da Donzela de Ferro.

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CHILDREN OF THE BEAST

Domingo, às 15h

MHall (Avenida Brasil 6.955 – Mariano Procópio)

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