
O espetáculo “O cravo e a rosa” chega para uma temporada em Juiz de Fora, com três apresentações no fim de semana. A produção é baseada na novela de mesmo nome assinada por Walcyr Carrasco e na peça “A megera domada”, de Shakespeare, e foca na história de amor entre Catarina e Petruchio, que são interpretados por Paloma Bernardi e Marcelo Faria. Os dois personagens icônicos oferecem aos espectadores um embate de forças e de personalidades, apostando também no humor e na emoção. O público pode assistir à peça às 20h, na sexta-feira (20) e no sábado (21), e às 19h, no domingo (22), no Teatro Paschoal Carlos Magno. Os ingressos podem ser adquiridos na MegaBilheteria.
Já querida por muitos brasileiros, a peça conta sobre a relação turbulenta de Petruchio, um fazendeiro com dificuldades financeiras, e Catarina, uma jovem temperamental e rica, conhecida por afugentar seus pretendentes — até o momento em que ele precisa conquistá-la, para pegar seu dote e pagar as suas dívidas, quando, sem querer, eles se apaixonam de verdade. Para Marcelo Faria, o que mais atrai na história é essa dinâmica entre os dois, que apesar de já conhecida pelo público, permanece encantadora e até passa a ter novos tons.
“Catarina é uma mulher à frente do seu tempo, intensa, questionadora e cheia de vida. Petruchio, por outro lado, chega com um jeito irreverente e desafiador, o que cria um jogo cênico poderoso. A relação deles é cheia de faíscas, mas também de descoberta mútua. O público se envolve porque, por trás das brigas e provocações, existe uma tensão afetiva real — quase como se um reconhecesse no outro a sua própria força”, diz ele, que também é produtor do espetáculo.
Foi percebendo a força que a novela tem, tendo sido exibida três vezes e já chegando a atingir 50 milhões de espectadores em um só dia, que o diretor Pedro Vasconcelos também entendeu que seria um presente para o público o contato ao vivo com esse casal. “A gente se apaixona pela Catarina e pelo Petruchio por eles trazerem um pouco de cada um de nós, homens e mulheres: a parte divertida, claro, e o amor que envolve o casal.” Mas, para chegar ao formato, foi preciso adaptar o número de personagens, histórias e capítulos — dessa vez, focando apenas nos núcleos dos quais os dois fazem parte. “O amor improvável desses dois nos leva a querer também que nossas histórias de amor sejam mais felizes.”
A peça segue mais fielmente a história conhecida pela novela que, por sua vez, teve como base para adaptação a peça de Shakespeare. Mesmo tantos anos depois, a intérprete de Catarina, Paloma Bernardi, entende que o que fica é sempre o sentimento entre os dois. “O que me encanta é a humanidade desses personagens, a vulnerabilidade deles que está à flor da pele e faz com que o público se encante desde o primeiro momento.”
Preparação intensa e olhar contemporâneo em ‘O cravo e a rosa’
A preparação de Paloma Bernardi e Marcelo Faria para os papéis centrais foi rápida, mas muito intensa. “Nós tivemos 15 dias para ensaiar a peça. Foi um grande desafio, mas com muito acolhimento, entrega e dedicação”, relembra a atriz. Já tendo passado por diversas cidades brasileiras com o espetáculo, eles foram se sentindo cada vez mais confortáveis com o papel e com o “jogo” dessa relação. Até porque, na experiência dos dois, é justamente essa entrega de corpo e alma que faz um espetáculo funcionar.
O maior desafio, como enxerga Marcelo, é conseguir equilibrar o humor com a responsabilidade de recontar essa história à luz das questões contemporâneas — mantendo o espírito da comédia, mas sem reforçar estereótipos ultrapassados. “Trouxemos uma Catarina com voz, que questiona e ressignifica o papel que lhe tentam impor. Ao mesmo tempo, Petruchio também passa por um processo de desconstrução, tornando a história um diálogo mais equilibrado com os tempos de hoje.” Para Paloma, isso também é bastante claro: Catarina é uma feminista, como define.
Mas essa mudança de olhar não impactou a força da relação antagônica entre os dois. “O que permanece atemporal é justamente o embate entre liberdade e controle, entre o desejo de ser quem se é e a tentativa da sociedade de moldar isso. É um conflito humano, que atravessa séculos”, diz o ator.
Relação com o público
Pela familiaridade do público com os personagens e a paixão que também passam a sentir pela dupla, os três contam que a relação com a plateia tem sido uma boa aventura — que esperam também que se estenda nos três dias em Juiz de Fora, onde inclusive Paloma virá pela primeira vez. “As pessoas riem, se emocionam, se reconhecem. Muitos saem do espetáculo querendo conversar, refletir, debater. Isso é o maior presente para a gente. E sobre Juiz de Fora, estamos animadíssimos. É uma cidade com um público muito atento e caloroso. Esperamos uma troca intensa, cheia de afeto e arte”, completa Marcelo.

