
Convívio com outros seres, cuidados ambientais, confluência da arte com ciência, vida e cultura. Esses são os temas abordados pela mostra “Travessia”, do artista plástico Antônio Augusto Garcia. A exposição foi inaugurada, nesta terça-feira (17), na Galeria de Arte do Forum da Cultura, integrando a programação da 20ª Semana dos Museus. Mineiro de Juiz de Fora, mas radicado em Divinópolis, o artista também reflete com suas obras, expostas no espaço cultural do casarão centenário, o impacto das ações humanas como forma de modificar e delinear o futuro. Seguindo a linha da 20ª Semana, que aborda a temática sobre “O poder dos Museus”, a mostra, nesse sentido, ecoa o poder da arte enquanto propulsora de reflexões ao levar o observador a lançar um olhar diferente sobre questões rotineiras.
A técnica de pintura a óleo sobre papel manteiga, utilizada por Antônio Augusto Garcia, faz alusão à aquarela e à gravura, evidenciando os elementos protagonistas, com paletas de matizes vibrantes, que contrastam com cores neutras e pastéis.
A representação gráfica de seus trabalhos se coloca como instrumento de expressão para uma mensagem de sentido introspectivo, tendo a intenção de compartilhar com o observador a experiência do olhar além da imagem. Dessa forma, os vazios nos espaços composicionais e os recursos dispensados à geometria, sobretudo ao elencar ângulos e rigor no uso do desenho de perspectiva, buscam contribuir aos propósitos conceituais.
“Entendemos que a arte não é necessariamente explicável e muito menos que isso seja privilégio dos acadêmicos, teóricos e artistas. Sobretudo, deve encontrar o observador na percepção sinestésica”, ressalta Antônio Augusto. O artista apresenta também textos que acompanham as imagens, buscando contribuir para uma maior interação do seu pensamento com o público.
“‘Travessia’ tem a ver com uma trajetória de muitos anos vivenciando a arte, mas de maneira oculta, no anonimato, de maneira silenciosa. A chegada da pandemia me fez ficar no meu ateliê, que considero como a minha caverna, e ali era como se eu fosse um vulcão adormecido há muito tempo e começasse a entrar em erupção”, ressalta. Ele destaca ainda que o componente que faz com que a obra finalmente emerja à luz e ganhe vida é o observador. “Uma inteligência só é descoberta por outra, se não ela cai no vão”.
A exposição estará aberta para visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, seguindo até o dia 27 de maio. As visitações são gratuitas e abertas ao público em geral, sendo necessária a apresentação do cartão de vacinação em dia é recomendada a utilização de máscara.

