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Caetano Brasil, a música é o seu caminho

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Caetano Brasil
Caetano Brasil lança último single de álbum que homenageia Pixinguinha e chega em março (foto: Igor Tibiriçá/Divulgação)
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Parece óbvio dizer a um músico com indicação ao Grammy Latino que a música é o caminho. Não fosse Caetano Brasil para reler parte da obra extensa de Pixinguinha, ele nunca teria a música “Naquele tempo” tão para si. A história do clarinetista, saxofonista e compositor com Pixinguinha não é de hoje. Laura Conceição, poeta juiz-forana, soube, então, como tudo começou, através de um convite do próprio músico. Ela ouviu a versão de Caetano para “Naquele tempo” e fez, dessa mistura de caminhos cruzados entre os chorões, mote para a criação do poema declamado por ela para a abertura da música, lançada nesta sexta-feira (18). Entre os versos, Laura faz Caetano passar por sua trajetória, que começou tão cedo, e ter a certeza, de uma vez por todas, da vida que escolheu. Como presságio: graças a Pixinguinha.

“Naquele tempo” não poderia ficar de fora da lista de interpretações de Caetano para o álbum “Pixinverso – Infinito Pixinguinha”, que vai ser lançado em março. Assim como muitos, ele foi apresentado ao choro através dessa música, quando, aos 9 anos, Marcelo Gonçalves, coordenador da oficina de música que participava na Fundação Espírita Aurílio Braga Esteves, por acaso, entregou-lhe a partitura. Caetano, sozinho em uma sala, decidiu tocar com a flauta doce. Marcelo ouviu e disse que traria uma cópia para ele. “E foi muito forte, porque ele montou o grupo de choro (da fundação, só com crianças) e apresentou essa música maravilhosa, essa forma de encontrar, porque o choro é uma forma de encontro. Foi muito bonito. A partir do ‘Naquele tempo’, vieram todos os outros. Pixinguinha, sem dúvidas, é o que há mais tempo e de forma constante faz parte do meu repertório”, diz Caetano.

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Pixinguinha em Caetano

Ainda que revendo um clássico, Caetano conseguiu imprimir seu olhar nesse single. Quando foi escrever o arranjo de “Naquele tempo”, começou a pensar sobre qual era o tempo ao qual o Pixinguinha estava se referindo quando a escreveu, provavelmente nos anos 1910. “Como essa música, como a obra do Pixinguinha, sobrevive à ação do tempo e à transformação do espaço?”, perguntou. Para que isso estivesse na música, ele fez uma aventura com a melodia, mostrando os obstáculos da música até chegar ao mundo contemporâneo. Nela, os próprios instrumentos fazem barulhos de sirenes, celular, urna eletrônica, além de referências ao jazz, ao circo, à americanização da música, mas, sempre, tudo entrelaçado por Pixinguinha.

Quando viu a paisagem que criou, imaginou que a música precisaria de uma abertura, e, então, pensou em Laura para criar um poema. Bem livremente, a poeta fez como um conselho, que, como uma moral da história, finda com a certeza da música como caminho. Depois disso, Caetano já quis inserir outra linguagem. Dessa vez, seria a animação da música, como um curta-metragem, assinada pelo estúdio TEI. “Eu vi, no arranjo, um quê de surrealismo, de uma realidade alternativa. E muito me agrada as expressões não óbvias. Eu não imaginava uma narrativa linear (para o clipe). Até a própria animação não é animação de criação de personagem: são elementos que interagem o tempo todo, se transformam. Eu acho que a música tem esse lugar. É a melodia do Pixinguinha que vai se misturando”, explica. O vídeo também vai ser lançado nesta sexta-feira (18).

Chegar na vida das pessoas

Caetano é planejado. Tudo pensado. Mas, ainda assim, as loucuras podem surgir, até no banho. O arranjo de “Naquele tempo” foi essa loucura. “Eu tenho minhas piras artísticas. Mas eu sou focado na realidade. Pirar me interessa, mas me interessa conseguir tirar essas piras do papel. Aí entra o planejamento”, ele justifica. Mas ressalta, também, todo o trabalho que envolve lançar música ou disco inteiro. Para romper as barreiras e desmistificar a posição do instrumentista, ele usa as redes sociais para mostrar o dia a dia. “A música instrumental fica distante das pessoas às vezes, e muito por culpa nossa, que não quebramos esse degrau, e o pedestal que os músicos se colocam fica confortável. Mas, eu fico pensando, como eles estão impactando a vida das pessoas dessa forma? Vão tocar só para quem toca? Fazer música só pra músicos? Esse é o limite? Isso não me interessa. Eu fico estudando maneiras de chegar à vida das pessoas.”

O disco

“Naquele tempo” é a quarta música que compõe o disco “Pixinverso – Infinito Pixinguinha” e já está disponível para audição nas plataformas digitais. Começou com “Um a zero”. Antes mesmo de o projeto existir, a música foi lançada. Já com o disco em mente, Caetano lançou os singles “Carinhoso” e “Canção da Odalisca”. O álbum completo será lançado em março. Ele dividiu as dez faixas em dois lados: A e B, como se fosse vinil. O primeiro, com os clássicos, e o segundo, com músicas menos conhecidas, além de uma inédita do maestro carioca falecido em 1973.

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